Guia: Quais remédios levar para viajar

Atualizado em 27/03/2017

Febre de quarenta graus no Lago Titicaca.

Desarranjo intestinal no Ilha de Marajó.

Insolação em Floripa.

Picada de abelha na Serra da Capivara.

Quando adentramos territórios desconhecidos, o corpo sente e ficamos mais vulneráveis às intempéries. Evitando perder sua viagem tão esperada, levar a na mochila uma farmácia particular pode salvar suas férias e talvez sua vida.

Assim, atendendo a pedidos, publico a seguir uma relação de remédios básicos para se carregar em viagens longas e dicas para se manter saudável antes, durante e depois da viagem.

Alerta aos viajantes incautos: em terras longe de casa, todo cuidado com os remédios é pouco, sobretudo se resolver misturá-los. Caso você se sinta mal e seja obrigado a automedicar-se, observe. Persistindo seu estado de antes da medicação, considere voltar à civilização e procurar um profissional de saúde em vez de tentar outra medicação. Nenhuma viagem vale o resto de sua vida. 

Remédios Importantes

Filtro solar e creme hidratante são itens básicos para qualquer viagem, tanto no frio quanto no calor. Se você não os utiliza com frequência, procure conseguir porções pequenas para não ocupar espaço desnecessário na mochila. A validade não costuma ser longa e você pode jogar dinheiro fora. Falando nisso, com o tratam-se de itens caros, procure adquirir antes de viajar. Um filtro solar fator 30 custa 20 dólares na Ilha de Páscoa!;

Analgésicos e anti-térmicos (paracetamol, tylenol, dipirona, neosaldina etc.) em quantidade suficiente para pelo menos um comprimido por dia. Se você consome comidas gordurosas e bebida alcoólica, vale levar também uma cartelinha com engov ou qualquer outro medicamento indicado para o alívio dos sintomas de ressaca;

Anti-gripais que você já tenha experimentado também são itens básicos em qualquer explorada mais longa.  Há uma variedade enorme no mercado (coristina, benegripe, trimedal etc.) mas por alguns serem coquetéis de ação mais intensa é recomendável que se utilize algum medicamento já conhecido e testado por você;

Anti-inflamatórios (diclofenaco dietilamônio – cataflan etc.) para eventuais dores de garganta. Vale lembrar que estes, especialmente, só devem ser consumidos com orientação médica. Procure seu médico de confiança antes de viajar e peça uma prescrição caso as condições de sua viagem assim o requeiram. Na falta, leve pastilhas;

Anti-ácidos (pepsamar, eno etc.) preferencialmente em comprimidos, para amenizar possíveis episódios mais fortes de azia, queimação e mal estar estomacal, muito comuns em locais cuja gastronomia testa estômagos mais fracos, como no norte brasileiro;

Dramin ou similares para enjoos e vômitos, especialmente se você pretende fazer viagens longas de barco ou caminhar na altitude. Navegar pelo Titicaca ou degustar um belo pato no tucupi às vezes requerem providências adicionais;

– Um kit com antiséptico, band-aid ou esparadrapos para eventuais curativos, caso o trekking ou montanhismo em locais remotos seja sua atividade principal;

– Algum remédio de emergência que você conheça bem para diarréia, infecção urinária e dor de garganta. São males bastante comuns aos viajantes que em condições normais implicam numa prudente visita ao médico, mas em viagem devem ser tratados enquanto o atendimento não é possível. Especial atenção aqui se você vai a um país estrangeiro, especialmente com condições sanitárias inferiores ao seu;

– Colírios para alívio de eventual ressecamento ou irritação (optive, fresh tears etc) que também podem ser usados para lavar os olhos. Se você costuma usar água boricada (há médicos que não recomendam) pode ser útil levá-la, pois também serve para desinfectar ferimentos da pele em geral;

– Qualquer pomada para picadas de inseto (as mais comuns são fenergan e andantol) ou bastões para picadas,  ainda não disponíveis no Brasil)

– Demais remédios de uso pessoal freqüente, como anti-concepcionais ou anti-alérgicos, por exemplo;

Uma boa dica é visitar seu médico de confiança antes de viajar para verificar quais remédios podem ser usados em conjunto ou separadamente e quais cuidados você deverá tomar. Aproveite para perguntar em que situações poderá fazer uso desses medicamentos, lembrando que se auto-medicar é considerado algo absolutamente excepcional, reservado apenas para emergências em locais onde não se pode procurar um médico. Assim, tire todas as suas dúvidas antes de viajar.

Note que você deve levar os remédios em quantidade suficiente para toda a viagem, pois em alguns países a fiscalização é intensa e você pode ter problemas para comprar algum que necessite de receita, mesmo se você trouxer a sua do Brasil. Lembre-se de anotar o nome genérico do remédio e se algum deles for líquido, não se esqueça de que poderá ser impedido de embarcar com ele na bagagem de mão nos aeroportos. Alguns países não aceitam a entrada de remédio algum sem receita médica. Informe-se.

Alguns viajantes que pretendem permanecer logo tempo num destino internacional contratam um seguro-saúde para o exterior. Se você já tem plano de saúde, entre em contato e pergunte sobre as codições para estender os benefícios para o exterior ou informe-se na agência de viagens sobre o serviço, geralmente disponibilizado de forma opcional, com coberturas variadas, inclusive com atendimento hospitalar com acompanhante, remoção para o país de origem, assistência odontológica etc. De um jeito ou de outro, leve anotados os dados de contato do consulado naquele país, caso precise de ajuda adicional. E antes de contratar, pergunte ao Procon qual é a do seguro oferecido.

Antes de ir, verifique sua carteira de vacinação e tome todos os reforços que estiverem vencidos. Alguns países exigem que você seja vacinado contra febre amarela, cuja dose deve ser tomada pelo menos dez dias antes da viagem. Atenção: nesses países não basta portar a carteira de vacinação brasileira, pois os fiscais exigem o Certificado Internacional de Vacinação que é emitido em qualquer um dos postos da Anvisa em Portos, Aeroportos e Fronteiras. Se você tem algum problema de saúde que o impede de ser vacinado, deverá providenciar a emissão de um Certificado Internacional de Isenção de Vacinação. Sem esses documentos o turista não consegue nem mesmo embarcar num vôo para esses países. São recomendadas também a tríplice viral (protege contra sarampo, caxumba e rubéola) e a DT (difteria e tétano, que apesar de não obrigatórias são imprescindíveis para qualquer mochileiro) e hepatite B, especialmente em países com condições sanitárias deficientes. Em caso de dúvidas, consulte o  calendário vacinal do Ministério da Sáude ou pergunte a seu médico. Se mora em São Paulo, sortudo, procure o Ambulatório do Viajante no Hospital Emílio Ribas e lá um infectologista de plantão informará quais as doenças mais comuns no seu país de destino. Grátis, segundo a experiente e querida menina de angola.

Os cuidados devem prosseguir quando o mochileiro chega a seu destino. Se puder, evite alimentos vendidos nas ruas, comida crua ou muito apimentada e pratos muito gordurosos ou preparados com carnes as quais não se está acostumado. É claro que ao viajar para um país cuja cultura é muito diferente da nossa um maiores dos prazeres é experimentar a culinária local, o que não é proibido de maneira nenhuma. Porém, se o mochileiro optar por pratos sempre quentes, experimentar comidas exóticas quando estiver mais próximo dos grandes centros e informar-se com outros turistas e com o responsável pelo preparo antes de iniciar a comilança, vai eliminar a maior parte dos problemas que normalmente afligem os incautos. Boa dica é perguntar aos moradores locais onde é mais seguro. 

Outra dica importante é em relação a água. Sobretudo em países menos desenvolvidos, a água pode estar contaminada com toda sorte de  bactérias, vírus e fungos que podem até não fazer mal aos locais, mas seguramente vão abater corpos desacostumados.  Recomenda-se, portanto, que a água das torneiras seja usada somente para o banho, reservando-se a água mineral para beber. Inclua este valor  suplementar em sua planilha de gastos, porque sem dúvida a saúde é uma economia que não vale a pena. Verifique o estado do lacre da garrafa antes de abrir e lembre-se que os sucos também são feitos com água, nem sempre engarrada. Em locais com surtos de cólera em andamento é bom evitar até mesmo escovar os dentes com água da torneira. Se não tiver jeito, leve sempre na bagagem um purificador de água (hydrosteril ou pastilhas de cloro, por exemplo).

Outra recomendação vital – e frequentemente ignorada pelos viajantes – é a de tomar alguns cuidados em cidades localizadas a mais de  dois mil metros de altura, muito comuns na Bolívia e no Peru, por exemplo. Nesses locais a pressão do oxigênio diminui e provoca falta de ar, dor de cabeça crônica e bastante cansaço. Conhecido como “mal de altitude” ou “soroche”, esse conjunto de sintomas costuma afetar bastante os brasileiros, desacostumados com grandes altitudes como os 3.400m de Cusco, por exemplo. O remédio é simples: curta sua  estadia no primeiro dia de forma leve e tranquila, sem grande esforço físico. Se for o seu caso, faça uma leitura um pouco mais apurada sobre o assunto, sendo um bom começo dar uma olhada neste artigo, bastante completo e esclarecedor.

Finalmente, ao voltar para casa, caso o mochileiro apresente algum sintoma como febre constante, dor de cabeça, mal-estar, dores  no corpo ou outras alterações significativas, a Anvisa recomenda  procurar um médico, informando os locais por onde viajou, inclusive as escalas e conexões. Caso tenha se sentido mal na viagem, o procedimento é o mesmo, já que o viajante pode ter contraído alguma doença e o quanto antes diagnosticá-la, melhor e mais efetivo será o tratamento. Se possível, procure um ambulatório especializado como o já citado Ambulatório do Viajante.

E boa viagem!

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  1. Mais uma atualização: http://sna.saude.gov.br/cdam/
    No site, você obtém todas as informações que precisa para obter seu CDAM – Certificado de Direito a Assistência Médica, que permite aos brasileiros que contribuem para a Previdência Social e seus dependentes atendimento médico gratuito na Itália, em Portugal, no Chile, na Grécia e em Cabo Verde. Recentemente, Argentina e o Uruguai eliminaram a necessidade de ser segurado do INSS para ter o benefício e também prestam atendimento gratuito. Informe-se!

  2. Mais uma coisinha, eu sempre levo comigo um vidirinho de hidrosteril, para purificar a água. Aqui só escovo os dentes com água de torneira depois de colocar hidrosteril. Pode ser muito útil se vc precisar beber água em algum lugar não confiável. Ele mata todos os monstrinhos.

    bj

  3. Raulzito, eu como agora sou uma viajante em tempo integral, rs. Vou te dar uma dica que me deram que mudou muito minha rotina antes de viajar. No Emílio Ribas existe o Ambulatório do Viajante,(http://www.emilioribas.sp.gov.br/viajante.php), lá uma equipe de infectologistas informam quais as doenças mais comuns nas áreas em que vc pretende viajar, quais remédios indicados, e vacinas que vc dever tomar (antes de vir para Angola eu tomei cerca de 8). E o que é melhor tudo de graça.

    Outra coisa importante é procurar o ambulatório se voltar doente de viagem, pois lá existe pessoas capacitadas para identificar doenças como malária que não é facilmente identificada em hospitais normais.

    Outros remédios que não pode faltar na sua farmacinha é para diarréia e infecção urinária.

    E por fim devo dizer que antes de viajar é bom verificar qual a lesgislação do país quanto a medicamentos. Em Dubai por exemplo é expressamente entrar com medicamentos sem receita médica. Nem mesmo tylenol, aspirina, antigripal. Nadica de nada!

    Um remédio que sempre me salva é o amidalin para dor de garganta.

    beijão e excelente tópico!!!

    Sandrinha

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