Reveillon Mineiro, Dia 06: Santuário e Parque Natural do Caraça

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A Serra do Caraça é uma das mais bonitas e imponentes de Minas Gerais e só o seu visual já é motivo suficiente para visitar o Santuário.

Que acha então de poder caminhar em trilhas, visitar cachoeiras, conhecer cavernas, ver ao vivo um animal fascinante como o lobo guará, conhecer um prédio histórico que já foi cenário de livro, dormir em quartos simples e isolados do mundo, sem acesso a celulares, internet ou televisão e de quebra comer uma boa comida caseira? Foi exatamente isso que fomos conferir, apesar de termos apenas um único dia disponível.

O bate-e-volta de Ouro Preto não só é possível, como altamente recomendável. São apenas 76km de distância, percorridos em cerca de duas horas e de cara só a vista que se tem da estrada já compensa a jornada. Primeiro, pelo visual estonteante dos contrafortes ao longe, à esquerda da rodovia. Segundo, pela desolação da paisagem logo que se deixa Mariana para trás: o cenário devastado das minas – Alegria, Timbopeba, A quente e Fazendão – da Vale é impressionante! Nesse trecho, especialmente, vale muita atenção com os caminhões pesados.

A Reserva Particular do Patrimônio Natural – Santuário do Caraça fica entre as cidades de sIMG_4904Catas Altas e Santa Bárbara, ao sul do paredão da Serra do Espinhaço, no chamado Quadrilátero Ferrífero e faz parte do circuito da Estrada RealO único acesso à RPPN é feito por Santa Bárbara, percorrendo-se os 09 Km da Rodovia do Caraça. No caminho há placas para os distritos de Brumal, Sumidouro e Santana do Morro, que numa viagem mais longa também merecem uma exploradinha. Já dentro do Santuário, da Portaria até a sede são mais 11 km de estrada asfaltada. Não tivemos qualquer problema no caminho e de quebra ainda pegamos uma manhã espetacular, de céu azul e sol intenso. 

Como o Santuário abre às 08:00, para aproveitar bem o dia o ideal é sair de Ouro Preto por volta de 6h, mas devido ao cansaço da viagem acabamos nos atrasando um pouco e chegamos ao Santuário apenas às das 10h45. De cara, nossa impressão foi a melhor possível: sIMG_4897fundado em 1774 como pouso de peregrinos cristãos, o local que já foi colégio de seminaristas e escola de ensino médio, tem uma atmosfera mágica, daquelas de ter parado no tempo. Pleno de cultura, há referências sobre sua curiosa história em todos os corredores do local onde hoje funciona a pousada, no museu, na bela Igreja, nas catacumbas onde estão enterradas figuras ilustres de sua história (foto ao lado) e até mesmo entre as árvores do morro em frente à sede, onde há uma representação da via crucis. Sua importância é indiscutível: Caraça recebeu a visita dos dois Imperadores, formou estadistas de renome e foi palco do famoso incêncio narrado no livro O Ateneu, de Raul Pompéia.

As trilhas também são um espetáculo à parte dada sua riqueza e variabilidade. Um misto de cerrado e mata atlântica embeleza o caminho de cachoeiras, cavernas e montanhas num sem número de caminhadas, da quais você pode ter uma boa amostra nos blogs aqui, aqui e aqui.  No bate-e-volta que fizemos pudemos conhecer a estrutura da sede, comer um almoço caseiro e bem saboroso e fazer a Trilha da Cascatinha, que apesar de ter apenas 2km, nos deu uma bela noção do que encontrar no Santuário na próxima visita. Só ali são quatro cachoeiras e quatro piscinas naturais. Um paraíso nos dias quentes. 

Aparentemente o local tem uma ótima estrutura, apesar dos horários reduzidos para as refeições. Os preços são bastante razoáveis e há lazer para todos os gostos, exceto aos que não pretendem se desgrudar da tecnologia (celular, internet e televisão não fazem parte do roteiro, felizmente!). No site oficial tem todas as informações de que você precisa, mas o planejamento deve ser feito com alguma antecedência se a data escolhida for um feriadão, pois o local é muito procurado e não comporta bastante gente, o que provavelmente contribuiu para o excelente estado de conservação do local e permite curiosidades como a “visita” do lobo guará.

Vale ressaltar também que visitamos o santuário no dia 31/12/2012, reveillon, mas apesar de o lugar estar na capacidade máxima tudo estava MUITO tranquilo. Pegamos alguma fila para entrar no refeitório, mas não tivemos problema para conseguir uma mesa ou nos servir. E mesmo na atração mais concorrida e de fácil acesso – a Cascatinha – não havia crowd. Repito: paraíso.

E foi isso. Exautos, fizemos a viagem de volta muito rapidamente (cerca de 1,5h) tomamos um bom banho e fomos curtir a noite de reveillon de Ouro Preto que… simplesmente não existia. Só ficamos sabendo ali, mas por problemas de orçamento a prefeitura não preparou qualquer festa, deixando a cidade sem shows ou queima de fogos oficial. Mesmo assim, a cidade se reuniu na Praça da Liberdade para conferir os fogos e estourar o champagne. Foi uma festa bem bastante tímida, mas como esse não era nem de longe nosso objetivo na viagem, nem ligamos. Antes da uma da manhã há estávamos na cama descansando para pegar a estrada para Belo Horizonte no dia seguinte.

Ainda sobre Ouro Preto, uma última dica que pode ser útil caso você passe por ali nessa época: nessa noite de reveillon comemos no Restaurante & Choperia da Direita, que fica próximo à Praça Tiradentes (Rua Direita, 75 – (31) 3551-6844 ramal 223) um dos poucos restaurantes abertos que não operavam com pacotes de ceia e pré-reserva. Os preços foram até razoáveis pelos pratos requintados do cardápio, mas na pressa os garçons não foram muito atenciosos e o resultado não foi tão legal (carnes fora do ponto, molhos não tão bem temperados). No entanto, o ambiente bacana, a ótima localização, a boa música ambiente (jazz) e o chopp bem tirado compensaram a visita.

Toca pra Belo Horizonte!

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Reveillon Mineiro, Dia 04: Ouro Preto

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Provavelmente esse seria o dia mais desafiador da viagem no quesito “tempo”. Como conhecer uma cidade tão grande, rica e variada com apenas um dia inteiro para apreciá-la? A ideia era fazer da forma mais calma possível, sem stress e correria, porém conhecendo o maior número de atrações.

Dado o traçado tortuoso com ruas apertadas e acidentadas, repletas de impiedosas ladeiras, a melhor e mais tranquila forma de conhecer a cidade, sobretudo o centro histórico, é mesmo a pé. Contratamos um guia na Praça Tiradentes – cobra-se cerca de 60 reais mais o almoço do guia por um dia inteiro de passeio – e partirmos para uma caminhada em meio a uma verdadeira overdose de informações, paisagens, contos e causos sobre a Inconfidência, a época da mineração e o estilo de vida mineiro.

Para nós, a visita já começou por ali mesmo, no Museu da Inconfidência. Muito bacana, com toda informação e relíquias das Minas coloniais que se pode imaginar. O belo edifício renascentista demorou quase 70 anos para ser construído e hoje é o principal ponto turístico da cidade. Já foi Câmara Municipal e Penitenciária Estadual, mas de 1938 pra cá passou por diversos trabalhos de restauração e preparo, tornando-o um moderno e organizado museu, muito gostoso de visitar.

IMG_4846sO trajeto que fizemos acho que pouco importa, já que o montamos de acordo com algumas necessidades particulares que tínhamos: um estava com fome, outro precisava de uma farmácia, outro queria comprar artesanato e por aí vai. Acho que o jeito mais legal de conhecer OP é se jogar nas ladeiras sem pressa, sem obrigações, só para sentir de verdade o lugar. Aquelas ruas apertadas de calçamento rústico e calçadas empoeiradas, repleta de uma arquitetura tão peculiar, me causaram uma sensação parecida com aquela do Gil de Meia Noite em Paris. Fiztgerald, Dali, Hemingway e Picasso aqui são Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga, Tiradentes. Rola uma sensação de exumação, uma mistura de reminiscências da época de escola com deslumbramento por me impressionar com aquilo tudo como também o fizeram Guignard, Drumond, Vinícius. Ouro Preto é tudo que eu imaginava, mas que não dá para descrever. Passear de dia pela Rua São José é mergulhar na história. Caminhar à noite é entender porque Olavo Bilac escolheu aquele lugar para refugiar-se no passado. Ali todo parnasiano vira barroco, inevitavelmente.  

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Feliz 2013

Gostaria de agradecer a todos que continuam vindo aqui prestigiar o blog e às mensagens de carinho que recebi em 2012. O objetivo sempre foi compartilhar informações de qualidade sobre viagens que faço por aí e ajudar aos incautos a mochilarem mais e melhor mundo afora. Acho que tenho conseguido, ainda que poste com muito menos frequência do que gostaria.

Nesse fim de ano fui a Minas Gerais, um pouco mais acima do que costumava ir. BH, Brumadinho, Ouro Preto, Caraça e arredores me surpreenderam muito. Em breve posto tudo.
Grande Abraço!
Raulzito

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Feriado em São Miguel Arcanjo : Show de Mata Atlântica no Parque Estadual Carlos Botelho

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Seguindo na busca por lugares eco-interessantes no sudeste brasileiro ainda não descobertos pelas grandes multidões, compartilho com vocês mais um achado, dessa vez em terras paulistas:  São Miguel Arcanjo!

E bota “eco” nisso! Dos cerca de 1.200 muriquis existentes no Brasil hoje, mais de  800 estão no Parque Estadual Carlos Botelho, um dos mais ricos em vida selvagem do Estado de São Paulo, bem ali no coração de São Miguel. Juntam-se a eles mais de 200 espécies de aves em 37 mil hectares de matas primárias e secundárias em franca regeneração. Paraíso.

Criado em 1981 a partir da unificação de quatro unidades de conservação (Carlos Botelho, Capão Bonito, Travessão e Sete Barras) o parque é a atração mais bacana de São Miguel e hoje é reconhecido oficialmente pela UNESCO como Sítio do Patrimônio Mundial Natural.

E Como todo bom parque estadual, o Carlos Botelho tem uma área bastante extensa, destinada à proteção de seu ecossistema, cuja finalidade é resguardar seus atributos naturais, conciliando a proteção integral da flora, da fauna e das belezas naturais com a utilização para objetivos científicos, educacionais e recreativos. E não é só: o Parque da Onça Parda e a Parque do Zizo são duas RPPNs vizinhas que valem a visita.

São Miguel sempre teve por principal atividade o setor agrícola, especialmente o cultivo de uvas e laranjas, tendo sido referência também na produção de algodão e carvão num passado não tão distante. Parte significativa do Carlos Botelho abrange, inclusive, uma extensa área que abrigava uma carvoaria, podendo ser avistados antigos fornos do início do século passado em algumas  de suas trilhas. Apesar de hoje ostentar o título de “capital da uva itália”, a vocação da cidade vem mudando rapidamente em direção ao ecoturismo. E é isso que fomos conferir!

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Visitamos a região no feriado no último feriado da independência (2012) e curtimos demais tudo que conhecemos, a começar pelo povo, muito hospitaleiro e educado. O proprietário da pousada onde ficarmos, Seu Claudinei, muito simpático e atencioso, fez questão de verificar os restaurantes abertos para facilitar nossas refeições e deu todas as dicas para circular na região sem perder muito tempo.

Sua pousada, Villa da Mata, certamente é a melhor escolha da cidade. Possui 12 quartos simples, mas bastante confortáveis, todos equipados com televisores 20″, ventiladores de teto, roupas de cama e móveis novos. Destaque para o chuveiro a gás, excelente, além de um série de medidas ecológicas de economia de água e energia elétrica sem abrir mão do conforto para o hóspede. As diárias custam em média R$100,00 o casal, incluindo um café da manhã honesto e internet wi-fi de boa qualidade. Há ainda um bar que funciona todos os dias no período noturno e uma agradável sala de estar com lareira. Recomendo!

Chegar lá é fácil. Para quem vem de Sampa, basta pegar a Rodovia Castelo Branco até o Km 77 e sair em Sorocaba na direção da SP-75 (vulgo “Castelinho”). Dali, basta seguir placas de Votorantim/Salto de Pirapora/São Miguel Arcanjo, o que te levará a Rodovia Raposo Tavares (SP-270), que você seguirá até a  saída 102-B (placa de Salto de Pirapora). Dali roda-se pelos 70km mais charmosos e tranquilos da viagem até o trevo da cidade. São pouco mais de 2h (+-200km) no total, o que permite visitas tranquilas de fim de semana e até um bate-e-volta, dependendo da disposição.

A cidade carece, entretanto, de opções gastronômicas. Na sexta-feira, feriado, cansados da estrada e bastante esfomeados depois da visita ao parque, não encontramos nem um único restaurante aberto. O jeito foi saciar a fome na padaria Ja-pão (trocadilho espirituoso, já que o local tem decoração de inspiração nipônica) com um bom X-Egg e alguns refrigerantes. No dia seguinte, entretanto, fomos agraciados com a deliciosa comida caseira do restaurante Vem-Ká, localizado no centro da cidade. Lá a comida é vendida a quilo, bem baratinha e com “aquele” tempero caseiro. Vale a pena!

E vamos ao principal: o parque!

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10 Viagens de carro essenciais pelos EUA (com paradas para esportistas, socialistas e punks)

Esse é o título de um dos textos mais recentes de Duff McKagan, ex-baixista do Guns n´ Roses (e inspirador da famosa marca de cerveja dos Simpsons, o que for mais relevante), para sua coluna semanal no Seatle Weekly. Compartilho abaixo com vocês essa coluna bem bacana que o cara montou, aproveitando a chegada do verão no hemisfério norte. Belas dicas para quem gosta de viajar pela terra do Tio Sam…

Duff McKagan´s Road Trips

Ah, yes. The weather is getting good out there, just in time for one of America’s favorite pastimes: the good ol’ road trip.

Right, the gasoline is inexplicably more expensive in the West right now than just about anywhere else in the country. But that shouldn’t stop you. Instead, make the best of it! Go out in a group. Nothing better than making plans with others whom you like to travel with.

In the Northwest, we have a ton of water, and no road-trip list would be good without a few excellent boat trips thrown in. With that in mind, here’s my pick of 10 locales to point your compass this summer:

1. North on I-97 from Cle Elum to Cashmere: First of all, driving north or south means no sun in the eyes. Going north on the 97 transmits you from a Western Washington chill to the warmth of the high desert. Try the Liberty Café for the locals and the caffeine.

2. Highway 2 West from Dry Falls to Waterville: One of the best straightaways in the state. Haul ass for about 40 whole miles! Make sure you get your cop-radar-detector thing working, though.

3. The drive from my house to Slim’s Last Chance on First Ave. in Georgetown: Anytime is a good time for chili and beer (well, I don’t drink personally . . . but you get the idea).

4. The Vashon Island Loop: If you are in the city and want to get out of town real fast on your motorcycle, just get on the Fauntleroy Ferry from West Seattle and ride straight off into the country. Epic for such a short distance away.

5. The Ballard Locks to Deception Pass via the west side of Whidbey Island: I once saw a stat that Seattle has the most boats per capita of any city in America. Get yourself a small craft and a VHF radio, and grow a pair. This route is dangerous when the weather picks up . . . and make sure you have a full tank of gas. Especially when you get to the eddies of Deception Pass. You wouldn’t want to get sucked down one of those.

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Nunca a Antártida esteve tão perto

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Que o Ártico é um oceano cercado por continentes, enquanto a Antártida é um continente cercado por oceanos, você já sabia. Que ambos os polos compartilham o clima mais frio da terra, onde somente alguns vegetais primitivos como musgos e líquens podem sobreviver, também.
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O que provavelmente você não sabia é que enquanto no Ártico há uma série de etnias nativas isoladas tocando suas vidas há milhares de anos, na Antártica não há nada nem ninguém vivendo definitivamente desde sempre, justificando seu título de lugar mais inóspito do planeta.
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O primeiro louco que passou por ali foi James Cook, que em 1773 navegou pelo círculo polar antárctico (linha imaginária ao norte do continente) mas pouco ficou. Em 1911, Roald Amundsen finalmente chegou ao Pólo Sul, seguido por Robert Falcon Scott um mês depois. Aliás, a trágica aventura desde último, que morreu em missão, foi contada no belo e emocionante livro Rumo ao Pólo Sul (um dos melhores que eu já li!).
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Brasileiros também já passaram por lá. Este ano mesmo, tivemos a triste notícia de que nossa base – a Estação Comandante Ferraz – sofreu um grave incêndio que vitimou dois oficiais e dizimou boa parte dos equipamentos e pesquisas do Brasil no continente gelado. A base será reconstruída e o governo condecorou os militares mortos incidente. Há ainda um ótimo documentário das viagens do Mar sem Fim do Amyr Klink por lá. Assista no netflix.
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Nada disso é novidade. A grande sacada da vez é mesmo do Google: o Street View está na Antártida! Ok, isso não é exatamente novo, já que algumas imagens já estão disponíveis para o serviço desde 2010, mas dessa vez vários  lugares históricos foram mapeados, fotografados e filmados pelo projeto Google World Wonder Project. Agora dá pra ver, por dentro e por fora, os detalhes da cabana do Capitão Robert Falcon Scott, por exemplo.
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Confira abaixo a apresentação do serviço e o video promocional. Boa viagem!
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Back in September 2010, we launched the first Street View imagery of the Antarctic, enabling users from more habitable lands to see penguins in Antarctica for the first time. Now we’re bringing you additional panoramic imagery of historic Antarctic locations that you can view from the comfort of your homes. We have added this special collection to our World Wonders site, where you can learn more about the history of South Pole exploration.
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