Rumo ao Sul: Dia 7 ( Gramado e Canela )

Que fique claro: o objetivo aqui é roteirizar e dar dicas para aventureiros de mochila ou traçar alternativas econômicas de viagem. A idéia, quando passei pela região, era passar pelo menos um dia em Gramado e outro em Canela, mas não foi o que aconteceu. Como já vinha da melhor parte da trip – os cânions gaúchos – eu pretendia dar uma relaxada e curtir uns passeios de tia mais simples antes de partir para a orgia etílico-gastronômica de Bento Gonçalves e fechar a epopéia mais ao norte, nas montanhas de Urubici-SC. Encurtei o trecho, como vocês saberão.

Em Gramado, sugiro que peguem um mapa oficial no centro de informações turísticas (Praça Major Nicoletti, próximo à rua coberta), que facilitará sua busca por atrações, hotéis e restaurantes. Fanático por cinema, fiquei um tanto quanto decepcionado com a cidade que sedia o prêmio mais importante do país, já que não há qualquer menção a sétima arte em todos os seus 237 quilômetros quadrados. Nem mesmo o Palácio dos Festivais onde ocorre a premiação está identificado, só chamando a atenção de quem já o viu por fotos ou pela televisão. As demais atrações – leia-se museu medieval, mundo a vapor, casa do colono, fábrica de couros black bull, lago negro, compras de chocolate e o famoso café colonial – são fracas, caras e quase dispensáveis para quem gosta de natureza, aventura ou tem o bolso vazio. Realmente não combinou com a minha trip e acabei passando apenas uma tarde na cidade.

A hospedagem em Gramado é um capítulo à parte. Se na Serra Gaúcha próxima aos cânions é razoavelmente simples encontrar ótimas acomodações a preços em torno de R$80, em Gramado espere pelo menos o dobro como preço mínimo. Comer por lá, então, é verdadeiramente um tormento aos menos abastados, que tem poucas opções: o restaurante ao lado da prefeitura (R$10), o Buffet El Fuego ($20) e o Di Pietro (R$20) são as casas mais em conta. Chocolate mais barato é o Floribal (Rua Tristão de Oliveira, 1200,Centro) ou na fábrica da Prawer (no centro, em frente ao museu de carros antigos) que vale a visita pelo tour pela produção e a história do doce, mas tem preços que não justificam sua fama, ficando devendo aos famosos Montanhês, Araucária, Sabor Chocolate e Toco de Campos do Jordão-SP. Para estacionar na rua no entorno das principais lojas do centro, não se esqueça de pagar pelo “Cartão Gramado”, um sistema de estacionamento rotativo pago que custa R$1,20 por hora. Fondues e cafés coloniais, que me parecem ser o ponto alto da região, demandam mais pesquisa e este não era o objetivo quando passei por lá, quem sabe numa próxima vez. Google it!

Canela segue o mesmo ritmo. Nas pesquisas anteriores à trip li que o Camping do Parque do Sesi era boa opção no calor (local agradável, limpo, organizado e barato) mas não fiquei por lá. Visitei o Castelinho do Caracol ( www.castelinhocaracol.com.br ) que é uma residência conhecida por sua arquitetura enxaimel, datada de 1913, que teria sido erguida apenas com madeiras encaixadas, sem pregos. Você lê sobre isso em tudo quanto é lugar, mas o embuste fica claro para aqueles que pagam os R$6 de entrada para explorá-lo por dentro: o “castelo” é pequeno, pode ser visto em menos de cinco minutos e são visíveis os pregos disfarçados nos batentes das janelas do andar superior, cobertos por tinta escura. Não sei se foram postos durante a construção ou posteriormente em alguma correção ou obra de contenção, mas estão lá, tornando risível a publicidade! Isso é irrelevante, entretanto, perto do delicioso Apfelstrudel (torta de maçã alemã) com sorvete de creme, que comi na casa de chá que funciona no térreo. São R$26 para dois muito bem gastos, que compensam o desgosto de ver a casa de bonecas mais sinistra que eu já vi, instalada no sótão da casa, lembrando filmes de terror “b” dos anos 80.

O Parque do Caracol (entrada R$10) é a maior atração da cidade, com a cascata que lhe dá o nome, de 131m de altura. Lá há algumas trilhas simples para percorrer, uma feira de artesanato com preços mais altos que as lojinhas do centro, uma escada de 927 degraus que leva os visitantes do topo à base da cascata, um mirante com um elevador (que é pago à parte!)  e um restaurante que cobra R$34 num almoço para duas pessoas. Se passar por lá, vale a pena visitar pela imponência da queda d´água, mas esqueça todo o resto ali dentro. Outros locais de interesse podem ser consultados, com mapa, em www.canelaturismo.com.br.

Por fim, em frente a rodoviária da cidade, reparei no Viajante Hostel (www.pousadadoviajante.com.br) que conta com apartamentos para casal (R$72 na baixa temporada) e quartos coletivos, tv à cabo e cozinha coletiva. Bom preço para o padrão da região. Não fiquei lá, já que ainda tinha um longo caminho pela frente.

Ao todo, passei uma manhã em Canela e uma tarde em Gramado. Em relação ao caminho de Cambará do Sul em direção a Bento Gonçalves, especialmente no entorno de São Francisco de Paula, Gramado e Canela, recomendo especial atenção aos radares (também chamados de pardais pelos residentes) e pela total ausência de postos de combustível nas estradas. Caso precise abastecer, terá que entrar em alguma cidade com alguns litros de antecedência, já que as vicinais que saem das estradas principais não são curtas e não raro a falta de sinalização confunde o motorista que tem que corrigir o caminho algumas vezes. Os mapas da região são um pouco confusos, especialmente o Guia Rodoviário Quatro Rodas ( http://mapas.viajeaqui.abril.com.br/guiarodoviario/guia_Rodoviario_viajeaqui.aspx ) que é bem apertado nesse trecho e esconde alguns entrocamentos importantes. Vá com calma ao explorar a região, especialmente à noite como eu fiz.

Próxima parada: Bento Gonçalves !

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