Mochila nas costas: São Paulo a Foz do Iguaçú de ônibus

De carro, de ônibus ou  à pé, todas as viagens têm seu lado fascinante. De carro, o ponto forte é a liberdade de ir e vir a qualquer hora, ficar quanto tempo quiser e ir embora assim que enjoar, mas a preocupação é constante com a procura de locais seguros para deixar o veículo e todos os cuidados que implicam uma viagem longa (combustível, óleo, manutenção etc.). Viajando de ônibus essa preocupação acaba e o viajante fica só, com a mochila nas costas, decidindo se pega uma condução ou se vai à pé. Como em 2009 viajei muito por aí de carro, optei por fazer um pouco mais de exercício dessa vez e fazer uma megatrip de ônibus. Os detalhes vocês conhecerão a seguir.

Inicialmente, a idéia era aproveitar as férias para conhecer direito o litoral catarinense, mas a exemplo da viagem ao sul do ano passado, o tempo não ajudou e tive que adiar esse destino mais uma vez. No início de março desse ano, as única regiões brasileiras com sol eram o oeste do Paraná e o nordeste. Como deixei para decidir na última hora e não haviam passagens para o nordeste, optei pela alternativa mais próxima: Foz do Iguaçú! Acabo de votar e afirmo categoricamente: experiência inesquecível. Confirmei muitas informações colhidas na internet pelos colegas forumeiros e agora aproveito para deixar minha contribuição com todas informações atualizadas. Espero que aproveitem bem.

Foz do Iguaçu, com toda a sua diversidade de atrativos, representa um dos mais belos destinos turísticos do mundo e hoje é a segunda cidade  mais visitada do Brasil, perdendo apenas para o Rio de Janeiro. Possui riquezas naturais incomparáveis, como o Parque Nacional do Iguaçu, tombado como Patrimônio Natural da Humanidade e onde estão localizadas as maravilhosas Cataratas do Iguaçu. Seus parques são administrados com esmero e servem de modelo em todo o país, a usina hidrelétrica de Itaipú, maior hidroelétrica do mundo em produção, é modelo de gestão compartilhada entre países no mundo inteiro e consegue a façanha de ser tão interessante quanto os atrativos naturais da região. A região ainda tem inúmeras opções de diversão, como trilhas interpretativas, rafting, rapel, escalada em rocha, arvorismo, passeios de barco em meio às quedas, sobrevôo das Cataratas de helicóptero, o lindo Parque das Aves, o Marco das Três Fronteiras, o encontro dos rios Iguaçu e Paraná e por aí vai. Nem acredito que demorei tanto tempo para conhecê-la!

Primeiro, um resumo rápido da viagem. Depois, todas as informações “técnicas” e dicas.

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Rumo ao Sul: Dias 14 e 15 ( de Urubici a São Paulo, passando por Curitiba)

Três Estados num só dia seria o título para o capítulo final dessa epopéia pelo sul do Brasil, mas no fim da viagem optamos por fechar a conta de forma mais tranquila e quebramos novamente o trajeto. Basicamente, eram três a opções para deixarmos Urubici para trás em direção a São Paulo, lembrando que descartei a BR-116 pelas dicas colhidas de conhecidos e de sites diversos da internet:

a. Asfalto, em direção ao norte, com 2,5 horas de viagem pela SC-430, chegando à BR-282 e depois na região de Florianópolis, na BR-101 (171 km no total).;
b. Terra, descendo a Serra do Corvo Branco (49km até Grão Pará – em boas condições) e de lá para a BR-282;
c. Asfalto, em direção ao sul, descendo a SC-430, Serra do Rio do Rastro – SC438 até Lauro Müller e de lá para a BR-282;

Como já havia feito as duas serras no dia anterior, o mais racional seria seguir pela SC-430 mesmo, em direção ao litoral. Peguei um pouco de trânsito no trecho final, que conta com apenas uma pista e muitos caminhões, mas em geral a descida transcorreu muito bem e cheguei a altura de Floripa depois de cerca de três horas. De lá, foi seguir pela BR-101 até o Paraná, cruzar o Estado, atingir a BR-116 novamente e apontar em São Paulo no fim do dia. A viagem poderia ser feita de uma vez, já que Urubici-SC está a 872km da capital paulista, mas depois de uma viagem de mais de três mil quilômetros, achamos mais prudente quebrá-la e  acrescentar mais um dia a viagem.

Como Bombinhas-SC estava próxima demais e o tempo não ajudava (cerca de 18 graus na data da partida) acabamos optando por Curitiba-PR. Lá seria ideal para abastecer (De Joinville-SC a São Paulo são poucos postos de combustível), comer num lugar legal, acostumar-se aos poucos com o trânsito, dormir bem e chegar tranquilo e descansado a Sampa City no dia seguinte, pouco antes da hora do almoço.

Sem planejamento, esse trecho final acabou se revelando um pouco mais complicado, pois a referência que eu tinha de procurar um Centro de Informações Turísticas na mítica Rua 24 Horas atrapalhou nossos planos. Apesar de constar até hoje no site oficial de Curitiba (veja aqui) o emblemático ponto turístico está fechado para reformas desde 2007! Como estávamos tranquilos quanto a hotéis, pois o posto de informações do local nos daria todo o apoio, aproveitamos o final de tarde para conhecer a bonita Ópera de Arame e seu entorno. Chegando a tal Rua 24 Horas, já próximo do crepúsculo, tudo que encontramos foram mendigos, sujeira e uma placa indicando a reforma. Naquele horário, todos os postos de informação já haviam fechado (claro, porque o da Rua 24 Horas era o único que funcionava 24 horas!) e tivemos de procurar um hotel sem qualquer apoio ou indicação.

Os hotéis do centro estavam todos lotados por conta de congressos que aconteciam na cidade e isso dificultou bastante as coisas. Não conseguimos muitas informações com os habitantes apressados do centro (se o que queríamos era um retorno gradual à vida da cidade grande, estávamos conseguindo) e acabamos pegando o carro e rodando à esmo na hora do rush, à procura de um lugar decente para dormir. Salvou-nos o Hotel Siena, localizado na R. Desembargador Motta, 1181, na esquina com a Av. Silva Jardim. Diária honesta de R$80 o casal e à uma quadra do Shopping Curitiba, próximo também do Shopping Crystal Plaza, Shopping Novo Batel e do Estádio do  Clube Atlético Paranaense. O ótimo atendimento, o quarto limpo e o chuveiro quente foi tudo que aproveitamos do hotel, além do excelente jantar no Shopping Curitiba. Se passar pela metrópole, fique por lá. Carro em Curitiba no horário do rush não ajuda, então se for passear durante a semana, prefira a “Linha Turismo”, que nada mais é que um ônibus estilo “jardineira” que te leva a todos os pontos turísticos e sai a cada meia hora. Porém, confirme antes se ele ainda existe pelo telefone, para evitar lances chatos como o da tal rua que nunca fecha.

Na manhã seguinte, bora pra Sampa City. A cidade é bem sinalizada e é fácil achar a saída para a BR-116. Seguindo em frente, se tudo der certo, em menos de cinco horas já se chega a capital paulista.  O primeiro trecho de viagem é bastante tranqüilo e bonito,porém ao chegar em Miracatú o motorista terá de decidir qual caminho pegar. Vencer a Serra do Cafezal via Rod. Régis Bittencourt – trecho da BR-116 entre São Paulo e Santa Catarina passando pelo Paraná – hoje em dia não é fácil (há trechos que ficaram parcialmente interditados por meses entre 2009 e 2010). Melhor é margear a serra via litoral, utilizando o Sistema Anchieta-Imigrantes. Privatizado em 2008, esse trecho da BR116 está sob responsabilidade de uma concessionária que já tratou de espalhar seis praças de pedágio no trajeto, perfazendo quase R$10 de pedágio, eliminando a única vantagem de seguir pela serra em vez do litoral: a economia.

Não é caro, mas devido a péssima qualidade do asfalto, a grande quantidade de caminhões, a imensa falta de segurança em boa parte do trajeto e as péssimas condições da estrada, sobretudo na Serra do Cafezal (entre os Kms 228 a 253) essa opção não é uma boa. Siga pelo litoral, utilizando a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega (sem pedágio) e pegando, ao final, o Sistema Anchieta Imigrantes. Fique atento à sinalização e evite ser pego pelos radares, distribuídos em ambas as estradas para fiscalizar quem ultrapassa os 80km/h. A quilometragem de quem opta por seguir pelo litoral é maior, mas a viagem é uma das mais tranqüilas, bem sinalizadas e seguras do país.

E é isso. Fim da epopéia, porta-malas cheio de comes e bebes, memória cheia de histórias e lembranças. Uma das trips mais bacanas, tranquilas e bonitas que já fiz na vida, totalmente compartilhada com vocês. Espero que tenham apreciado e que as dicas e informações lhes ajudem a viajar tão bem ou melhor que eu naquele inesquecível mês de maio de 2009.

Grande abraço,
Raulzito.

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Rumo ao Sul: Dia 13 ( Serra do Rio do Rastro e Serra do Corvo Branco )

Falamos aqui de uma região de nobreza ímpar para o Brasil, em aspectos históricos, geológicos, científicos e culturais. Foi com imenso prazer que percorri os 56km da Serra do Corvo Branco e os 154km da Serra do Rio do Rastro que ligam Urubici a Grão Pará, ambos no coração da serra catarinense. O percurso agrada aos amantes de viagens rodovirárias, por ser um dos mais cênicos do país e interessa a todo entusiasta de história e geografia.

A Serra do Rio do Rastro é uma das serras de Santa Catarina que ligam o alto centro ao baixo sul do estado, cortada pela rodovia SC-438, proprietária de uma vista espetacular da natureza ao redor. Muita mata, belas cachoeiras, presença de animais selvagens e lindas paisagens esperam os aventureiros que testam suas habilidades ao contornar o inusitado traçado em zigue-zague da rodovia. Começa na cidade de Lauro Müller, com altitude de 1460m, num belo mirante localizado bem no topo da serra, onde há estacionamento para os turistas apreciarem a vista, tirarem fotos, comerem um lanche e contemplarem dezenas de quatis que se aproximam das lanchonetes em busca de comida. Aqui vale a mesma advertência que fiz no post do sexto dia de viagem (Parque Nacional da Serra Geral).

Todo o  percurso é muito íngreme, cheio de curvas fechadas, que devem ser feitas lentamente, objetivando contemplar a paisagem, observar os animais e rodar com segurança. No caminho podem ser vistos, além dos quatis, alguns felinos de pequeno e médio porte, macacos (não vi os  bugios e macacos-prego que me informaram, mas avistei alguns saguis nas árvores próximas à rodovia). Há registros de pacas, mãos-peladas, tatus e tamanduás nas proximidades, sempre observados por aguias, tiês-sangue, tucanos, araras e papagaios diversos. A região está totalmente preservada.

Culturalmente, a relevância da Serra do Rio do Rastro está ligada a teoria do antigo supercontinente Gondwana (Africa + América) relacionada com a chamada Coluna White, conduzida por Israel White, que constitui um marco histórico na evolução do conhecimento da geologia no Brasil. O  trabalho de White e seus colaboradores, executado entre 1904 e 1906 na região da Serra do Rio do Rastro, é de grande importância para a geologia mundial, tendo lançado um embasamento científico que até hoje permanece atualizado: algumas rochas encontradas na região tem composição idêntica às encontradas na África, provando o encontro dos continentes e embasando cientificamente a teoria da deriva continental, proposta por Alfred Wegener, que assinala ser a crosta terreste  formada por uma série de “placas” que “flutuam” numa camada de material rochoso fundido. Saiba tudo sobre o assunto aqui e aqui – links interessantes mesmo para quem não manja de geologia. O roteiro geológico está demarcado junto a rodovia por um conjunto de 17 marcos de concreto com descritivos das características da geologia local.

E por falar em estradas sinuosas e geologia, outra estrela é a vizinha-irmã Serra do Corvo Branco, cada qual com sua singularidade. O nome “corvo branco” vem do urubu-rei, como é conhecido o animal pelos habitantes da região,  que costumavam avistar seus ninhos junto às escarpas locais, especialmente a que acompanha a estrada. A estrada liga o planalto a região do litoral catarinense, através do município de Grão Pará, onde termina a grande escarpa onde está encravada. Mais curta que a Rio do Rastro, porém pavimentada apenas no trecho mais ingreme, é mais difícil de ser percorrida, mas também muito bonita, fazendo valer a pena o esforço (boas condições em época de seca, porém exige atenção nas curvas e demanda alguma habilidade nas inclinações, porém totalmente vencível com paciência por qualquer um).  A construção da estrada exigiu um corte vertical de 90 m direto na  rocha basáltica (muito sólida) que é o maior corte rodoviário da  engenharia brasileira, necessário por conta da grande inclinação do local.
Ao todo, percorri 56 Km  contados no painel do carro de Grão Pará a Urubici, margeando o Rio Canoas, diversas plantações de verduras e alguns trechos de mata fechada, que volta e meia se abrem descortinando o Morro do Corvo Branco, que dá nome à estrada (1668m de altitude).  Para subir o carro foi bem, mas duvido que em vários trechos seja possível descer em qualquer marcha que não a primeira, mesmo com carros pequenos e sem carga. Presenciei alguns veículos sofrendo em sentido contrário, porém nada que assustasse muito. A Serra do Faxinal (ver aqui e aqui) localizada um pouco mais ao Sul, exige bem mais do motorista.
Normalmente, os guias aconselham o turista que está em Urubici a visitar o Morro da Igreja, que citei lá atrás, retornar e passar pela Serra do Corvo Branco e após Grão Pará, seguir as placas de Lauro Müller, chegando à Serra do Rio do Rastro, fazendo-a de baixo para cima. Fiz o oposto, não por espírito contestador e reacionário, mas por opção mesmo, já que quis por aproveitar o tempo bom do dia anterior para visitar a atração principal – o Morro da Igreja – e reservar a data desse tour rodoviário para o mesmo dia da Cachoeira do Avencal, mais próxima do topo da Rio do Rastro. Foi tranquilo, então deixo a decisão com você.
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Rumo ao Sul: Dia 12 ( Urubici – SC )

Deixamos o sul com alegria e ainda mais empolgados para ver as belezas da serra catarinense e compará-las com a gaúcha. Lages, no nosso caminho para Urubici, é uma cidade com altitude máxima de 1.200m, o que já indica a qualidade cênica e climática da região. Fundada em 1766 como pouso de tropeiros que vinham de São Paulo em direção ao sul, a antiga Lajes (cuja grafia era a correta) rivaliza com Urubici como atração da serra. Tempo curto, como a primeira tem seus mais de 160 mil habitantes e a segunda não passa de 11 mil, decidimos visitar a cidade menor, que é mais a nossa cara e combinava melhor com o espírito ecoturístico da trip. Outro caminho que liga a serra gaúcha a catarinense a chamada “Rota dos Campos de Cima da Serra”: toma-se a estrada Cambará do Sul – São José dos Ausentes, conhecida por suas péssimas condições de terra e cascalho, sendo a maioria dos trechos em condições muito ruins e intransitáveis em épocas de chuva. Em compensação a paisagem é linda, repleta de campos, animais selvagens, flores e mata intocada. No caminho, o Pico do Monte Negro, ponto mais alto do estado do Rio Grande do Sul, em local de difícil acesso, mas de beleza rara. Caso disponha de tempo, de um 4×4 ou fôlego para ir à pé, o caminho é obrigatório.

Urubici normalmente é fria para os padrões brasileiros, com temperatura média de 13 graus e mínima em torno dos 17 graus negativos. Pela proximidade de São Joaquim, esperávamos mais frio que no sul, mas o destino nos reservou agradáveis e inesperados 20 graus durante nossa estada por ali. Além da temperatura inusitada, surpreendeu-nos a resistência dos governantes da região em aceitar turistas autônomos, que não gostam de contratar guias turísticos tagarelas/despreparados e preferem explorar tudo sozinhos. À exceção da Cachoeira do Avencal, algumas grutas sem graça, cachoeiras distantes e pequenas como a Véu da Noiva e mirantes como o Morro do Campestre e a principal atração – o Morro da Igreja – mais nada pode ser feito sem guia, o que inclui o Canion do Espraiado, o Campo dos Padres, a Cachoeira Rio dos Bugres, a caverna de mesmo nome e o Parque Nacional. A todo tempo os funcionários municipais lembram que esses passeios tem de ser pagos e agendados, não informam como chegar nessas atrações e alertam para os perigos quase sobrenaturais de realizar passeios sozinho por esses locais. Não há placas, roteiros ou guias para essas atrações, apenas folhetos publicitários de agências e guias que fazem os trajetos. Opção simples e barata em vez de sinalizar o local e confeccionar mapas para as atrações, nem todas tão isoladas e perigosas assim. Descartamos.

A Cascata do Avencal é a atração mais próxima do centro. Chega-se facilmente (e de carro) à parte de cima da cachoeira, local com uma visão interessante da serra e da queda, que normalmente cobra entrada (vimos placas) mas tinha guarita e estrutura abandonados em maio de 2009. Há trilha para descer à base da cachoeira que não tem sinalização (nem guias para conduzir, nessa época). Vale a pena passar por lá e depois conferir as inscrições rupestres no entorno, também não sinalizadas, mais ou menos 5km à frente na mesma estrada.

A atração principal, imperdível, é o Morro da Igreja, ponto mais alto e frio da região. Para chegar, saindo da cidade enfrenta-se 10km de estrada de cascalho tranquila e mais 16km de bom asfalto até a entrada da base militar do CINDACTA que fica no topo. De lá, avista-se a Pedra Furada, curiosa formação geológica em torno de paredões cobertos de bonita vegetação e rochedos imponentes. Dali é possível andar bastante no entorno, tirar fotos dos paredões e conferir a beleza da serra. Uma hora de caminhada é o suficiente para explorar todo o morro fora dos muros do exército. Vá cedo para evitar hordas de turistas, inclusive excursões escolares que freqüentemente levam as crianças de escolas próximas para conhecer e aprender mais sobre a região. Para descer à Pedra Furada, só com guia e nem tente perguntar: não há como chegar sem conhecer a região. Não duvidamos disso e já cansados da trip, deixamos para outra ocasião.

Para comer, recomendo a Pizzaria Cor da Fruta (Rua Adolfo Konder, 651) que serve a la carte e rodízio. O rodízio custa R$13 e tem ótima  qualidade, muito superior a várias pizzarias a la carte por aí e melhor que todas as que atendem em rodízio que já frequentei. Duas peculiaridades: o proprietário é viciado em Pendragon (trilha sonora rara para uma pizzaria) e o rodízio na baixa temporada é feito a pedido: você escolhe a pizza que deseja e quando ela chegar, em formato brotinho, já escolhe o próximo sabor e assim sucessivamente, sem esfriar a pizza ou correr o risco de só aparecerem sabores desinteressantes. Outra atração é a truta na chapa do Zeca´s Bar (Rua Adolfo Konder, 522) com buffet variado, aberto até meia-noite.   Para ficar, escolhemos uma opção barata e simples: Pousada Café no Bule, bem localizada, com cama box, suítes, tv e café da manhã por R$85 na baixa temporada. O café da manhã é razoável e por incrível que pareça: não tem café no bule, só solúvel. rs

No dia seguinte, um dos mais belos trechos rodoviários do país: Serra do Rio do Rastro e Serra do Corvo Branco!

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Rumo ao Sul: Dia 7 ( Gramado e Canela )

Que fique claro: o objetivo aqui é roteirizar e dar dicas para aventureiros de mochila ou traçar alternativas econômicas de viagem. A idéia, quando passei pela região, era passar pelo menos um dia em Gramado e outro em Canela, mas não foi o que aconteceu. Como já vinha da melhor parte da trip – os cânions gaúchos – eu pretendia dar uma relaxada e curtir uns passeios de tia mais simples antes de partir para a orgia etílico-gastronômica de Bento Gonçalves e fechar a epopéia mais ao norte, nas montanhas de Urubici-SC. Encurtei o trecho, como vocês saberão.

Em Gramado, sugiro que peguem um mapa oficial no centro de informações turísticas (Praça Major Nicoletti, próximo à rua coberta), que facilitará sua busca por atrações, hotéis e restaurantes. Fanático por cinema, fiquei um tanto quanto decepcionado com a cidade que sedia o prêmio mais importante do país, já que não há qualquer menção a sétima arte em todos os seus 237 quilômetros quadrados. Nem mesmo o Palácio dos Festivais onde ocorre a premiação está identificado, só chamando a atenção de quem já o viu por fotos ou pela televisão. As demais atrações – leia-se museu medieval, mundo a vapor, casa do colono, fábrica de couros black bull, lago negro, compras de chocolate e o famoso café colonial – são fracas, caras e quase dispensáveis para quem gosta de natureza, aventura ou tem o bolso vazio. Realmente não combinou com a minha trip e acabei passando apenas uma tarde na cidade.

A hospedagem em Gramado é um capítulo à parte. Se na Serra Gaúcha próxima aos cânions é razoavelmente simples encontrar ótimas acomodações a preços em torno de R$80, em Gramado espere pelo menos o dobro como preço mínimo. Comer por lá, então, é verdadeiramente um tormento aos menos abastados, que tem poucas opções: o restaurante ao lado da prefeitura (R$10), o Buffet El Fuego ($20) e o Di Pietro (R$20) são as casas mais em conta. Chocolate mais barato é o Floribal (Rua Tristão de Oliveira, 1200,Centro) ou na fábrica da Prawer (no centro, em frente ao museu de carros antigos) que vale a visita pelo tour pela produção e a história do doce, mas tem preços que não justificam sua fama, ficando devendo aos famosos Montanhês, Araucária, Sabor Chocolate e Toco de Campos do Jordão-SP. Para estacionar na rua no entorno das principais lojas do centro, não se esqueça de pagar pelo “Cartão Gramado”, um sistema de estacionamento rotativo pago que custa R$1,20 por hora. Fondues e cafés coloniais, que me parecem ser o ponto alto da região, demandam mais pesquisa e este não era o objetivo quando passei por lá, quem sabe numa próxima vez. Google it!

Canela segue o mesmo ritmo. Nas pesquisas anteriores à trip li que o Camping do Parque do Sesi era boa opção no calor (local agradável, limpo, organizado e barato) mas não fiquei por lá. Visitei o Castelinho do Caracol ( www.castelinhocaracol.com.br ) que é uma residência conhecida por sua arquitetura enxaimel, datada de 1913, que teria sido erguida apenas com madeiras encaixadas, sem pregos. Você lê sobre isso em tudo quanto é lugar, mas o embuste fica claro para aqueles que pagam os R$6 de entrada para explorá-lo por dentro: o “castelo” é pequeno, pode ser visto em menos de cinco minutos e são visíveis os pregos disfarçados nos batentes das janelas do andar superior, cobertos por tinta escura. Não sei se foram postos durante a construção ou posteriormente em alguma correção ou obra de contenção, mas estão lá, tornando risível a publicidade! Isso é irrelevante, entretanto, perto do delicioso Apfelstrudel (torta de maçã alemã) com sorvete de creme, que comi na casa de chá que funciona no térreo. São R$26 para dois muito bem gastos, que compensam o desgosto de ver a casa de bonecas mais sinistra que eu já vi, instalada no sótão da casa, lembrando filmes de terror “b” dos anos 80.

O Parque do Caracol (entrada R$10) é a maior atração da cidade, com a cascata que lhe dá o nome, de 131m de altura. Lá há algumas trilhas simples para percorrer, uma feira de artesanato com preços mais altos que as lojinhas do centro, uma escada de 927 degraus que leva os visitantes do topo à base da cascata, um mirante com um elevador (que é pago à parte!)  e um restaurante que cobra R$34 num almoço para duas pessoas. Se passar por lá, vale a pena visitar pela imponência da queda d´água, mas esqueça todo o resto ali dentro. Outros locais de interesse podem ser consultados, com mapa, em www.canelaturismo.com.br.

Por fim, em frente a rodoviária da cidade, reparei no Viajante Hostel (www.pousadadoviajante.com.br) que conta com apartamentos para casal (R$72 na baixa temporada) e quartos coletivos, tv à cabo e cozinha coletiva. Bom preço para o padrão da região. Não fiquei lá, já que ainda tinha um longo caminho pela frente.

Ao todo, passei uma manhã em Canela e uma tarde em Gramado. Em relação ao caminho de Cambará do Sul em direção a Bento Gonçalves, especialmente no entorno de São Francisco de Paula, Gramado e Canela, recomendo especial atenção aos radares (também chamados de pardais pelos residentes) e pela total ausência de postos de combustível nas estradas. Caso precise abastecer, terá que entrar em alguma cidade com alguns litros de antecedência, já que as vicinais que saem das estradas principais não são curtas e não raro a falta de sinalização confunde o motorista que tem que corrigir o caminho algumas vezes. Os mapas da região são um pouco confusos, especialmente o Guia Rodoviário Quatro Rodas ( http://mapas.viajeaqui.abril.com.br/guiarodoviario/guia_Rodoviario_viajeaqui.aspx ) que é bem apertado nesse trecho e esconde alguns entrocamentos importantes. Vá com calma ao explorar a região, especialmente à noite como eu fiz.

Próxima parada: Bento Gonçalves !

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Rumo ao Sul: Dia 5 ( Cambará do Sul – RS )

Antes de qualquer coisa, vale dizer que Cambará do Sul é uma das cidadezinhas mais bacanas e interessantes que já visitei. Muito mais bem cuidada, vistosa e acolhedora que a vizinha catarinense Praia Grande, dá vontade de passar um bom tempo por lá.  Passamos por lá em meados de maio, época em que teoricamente não faz tanto frio… mas presenciamos termômetros apontando temperaturas de um dígito depois do sol se pôr.

Chegamos com inúmeras opções de hospedagem anotadas dos guias e da internet, mas os preços estavam sensivelmente diferentes dos relatos e publicações. Bem mais cara que Praia Grande, Cambará deu mais trabalho para encontrar uma opção mais em conta, já que quase todas as pousadas são mais bem cuidadas e tem uma estrutura mais confortável. Rodamos bastante, visitamos vários lugares e perguntamos aqui e ali para conseguir o melhor custo benefício possível. No fim das contas, escolhemos o Recanto das Gralhas (54-3251-1383, 90 mangos a diária em maio/2009).  A pousada da Dona Celi é muito agradável, confortável, bem decorada, tem tv, frigobar, roupa de cama e banho, lençol térmico (sensacional), aquecedor, banheiro privativo e um bom café da manhã com queijos, sucos, bolos e manteiga caseira. Fica na Rua Antônio Raupp, 584, bem no centro da cidade, fácil de achar. Curiosidade: o elenco de A Casa das Sete Mulheres ficou por lá durante as filmagens (há algumas fotos da série expostas na área comum). Caso esteja lotada, outra opção mais barata e confortável pode ser a Pôr-do-Sol, próxima. Para os loucos, há duas pousadas com local para camping também: Pousada Corucacas e Pousada Pampa Rural. Faça seu testamento antes de ir.

Depois de algum tempo rodando a procura de uma boa pousada – estômago já roncando – um aroma de carne na brasa nos chamou a atenção, bem em frente ao número 1069 da Rua Dona Úrsula: uma construção pitoresca, toda em madeira rústica, de onde se ouvia música regional e parecia bem mais convidativa que andar no vento gelado. O nome do restaurante é Galpão Costaneira, um dos melhores e mais saborosos buffets que já provei, com comida à moda gaúcha direto do fogão a lenha e carnes grelhadas servidas na mesa. Por 16 pilas você ficará maluco com a comida mais saborosa que provei na região, regada um dos melhores sucos de uva do Rio Grande (por $2,50) e ótimas sobremesas, também inclusas. Vai parecer suficiente, mas não é: jamais saia de lá sem pedir por apenas $4 mangos adicionais um rechaud de churrasco gaúcho com queijo qualho. E não se engane: rechaud gaúcho não usa álcool, mas sim carvão! A carne não resseca, assa por igual e o sabor é muito melhor. Lá funciona todo dia, das 11h30 às 15h e das 19h30 às 22h, mas só aos sábados e domingos tem showzinho do gaiteiro “Tio Gripa” que é um espetáculo à parte. A decoração do lugar também é bem bacana: os clientes deixam nas mesas seus bilhetes e cartões de visita. Imperdível.

Para a noite, outro lugar bacana é o Rosabistrô. Na volta do Cânion Fortaleza, estávamos com roupas de trilha, cansados e ávidos por um lugar bacana para encostar o corpo e tomar um vinhozinho, mas sem muita pretensão. Ir direto para a pousada tomar banho e trocar de roupa seria decretar o fim da noite, já que os termômetros já oscilavam entre sete e oito graus antes de 20h, o que tornaria sair da cama quentinha para o vento gelado uma tarefa hercúlea. O barzinho superou as expectativas: quente, aconchegante, com um cardápio enxuto mas eficiente e inacreditavelmente barato: foram duas taças de tinto seco, uma tônica, uma porção de batatas souté com creme de queijo e dois caldinhos por apenas R$24!! O local também conta com sala de sinuca separada do salão principal, lareira e uma televisão 42″ que naquela noite tocava Skank e Vítor e Leo.  Rua João Francisco Ritter, 631, em frente ao ginásio de esportes (54-3951-1538).

O Cânion do Itaimbezinho fica a 18 km do centro de Cambará do Sul e o Fortaleza a 22 km, então você já sabe que ir à pé é mais complicado. O ideal é ir com seu carro. Conforme já relatado, a estrada é bastante ruim, mas com paciência e alguma experiência dá para ir com um 4×2. Se não quiser arriscar, pode usar o transporte oferecido pelas agências ou por alguma pousada ou ainda pegar um táxi.  Se estiver na região e quiser saber como andam as estradas antes de ir, fale com a Secretaria Municipal de Turismo (turismocambara@tca.com.br e (54) 3251.1557).  Leve a dica a sério especialmente se tiver chovido bastante dias antes de sua visita. Na seca, sua guerra particular será com as pedras soltas da estrada.

Algumas pousadas dirão para não ir ao Fortaleza sem guia. Saiba que qualquer turista pode percorrer ambos os parques sem o acompanhamento de qualquer guia, especialmente o Aparados da Serra (Itaimbezinho) que é muito bem estruturado. No Serra Geral também é possível, mas caso haja qualquer limitação com o transporte ou os companheiros de viagem, não há absolutamente nenhuma estrutura. Apenas uma porteria e um militar separam os 22km de estrada de chão dos 17mil hectares do parque. E não há nada além de natureza em nenhum dos lados. Mas sempre é interessante passear com um bom guia que conhece a região para aprender sobre a história e a geografia. Escolha, então, entre a liberdade e a cultura e pé na estrada.

Importante: só há três agências bancárias no local (Banrisul, Sicredi e Banco Postal) e nem todas as pousadas trabalham com cartão de crédito e débito, então vá previnido e com dinheiro no bolso.  Para as caminhadas nos cânions, especialmente se estiver muito frio, leve uma mochila de ataque para carregar suas roupas, comida extra, uma lanterna e primeiros socorros. Caso você não adentre a mata fechada, nem tente descer os paredões do cânion, será difícil se perder na Serra Geral, mas o seguro morreu de velho. Lembre-se que o tempo na montanha é relativo, o clima muda muito rápido e pode escurecer mais rápido do que você calculou. Não raro, o turista se empolga por ali e volta mais tarde do que deveria.

Por fim, dizem que as melhores épocas para quem curte um friozão de congelar os ossos são junho e julho, quando também pode nevar e os campos ficam brancos e secos, ideiais para fotos fantásticas. Pois bem, eu recomendo ir em maio: mais barato, cânions desertos só para você, restaurantes mais intimistas, pousadas silenciosas e se não tem neve, ao menos uma geadinha pela manhã você pega. Não tem como errar.

A seguir, post exclusivo do Parque Nacional da Serra Geral.

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Rumo ao Sul: Dia 4 (de Praia Grande a Cambará do Sul)

O sol nasceu por volta das seis da manhã e cerca de duas horas depois lá estávamos nós destruindo a mesa do café da manhã do Seu Sérgio, de malas prontas para sair. Como já dito em outros posts, aqui tínhamos que tomar uma decisão:

a. Voltar sentido litoral, cair na BR101, seguir até Terra de Areia (não deixe de experimentar um abacaxi por ali, especialidade dos caras), dobrar à direita na RS-453 ( Rota do Sol), seguir 55 km até o trevo que dá acesso a Cambará do Sul, dobrar à direita na RS-020 e vencer os últimos 34 km.  Ou…

b. Adentrar mais uma vez a Serra do Faxinal a partir de Praia Grande mesmo.  Até a entrada do Parque Nacional Aparados da Serra, que visitamos no dia anterior, são cerca de 20 km. Depois, até o centro de Cambará, mais 20km dos diabos naquele mar de pedregulhos, poças d´água e Murphy acenando o tempo todo à beira da estrada.

Como já havíamos conhecido o primeiro trecho da Serra do Faxinal no dia anterior e não haveria grandes novidades até Cambará, coletamos algumas informações com os locais e optamos por seguir a Rota do Sol. Todas as informações diziam que todo o trecho a ser vencido teria cerca de 132km de asfalto bem cuidado e paisagens deslumbrantes. Pela novidade, pelo bem do carro e também pela curta distância, seguimos por ali. De relevante acerca de segurança, vale atenção em todo o trecho da BR-101 a partir de Torres, pois ali começa outro trecho em obras daqueles. Porém, garanto: a Rota do Sol compensará todo o esforço com suas belíssimas curvas e paisagens de tirar o fôlego. De Torres a Cambará levamos  aproximadamente duas horas e meia de viagem. Nas serras do trecho final vale dar uma parada nos mirantes, respirar o ar úmido e puro da região, comer um abacaxizinho nas inúneras barracas que se multiplicam em alguns pequenos centros e curtir uma trip tranquila pelas bucólicas paisagens locais. Alguma atenção e olho no mapa nos entroncamentos e não haverá qualquer problema.

Importante: Cuidado com os radares na região da Tainhas. Caso você decida dar uma esticada Até São Francisco de Paula, Gramado ou Canela, redobre, triplique, quadruplique a atenção com os pardais. Um dos legados de Ieda Crucius para os gaúchos é essa infestação radares fixos e móvei,s ávidos por motoristas ansiosos. Caso você não esteja fugindo da polícia, vá na boa. rs

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