Reveillon Mineiro, Dia 03: Ouro Preto, Mariana e Mina da Passagem

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A viagem noturna foi tranquila. Do Inhotim a Ouro Preto levamos cerca de 2,5 horas, com trânsito mais pesado apenas nos 13km que ligam o Instituto até Brumadinho e em alguns poucos trechos da BR-356 onde havia alguma concentração de caminhões. Muito tranquilo de se fazer, mesmo à noite, desde que em velocidade compatível com a via e sem pressa. No caminho, fizemos uma boquinha no Sabor Smoke, localizado no Km 55.5, região de Itabirito. Um pão de queijo com lingüiça espetacular e uma coca bem gelada nos deram uma boa animada para seguir em frente!

Chegamos à Pousada Geraes por volta das 21h, um tanto cansados da pernada diurna. Muito bem recepcionados, pudemos escolher os quartos que mais nos agradaram, pois o local estava vazio (os dias entre o Natal e o Reveillon são muito tranquilos na região!). A pousada fica bem próxima da entrada da cidade, o que é bom porque fica numa área bem silenciosa e tranquila, com uma boa vista do centro histórico (a foto acima é da janela de um dos quartos) mas provavelmente há quem não goste da localização, que obriga os hóspedes a descerem de carro para o centro. Os quartos são simples, mas bem limpos e confortáveiscom frigobar e TV. O único ponto negativo, certamente , é o estacionamento: entrada apertada, no trecho mais inclinado da ladeira, que dá um bom trabalho para encaixar um carro grande como a Dobló em que estávamos. Para evitar a fadiga, optamos por deixar o carro na rua todos os dias e não houve qualquer problema.

Logo na primeira noite, acertamos em cheio no boteco: bar do Hotel Toffolo. Comida espetacular e atendimento nota dez num local que é referência histórico-cultural da cidade e ponto de encontro mais do que obrigatório na vida noturna de Ouro Preto. Se voltar a cidade algum dia, quero ficar hospedado ali.

Ao amanhecer do terceiro dia, tomamos um café longo e gostoso na pousada, sem muita pressa, porém bastante ansiosos por um dos lugares que tínhamos mais vontade de conhecer: a Mina da Passagem! E justiça seja feita: foi o post da Silvia do Matraqueando que me animou a conhecer o local. Agradeço imensamente.

Mina da Passagem: Ouro Preto - Mariana

Um dos passeios mais interessantes de quem vai a região de Ouro Preto e Mariana é visitar essa antiga mina de ouro, a maior aberta à visitação do mundo. Explorada desde 1819, está muito bem conservada e ainda possui parte do maquinário antigo, que ajudou a retirar mais de 35 toneladas de ouro do local.  Com temperaturas de 17º C a 20º C em seu interior, os amplos salões impressionam, especialmente o último da visitação, que possui um lago de água cristalina (e gelada).

São mais de 30 km de túneis acessíveis por um trolley (antigo carrinho de mina adaptado com bancos, digamos, precário) que desce a uma boa velocidade mais 120m de abaixo da terra (isso dá uns 30 andares, mais ou menos). O local também recebe explorações de mergulho (leia mais aqui) e é palco de várias histórias de fantasmas. Ano passado, inclusive, foi objeto de reportagem do antigo quadro Phantasmagoria do Fantástico. Impossível deixar de fora de qualquer roteiro, até por conta do fácil acesso (várias placas ao longo da MG-262 e ônibus que fazem o trajeto), do valor razoável (R$24, com meia para estudantes) e do horário de atendimento (abre todos os dias, 9h-17h). Veja mais aqui.

E de lá, seguimos rasgando a complicada MG-262 que liga Ouro Preto a Mariana, com seus ônibus loucos, curvas fechadas, buracos abertos e belas paisagens. Infelizmente nosso tempo era um pouco curto, então tínhamos apenas essa tarde para explorarmos a pequena e charmosa cidade. E chegando, já fomos direto ao ponto: Restaurante Gaveteiros.

1Certamente o melhor-custo benefício da cidade, comemos até explodir uma das melhores comidas típicas da região por apenas R$15. Fogão a lenha, feijão tropeiro, um sem número de carnes, massas e muita variedade em saladas, sem contar  a sobremesa incluída no buffet. O local também serve pizzas, sanduiches e porções à noite e é ideal para quem está apenas de passagem, já que fica em em frente a Catedral, na Praça da Sé.

Como nosso tempo era curto e queríamos visitar com calma os principais pontos turísticos, procuramos o centro de informações turísticas atrás de um bom guia, coisa essencial por aqui. No fim, optamos por contratar um senhor que nos abordou na rua e não nos arrependemos. Os guias da região são gente fina e não cobram caro, além de imprescindíveis para entender e (re)viver todos os detalhes históricos locais. Recomendo que antes de ir se consulte o site oficial do turismo em Mariana-MG para planejar sua visita.

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Segundo o senso de 2010 do IBGE, Mariana tem 54.179 habitantes e isso se nota no clima pacato da bela cidade. Conhecida e respeitada pelos mineiros por ter sido a primeira vila, cidade e capital do estado de Minas Gerais, no século XVII chegou a ser uma das maiores produtoras de ouro para a coroa Portuguesa, motivo pelo qual não faltam locais de interesse histórico e arquitetônico.

De tudo que pudemos ver, a Praça Minas Gerais foi o local mais interessante. Fica num plano elevado em relação às duas outras praças principais da cidade – Gomes Feire e Cláudio Manoel – motivo pelo qual é possível avistar as torres dos campanários de suas duas Igrejas de qualquer ponto do centro histórico. As igrejas de São Francisco e Nossa Senhora do Carmo, ambas do século XVIII, estão muito próximas e implantadas perpendicularmente,  o que dá um efeito muito bacana, especialmente para quem sobe a ladeira Dom Silvério (visão da foto acima). Do outro lado da rua há fica a Casa de Câmara e Cadeia (de 1798) e bem em frente um pelourinho preservado. Leia um pouco sobre a arquitetura e história local nesse blog, que tornou a visita bem mais interessante. Muitas dessas informações também são obtidas com os guias locais. Repito: vale a pena contratá-los.

Infelizmente não houve tempo para visitarmos a Catedral Basílica da Sé, famosa pelos concertos nos finais de semana (leia também sobre seu famoso órgão) nem o Museu de Arte Sacra, que parece ter um bom acervo de obras de Aleijadinho e Mestre Athayde. E como ainda visitaríamos o Caraça alguns dias depois, optamos por conhecer suas inúmeras cachoeiras (leia tudo sobre elas aqui) numa próxima oportunidade.

Finalmente, na volta para Ouro Preto fomos curtir a noite no Restaurante Spaguetti, que fica bem próximo da Praça Tiradentes. Ótimas massas com preço honestíssimo (de R$15 a R$50), carta de vinhos para todos os bolsos e um ambiente bastante aconchegante. Pedi uma panqueca bolonhesa com queijo numa porção para duas pessoas que saiu por R$ 29,90 e estava excelente. Foi uma ótima opção para fechar um dia tão agitado!

A seguir, finalmente a Ouro Preto que todos merecem conhecer.

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