Ilha de Páscoa para Mochileiros: Tudo que você precisa saber sobre os Moais

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Apesar de todas as atividades que a ilha proporciona a seus visitantes, o que os milhares de mochileiros vindos dos quatro cantos do mundo querem mesmo ver em Rapa Nui são os moais.  Desde 1722, quando o holandês Jacob Roggeveen ali aportou, essas enigmáticas figuras já fizeram seus primeiros fãs, que indagam até hoje quem, como e para quê foram feitos os monumentos.

Meses antes de viajar a ilha, tive contato com o incrível livro “Colapso”, do ganhador do prêmio Pullitzer Jared Diamond. A história da sociedade organizada e próspera que entrou em colapso em conseqüência da degradação ambiental me deixou maluco para conhecer Rapa Nui e foi minha principal motivação para a viagem. Segundo a teoria de Diamond, um pequeno grupo de colonizadores da Polinésia ali chegou no século X. Trezentos anos depois, o acentuado aumento democráfico e a obsessão pela construção das estátuas de pedra teriam levado à derrubada de toda a mata nativa, resultando em guerras entre as tribos, fome (e canibalismo), súbito declínio populacional e por fim… colapso. Segundo Jared, Páscoa é “o exemplo mais claro de uma sociedade que se autodestruiu ao explorar demais os próprios recursos”.

Suas pesquisas concluíram que em seu auge, a população da ilha chegou a quinze mil indivíduos. Derrubadas todas as árvores, a fauna se foi tempos depois e seguiram-se “fome, declínio da população e canibalismo”. Quando os europeus chegaram, já no século XVIII, encontraram um grupo de menos de quinhentos indivíduos, em condições bastante precarizadas e quase todos os moais tombados ao chão. Suas grandes proporções e o formato inusitado já chamaram a atenção desses exploradores, mas o primeiro a estudá-los seriamente foi o norueguês Thor Heyerdahl, que ali chegou apenas em 1950.

Escritos de sua tripulação já conjecturavam acerca do processo de construção e transporte das estátuas . Ninguém sabe ao certo como eles conseguiam mover enormes blocos de pedra na época ou qual seria a função desses gigantes, mas os nativos têm suas teorias. E os pesquisadores mais recentes também: cientistas acreditam, majoritariamente, que as estátuas eram presas a troncos e cordas e levadas por vários homens, até chegar ao local escolhido, conforme veremos a seguir. O fato é que a derrubada indiscriminada de madeira para viabilizar o sistema seria um dos principais fatores que levaram ao colapso daquela sociedade, como pensa, Jared Diamond, por exemplo. Terry Hunt, no entanto, discorda da teoria, como se pode ler no seu interessantíssimo artigo da Scientific American. Perca um tempo nele, vale a pena.

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Talhadas em rocha vulcânica composta de cinzas consolidadas, provavelmente entre os séculos 13 e 16, as estátuas têm de cinco a sete metros de altura, hoje em sua maioria deitadas. Supõe-se que quando os primeiros europeus passaram pela ilha, no século 18, os moais já estavam no chão, resultado de uma guerra entre os ilhéus quando os recursos começaram a rarear e a fome apertou. Foram catalogados entre 900 e 1.050 moais, dos quais cerca de 40 estão de pé depois de restaurados e cerca de 800 estão atualmente visíveis. Algumas estátuas foram reerguidas em seus ahus –  plataformas cerimoniais e funerárias que cercaram quase toda a orla da ilha, ao longo da segunda metade do século 20 e dispostas em seus locais e posições originais: geralmente próximos ao litoral, de costas para o mar. A explicação, contou-se um guia da ilha, é que voltados para a tribo eles irradiariam as energias dos ancestrais enterrados sob os ahus, protegendo e abençoando os respectivos povoados. É o que conta, pelo menos, a tradição oral, embora não haja prova cabal de que os nativos da época acreditavam mesmo nessa teoria.

Apesar de outros povos polinésios também terem esculpido figuras de pedra, moais são únicos por terem sido escavados por artesãos diretamente dos paredões de rocha de Rano Raraku e de lá foram levados até os ahus, em locais próximos ao litoral. Ao visitar a ilha, você perceberá que há centenas de estátuas inacabadas, como o famoso “el gigante”, o maior de todos, que se finalizado teria 21 m de altura. Sua construção, com a de quase todos os seus convivas inacabados, foi interrompida dado o início das guerras causadas pela escassez de recursos. Mas há também moais que se mantiveram de pé, sobrevivendo ao gigantesco tsunami de 1960, outros foram içados pelos japoneses, alguns foram parcialmente restaurados e muitos foram enterrados no solo pelos mais diversos motivos e até hoje permanecem incógnitos.

Tsunamis, alias, continuam sendo uma preocupação constante na ilha mais isolada do mundo. Ao visitá-la, provavelmente você ficará sabendo de algum exercício de evacuação, amplamente divulgado em cartazes e periódicos à disposição nos estabelecimentos locais..

Outra curiosidade local é o conjunto de “pukaos”, que nada mais são que chapéus avermelhados, também feitos de pedra, que adornam as cabeças de alguns moais. No museu de Hanga Hoa aprende-se que eles eram forjados a partir rocha piroclástica, avermelhada e bastante áspera, que era retirada de outro lugar muito interessante de se visitar: Puna Pau, uma pequena cratera no interior da ilha, que também era usada na elaboração de petróglifos.

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Ainda sobre os pukaos, outra controvérsia: historiadores afirmam, em geral, que os imponentes cilindros de pedra vermelha, que chegam a pesar até doze toneladas, representam cocares de penas vermelhas, indumentária exclusiva dos nobres e abastados, justamente os que eram enterrados nos ahus. Nativos, entretanto, me afirmaram que os polinésios sempre foram conhecidos por ter pele clara e cabelos ruivos, sendo o pukao, obviamente, sua mera reprodução. Colin Richards, da Universidade de Manchester, e Sue Hamilton, da Universidade College London, estão com eles. Um guia me disse, ainda, que o formato cilíndrico não era por acaso: os chefes e nobres usavam cocares nesse formato para se destacarem dos demais.

O método usado para transportar os moais também é controverso, dado que cada estátua pesa em média 12 toneladas. Lendas falam de sacerdotes utilizando a mente (ou magia) para movê-los, moais que andavam sozinhos, seres extra-terrestes e até teletransporte (!?).

Entretanto, a teoria mais aceita é que os ilhéus usavam movimentos oscilantes e giratórios para deslocar os moais, um pé de cada vez, realizados por centenas de pessoas que manipulavam as estátuas puxando cordas grossas de forma coordenada, em deslocamentos que duravam anos. Tal explicação é compatível, inclusive, com o rápido declínio da população de árvores da ilha, cortadas para fornecer madeira e cipós para o transporte as centenas de estátuas. Um trabalho consideravelmente mais lento que as obras da copa no Brasil.

Leia também:

O Guia Definitivo da Ilha de Páscoa para Mochileiros

– Uma semana em Rapa Nui

– O incrível vulcão Rano Kau da Ilha de Páscoa

 

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0 pensamento em “Ilha de Páscoa para Mochileiros: Tudo que você precisa saber sobre os Moais”

  1. Tenho mta vontade de conhecer a Ilha de Páscoa. Fiz uma viagem estilo mochilão pelo Peru. Voltei na semana passada. Respondendo ao Emilio, indico o http://www.touristcard.com.br Eles estão c/ uma promo para quem apresentar o código. Usa o meu se precisar: tourist15.

  2. Irei conhecer a Ilha de Páscoa no final do ano. É uma boa época? E sobre seguro viagem? Qual o mais interessante para contratar? Abç

    1. Ótima época, Emílio. Em dezembro as temperaturas já estão mais altas, podem chegar a uns 27, 28 graus. Dá pra pegar uma praia em Anakena tranquilo. Quanto ao seguro-viagem, penso ser uma escolha bem pessoal, mas sei que os mais bem avaliados têm sido o da Mondial (muito popular!) e da Vital Card. Tenho amigos que gostam também do Assist Card, mas nunca usei, não tenho como avaliar. Se você tiver um cartão de crésdito do tipo Platinum, Black ou Infinite, vale a pena checar suas vantagens e desvantagens. É muito prático.

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