Reveillon Mineiro, Dia 01: Belo Horizonte

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Teus abraços, de concreto

Teus beijos, de vidro

Teus amores, de plástico

Teu céu já não é tão azul

E sempre te direi

Que já não és a mesma de antes

Por mais que te ame

E ainda te contemple

Em belos horizontes.

…………………………………….Iara Ferreira

Começando do começo, um dos motivos por termos escolhido passar a virada do ano nas Gerais foi uma promoção da Gol que nos valeu passagens aéreas de ida-e-volta GRU-CNF (Guarulhos-Confins) por menos de 200 reais, o que nessa época do ano (de 25/12 a 01/01) realmente foi uma pechincha, apesar de ser um vôo noturno.

BH tem dois aeroportos: Pampulha, que serve apenas vôos menores do interior do Estado, e Confins, que fica a 38km do centro da capital. A corrida de táxi diurna custa por volta de 100 reais, mas pra nós não valia a pena porque estávamos em seis pessoas. Após muita pesquisa, optamos pela Classic Vip que cobra R$160 de van do aeroporto ao hotel no centro de BH. Bem mais barato que um táxi, já que saiu R$52,40 por casal. A conta é necessária, porque a outra alternativa é pegar um ônibus (31- 3224-1002) até a rodoviária, que sai R$19,25 por pessoa. Porém, aí é necessário acrescentar um táxi até o hotel, o que no nosso caso sairia mais R$15 por carro. Viajar em seis é legal, mas complica a logística do transporte.

Já escolher um hotel bom e barato foi mais fácil (só que não). Olhando hostels, booking, decolar ou qualquer outro site, você encontrará como opção mais barata o hostel da rede Sorriso do Lagarto cujos preços vão de 25 a 120 reais e mais uns 2 ou 3 hostels (boa dica é o Chalé Mineiro), alguns hotéis bem mal localizados no centro (de R$75 a R$120) e logo acima o Ibis Budget que à época cobrava R$125 pelo quarto. Pegamos este.

Pessoalmente, não gosto da rede Ibis, especialmente a variante mendiga que eles chamam de Budget. Os quartos são limpos e o padrão é o mesmo no mundo todo, mas o atendimento é extremamente impessoal, os funcionários costumam ser bem mal educados e absolutamente tudo exceto sua cama e duas toalhas de banho para o casal (nem toalha de rosto tem) é cobrado e bem caro. E isso normalmente inclui internet, café da manhã e lugar para estacionar o carro. Não que tudo isso me faça falta, mas por R$120 é uma sacanagem das grossas. Motivos diversos nos levaram a escolhê-lo (horário, localização, lotação de outros hotéis mais interessantes etc.) mas não recomendo de jeito nenhum.

sIMG_4637A experiência no Ibis de BH foi a pior que eu já tive na rede, aliás: a recepcionista (sozinha) levou das 2h às 3h da manhã para fazer um simples checkin; a placa de “não perturbe” não foi respeitada e mexeram no quarto todo durante o dia enquanto estávamos fora; os chuveiros funcionavam mal e com pouca água; o estacionamento era o mais sujo que eu já vi (cheio de garrafas e COMIDA jogada no chão – foto ao lado); debitaram sem permissão a diária no cartão de crédito errado; e por aí vai. Isso sem contar o péssimo café da manhã: por R$10 não há frutas, o café (a bebida) é de qualidade duvidosa e sobra gordura no menu (waffles, biscoitos e bolachas aos montes, para quem gosta rs). Valeu apenas por ser próximo de algumas atrações como o mercado central, por exemplo. Mas é questão de gosto, já que enquanto optei por tomar café numa padaria próxima, vi que dezenas se esbaldavam no buffet.

Pois bem, recuperadas as energias, fomos buscar uma Fiat Dobló, alugada na Movida, empresa de que gosto bastante pelos preços, promoções e bom atendimento. Infelizmente, dessa vez, eles também pisaram na bola: nosso carro não estava lá e tivemos de esperar eles mandarem o veículo da loja de Confins até o posto do centro, bem próximo do Ibis. Com isso perdemos quase a manhã toda e algumas chances de passeio. Nesse tempo, ao menos, pudemos dar uma volta pelos arredores e topamos com o bonito mas mal cuidado Edifício Niemeyer (leia mais sobre ele aqui e muito mais aqui) que lembra bastante o Copan paulista.

sIMG_4550Caminhando mais um pouco, aproveitamos para fazer aquilo que tradicionalmente eu mais gosto de fazer no último dia de viagem: conhecer o mercado municipal, aqui conhecido simplesmente como Mercado Central . Tivemos que fazer no primeiro dia porque nossa passagem de volta estava marcada para 01/01, data em que o local (e todo o comércio local) não abre. Acabei comprando pouca coisa para não precisar ficar carregando, mas só sentir o clima dos que vivem na metrópole do pão de queijo já valeu o passeio. Salvou nossa manhã meio desastrada!

mapinhamercadoBHProdutos alimentícios mineiros, artesanato, botecos típicos e uma infinidade de tranqueiras de empório fazem a festa do turista que cai por ali. Entusiastas de pimenta, principalmente, vão ficar malucos com a infinidade de espécies e produtos relacionados. Reserve pelo menos duas horas para comprar com calma e molhar o bico com uma cervejinha artesanal local. É lá também que ficam o famoso Bar da Lora, a fejuca do Jorge Americano e o Empório Trilha do Sabor (trilhadosaboremporio@hotmailcom), no qual fui muito bem atendido e encontrei os melhores preços em azeite e pimenta. Para sentir o clima, confira esse vídeo aqui. Para resumir, eu diria que o Central é tão quente quanto o Mercado Modelo, menos limpo que o Mercadão e menor e menos variado que os dois, mas vale a pena pela variedade e exclusividade de produtos, como certos tipos de queijos e pimentas que você só vai encontrar lá.

Batido um rango rápido e já de carro na mão, partimos para conhecer a região da Pampulha, internacionalmente conhecida pela famosa Volta da Pampulha. Lá ficam também o famoso Conjunto Arquitetônico (leia mais sobre ele aqui), o Mineirão,  diversos clubes, faculdades e a rota gastronômica, cujo principal expoente é o excelente Maria das Tranças. É meio chatinho de chegar lá (veja mapa aqui) mas vale a pena experimentar a melhor galinha ao molho pardo do Brasil, verdadeira raridade para quem é paulista como eu.  Jante ali (pratos na média de R$25 pp) e aproveite para conhecer um pequeno museu no sub-solo com fotos e recortes de jornais sobre JK, um de seus antigos habitués mais ilustres.

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Outro canto bem bacana é à leste da lagoa, ali nos arredores da Rua General Aranha, onde há vários restaurantes a quilo e self-service com comida típica mineira. Escolhemos o Jardim de Minas, cuja comida era bem variada e saborosa. Saiba que o preço do quilo naquelas bandas varia entre R$20 e R$40 nos restaurantes mais em conta, havendo também opções de buffet completo por cerca de R$30.

Valem mais duas dicas para quem quer se aventurar na Pampulha: a primeira é passar no quiosque turístico da prefeitura e pegar um mapa, porque não é nada fácil enfrentar o trânsito e encontrar os atrativos sozinho. E a segunda é que se você quer almoçar, tem que escolher antes das 14h, porque os estabelecimentos fecham cedo e lá por esse horário já não estão mais repondo a comida nos buffets. Fora isso, não deixe de ir porque o visual da lagoa é lindo. Se tivéssemos tempo (e disposição), faríamos à pé, mas dadas as opções fomos almoçar no Jardim, dar uma geral por fora no conjunto arquitetônico e fazer a “volta olímpica” na lagoa de carro mesmo.

Dali fomos para a belíssima Praça Liberdade no Centro, cujo circuito cultural é impressionante. Há diversos museus que para explorar (pesquise e programe-se aqui, aqui e aqui), igrejas bacanas e um visual incrível apesar de estar bem no centrão meio degradado de Belô. Nessa tarde, pudemos conferir o Espaço TIM do Conhecimento, que achei um pouco fraco em vista do que se lê oficialmente (faltam guias, atrações pouco interessantes, temática quase infantil, obras bem simples e visual bem feinho, exceto pelo agradável Café no térreo) e o maravilhoso Memorial Minas Gerais da Vale, com um acervo riquíssimo, belas e variadas obras, muito moderno e interessante. Leia mais aqui sobre sua inauguração. Não deixe de ir!

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Ufa! Depois de um dia tão cheio e muito bem aproveitado, deixamos a Liberdade ao cair da tarde direto para um banho no hotel e depois aproveitamos a noite no Maria das Tranças. A farra foi boa no restaurante e acabamos indo dormir tarde, o que não nos impediu de acordar (quase) a tempo para continuar a trip rumo a Brumadinho, onde conheceríamos o famoso “maior, mais rico e bonito museu do Brasil”: o Instituto Inhotim.

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