{"id":1759,"date":"2015-08-18T13:24:52","date_gmt":"2015-08-18T16:24:52","guid":{"rendered":"https:\/\/omochileiro.wordpress.com\/?p=1407"},"modified":"2017-03-28T13:16:22","modified_gmt":"2017-03-28T16:16:22","slug":"ushuaia-mochilao-neve-e-natureza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/2015\/08\/18\/ushuaia-mochilao-neve-e-natureza\/","title":{"rendered":"Mochilando na Patag\u00f4nia &#8211; Ushuaia"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00a0Atualizado em 28\/03\/2017<\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #333333;\">Conhecid\u00edssimo como um dos melhores destinos de neve e esqui da Am\u00e9rica do Sul, <a href=\"http:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/2015\/08\/18\/dicas-para-o-mochileiro-em-ushuaia\/\" target=\"_blank\">Ushuaia<\/a> \u00e9 muito mais que isso. Ainda pacata\u00a0nos dias de hoje, a cidade do fim do mundo\u00a0oferece aos seus\u00a050 mil habitantes e turistas do mundo inteiro uma mir\u00edade de passeios, bons restaurantes, locais para compras, cassinos e diversas atividades de aventura como expedi\u00e7\u00f5es em 4&#215;4, viagens de tren\u00f3, hiking e trekking. <\/span><span style=\"color: #808080;\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os viajantes comuns costumam contar suas perip\u00e9cias\u00a0focando\u00a0no ponto de partida e no ponto de chegada, ignorando \u00a0os contratempos. <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paul_Theroux\" target=\"_blank\">Paul Theroux<\/a>, romancista norte-americano\u00a0de aventura do qual sou f\u00e3, escreveu um cl\u00e1ssico sobre uma viagem que realizou nos anos 70 at\u00e9 a Patag\u00f3nia, no extremo sul do continente americano, cujo texto \u00e9 famoso por\u00a0destacar n\u00e3o o\u00a0destino em si, mas percurso e percal\u00e7os no avan\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em &#8220;O Velho Expresso da Patag\u00f4nia&#8221; , Theroux assevera\u00a0que a Argentina \u00e9 um pa\u00eds dividido entre as altas terras do norte, cheias de folclore, montanhas e colonos; e os pampas \u00famidos do sul, com suas fazendas de gado e grandes vazios, a com a maior parte do territ\u00f3rio ainda virgem (&#8220;pampas&#8221; deriva de uma palavra aimar\u00e1 que significa &#8220;espa\u00e7o&#8221;). \u00c9 uma vis\u00e3o bem desenvolvimentista, \u00a0mas t\u00eam seu fundo de verdade:\u00a0a fronteira Sul da Am\u00e9rica \u00e9 selvagem, extrema, bela e solit\u00e1ria. Rumo ao fim do mundo, as plan\u00edcies \u00e1ridas d\u00e3o lugar \u00e0s florestas de\u00a0lengas, quase sempre cobertas de neve e mist\u00e9rio. Em Ushuaia, os Andes morrem no mar, mergulhando aos olhos dos turistas em \u00e1guas geladas e perigosas. \u00c9 nesse passo que relato minha viagem \u00e0 regi\u00e3o. Espero que gostem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1438\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ilha-3.jpg?w=660\" alt=\"Ilha 3\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.google.com.br\/maps\/place\/Ushuaia,+Tierra+del+Fuego+Province,+Argentina\/data=!4m2!3m1!1s0xbc4c22b5bad109bf:0x5498473dba43ebfc?sa=X&amp;ved=0CI8BEPIBMA5qFQoTCLf6ucTcsMcCFYYdkAodRmELrA\" target=\"_blank\">Separada do continente pelo estreito de Magalh\u00e3es<\/a>, a Terra do Fogo \u00e9\u00a0um arquip\u00e9lago com baix\u00edssima densidade demogr\u00e1fica, comumente varrido por ventos fortes e pancadas de chuva. \u00a0Frio e umidade s\u00e3o constantes (a m\u00e1xima no ver\u00e3o raramente ultrapassa os 10 graus) dado\u00a0que as montanhas que circundam Ushuaia formam uma barreira natural contra os ventos ant\u00e1rcticos. Estive por l\u00e1 em setembro de 2014, quando o inverno tinha ficado para tr\u00e1s e a temperatura mais alta que registrei foi de 8 graus.\u00a0A maioria dos turistas aparecem no ver\u00e3o, quando os dias s\u00e3o mais longos e as temperaturas mais amenas, \u00e9poca perfeita para quem vai a <a href=\"http:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/2015\/08\/18\/dicas-para-o-mochileiro-em-ushuaia\/\" target=\"_blank\">Ushuaia<\/a> para caminhar, passear e divertir-se. Mas se a sua praia \u00e9 o esqui, julho no alto inverno \u00e9 sua melhor escolha (e\u00a0este post n\u00e3o \u00e9 para voc\u00ea).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira viagem documentada ao extremo sul do continente americano foi realizada por Fern\u00e3o de Magalh\u00e3es em 1520, que apelidou a regi\u00e3o de Terra do Fogo devido \u00e0s fogueiras acesas pelos \u00edndios nas margens do outro lado do estreito. Altos, corpulentos (da\u00ed o termo Patag\u00e3o, &#8220;pata grande&#8221;, por conta de seus p\u00e9s avantajados) e com o h\u00e1bito de andarem semi-n\u00fas, cobertos de gordura de foca, os primeiros habitantes\u00a0\u00a0da regi\u00e3o foram dizimados por doen\u00e7as de brancos como sarampo e var\u00edola, potencializadas pelo clima in\u00f3spito. Saiba mais sobre eles <a href=\"http:\/\/revistaplaneta.terra.com.br\/secao\/cultura\/os-indios-do-fim-do-mundo\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0e numa agrad\u00e1vel visita ao museu dentro do Parque Nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ushuaia1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1521\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ushuaia1.jpg\" alt=\"Ushuaia\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O isolamento da regi\u00e3o permanece, sendo imposs\u00edvel alcan\u00e7ar Ushuaia dirigindo pela Argentina (voc\u00ea precisa entrar e sair do Chile para chegar l\u00e1 e viajar de <em>ferry boat<\/em>&#8211; veja dicas\u00a0<a href=\"http:\/\/outdoor.blog.br\/2013\/04\/10-dicas-para-quem-viaja-a-patagonia-de-carro.html\" target=\"_blank\">aqui<\/a>\u00a0).\u00a0De avi\u00e3o, LAN e\u00a0Aerolineas Argentinas tem voos para Ushuaia, via Buenos Aires, saindo das maiores cidades brasileiras. A Aerolineas comumente \u00e9 a op\u00e7\u00e3o mais barata, principalmente se voc\u00ea deixar para comprar o trecho\u00a0interno quando chegar a Buenos Aires. E de \u00f4nibus, bem, custa o mesmo que via avi\u00e3o e s\u00e3o pouco mais de 3.000km&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ushuaia-orla-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1463\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ushuaia-orla-2.jpg?w=660\" alt=\"Ushuaia - Orla 2\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem servida em mat\u00e9ria de transportes, Ushuaia (&#8220;ba\u00eda que penetra ao poente&#8221; em <em>y\u00e1mana<\/em>) tem t\u00e1xis, remises (t\u00e1xis particulares s\u00e3o legalizados na Argentina) e \u00f4nibus coletivos para qualquer parte. A cidade tamb\u00e9m \u00e9 plena de albergues (fiquei no barato e bem localizado <a href=\"http:\/\/www.antarcticahostel.com\/\" target=\"_blank\">Antarctica<\/a>), pousadas e hot\u00e9is para todos os gostos e bolsos. Lojas, farm\u00e1cias, postos de gasolina, bancos e mercados tamb\u00e9m est\u00e3o presentes, nos hor\u00e1rios mais diversos.\u00a0A estrutura \u00e9 muito boa e em quase todo ambiente a calefa\u00e7\u00e3o est\u00e1 ligada, tornando a vida interna bastante agrad\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reuni mais dicas gerais para uma boa mochilada por l\u00e1 nesse <a href=\"http:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/2015\/08\/18\/dicas-para-o-mochileiro-em-ushuaia\/\" target=\"_blank\">post<\/a>. E a seguir, meu relato dia a dia de uma viagem muito\u00a0rica, variada e aventureira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DIA 01<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/aerolineas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1524\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/aerolineas.jpg\" alt=\"aerolineas\" width=\"576\" height=\"432\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de remarcar meu voo QUATRO vezes na mesma semana, a Aerolineas &#8220;aprontou&#8221; logo no meu desembarque em Buenos Aires: meu voo para Ushuaia havia sido cancelado devido ao &#8220;mau tempo&#8221;. Numa r\u00e1pida conversa com locais, soube que esta era a desculpa padr\u00e3o para <em>overbooking<\/em> e conferi que apenas os voos para\u00a0o fim do mundo haviam sido cancelados, sendo que voos para cidades da regi\u00e3o com o Trelew e <a href=\"http:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/2016\/01\/15\/el-calafate-glaciar-perito-moreno-e-el-chalten-de-mochila\/\" target=\"_blank\">El Calafate<\/a> (meu destino seguinte) estavam normais. Depois de muita correria e discuss\u00e3o, consegui uma remarca\u00e7\u00e3o do voo para\u00a0\u00e0s 5h da manh\u00e3, o que me obrigou a passar a noite no aeroporto. Passei um stress tremendo, pois j\u00e1 tinha despachado a bagagem e foi anunciado que ela voltaria \u00e0 esteira. Reparei que as pessoas come\u00e7aram a se revesar &#8211; enquanto uma pegava as malas, a outra ia ao balc\u00e3o da Aerolineas remarcar o voo. \u00a0Corri feito um louco para o balc\u00e3o e de volta para a esteira, mas felizmente deu tudo certo: consegui reaver a mochila e um encaixe num voo para \u00e0s 7:40.\u00a0Uma hora antes do voo, novo cancelamento e mais uma discuss\u00e3o, que me levou a embarcar apenas \u00e0s 11:00 horas da manh\u00e3, destruindo meus planos\u00a0matutinos para o fim do mundo. Faz parte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de uma hora de viagem, desembarquei no simp\u00e1tico aeroporto &#8220;ussuaio&#8221; (\u00e9 como se pronuncia).\u00a0De l\u00e1 ao Hostel Antarctica foram 7km de t\u00e1xi, que me custaram trinta pesos (dividi com um carioca) de um total de sessenta. Algo em torno de 7 d\u00f3lares, na \u00e9poca (setembro\/2014). No caminho, j\u00e1 deu pra sacar a arquitetura pitoresca do lugar: antigas constru\u00e7\u00f5es em\u00a0madeira e chapa met\u00e1lica com tetos empinados (para evitar o ac\u00famulo de neve) est\u00e3o pintadas em\u00a0cores vivas de tintas de sobras\u00a0de tinta n\u00e1utica v\u00e3o pouco a pouco dando lugar \u00e0s constru\u00e7\u00f5es mais caprichadas da Avenida San Mart\u00edn, a principal do povoado, paralela \u00e0 costa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ushuaia-cidade1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1520\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ushuaia-cidade1.jpg\" alt=\"Ushuaia Cidade\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devidamente instalado num quarto com mais quatro argentinos esquiadores que estavam fora, fiz amizade com tr\u00eas cariocas que estavam tomando uma cerveja no agrad\u00e1vel bar do <em>hostel<\/em> e me juntei a eles para fazer um\u00a0reconhecimento da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fomos direto ver o famoso\u00a0Canal de Beagle, que tem esse nome em homenagem ao lend\u00e1rio navio de Darwin, de onde pudemos observar o finalzinho da Cordilheira dos Andes e o Porto de Ushuaia. Ali tiramos fotos na famosa placa do &#8220;fim do mundo&#8221; e partimos para a Plaza Malvinas, uma bela\u00a0homenagem\u00a0aos mortos pela <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Guerra_das_Malvinas\" target=\"_blank\">guerra contra a Inglaterra<\/a> de 1982.\u00a0No local h\u00e1\u00a0um bonito e bem conservado monumento, que reclama soberania territorial sobre a Ilha das Malvinas, &#8220;ocupada ilegalmente&#8221; pela Inglaterra, que a rebatizou de &#8220;Falklands&#8221;. Dica: Antes de embarcar, li um pouco\u00a0sobre o conflito <a href=\"http:\/\/www.historianet.com.br\/conteudo\/default.aspx?codigo=917\" target=\"_blank\">aqui<\/a>, o que me ajudou bastante nas conversas com alguns fueguinos.\u00a0O assunto \u00e9 delicado: os efeitos da Guerra, que matou mais de 600 soldados argentinos e mais de 250 ingleses, s\u00e3o sentidos at\u00e9 hoje e h\u00e1 muitos locais que perderam entes queridos na batalha. Ainda h\u00e1 bastante ressentimento quanto aos ingleses e certa animosidade com os chilenos, que apoiaram a Inglaterra na ocasi\u00e3o.\u00a0Cuidado ao mencionar o fato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ushuaia-prac3a7a1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1516\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ushuaia-prac3a7a1.jpg\" alt=\"Ushuaia - Pra\u00e7a\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhamos um pouco mais pelo porto e verificamos que ali h\u00e1 v\u00e1rias ag\u00eancias que fazem passeios pelo Canal Beagle (que inclui\u00a0a Ilha dos Lobos Marinhos e o Farol Les Eclaireus), Isla Madaglena, tours para avistamento de pinguins\/baleias e at\u00e9 cruzeiros para a Ant\u00e1rctica. Infelizmente, os passeios para avistamento de pinguins s\u00f3 s\u00e3o realizados entre outubro e abril e n\u00e3o pudemos faz\u00ea-lo (informe-se com a \u00fanica ag\u00eancia que o opera, a <a href=\"http:\/\/www.piratour.net\/\" target=\"_blank\">Piratour<\/a>) mas compramos o passeio para \u00e0s 10h da manh\u00e3 do dia seguinte pelo Canal Beagle (515 pesos )e logo partimos para conhecer os museus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ushuaia-orla1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1515\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ushuaia-orla1.jpg\" alt=\"Ushuaia - Orla\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quatro principais\u00a0museus na cidade: <a href=\"http:\/\/www.tierradelfuego.org.ar\/mundoyamana\/museo.htm\">Museu Yamana<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.museomaritimo.com\/\" target=\"_blank\">Museu Mar\u00edtimo e do Pres\u00eddio<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Museu_do_Fim_do_Mundo\" target=\"_blank\">Museu do Fim do Mundo<\/a> e a\u00a0<a href=\"http:\/\/www.historiafueguina.com\/es\/\" target=\"_blank\">Galeria Tem\u00e1tica Pequena Hist\u00f3ria Fueguina<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pudemos visitar o Museu do Fim do Mundo, dada a escassez de tempo, mas valeu muito a pena conhecer os demais. O Yamana \u00e9 baseado em pain\u00e9is bem moderninho e conta a hist\u00f3ria antiga desse povo, suas origens, h\u00e1bitos alimentares e culturais, com \u00eanfase nas dificuldades de\u00a0sobreviv\u00eancia num local t\u00e3o in\u00f3spito. Dali partimos para a Galeria, que \u00e9 toda moderninha e cheia de efeitos especiais que narram a hist\u00f3ria da regi\u00e3o, com \u00eanfase em seus aspectos culturais. Ficamos pouco tempo por ali e partimos para a cereja do bolo: o pres\u00eddio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pr\u00e9dio do antigo pres\u00eddio de Ushuaia (todos os dias, 9-20h; um ingresso vale para dois dias) foi uma das atra\u00e7\u00f5es que mais gostei. Demos sorte de chegar em cina da hora para a visita\u00e7\u00e3o guiada das\u00a016h30 (US$ 15) que durou pouco menos de uma hora e foi muito interessante. Ali descobri que\u00a0Ushuaia cresceu a partir da instala\u00e7\u00e3o do pres\u00eddio,\u00a0constru\u00eddo em\u00a01896 naquela regi\u00e3o justamente por ser um local isolado e com chances remot\u00edssimas de fuga. Constru\u00eddo em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pan-%C3%B3ptico\" target=\"_blank\">pan\u00f3ptico<\/a>, \u00e9 um pr\u00e9dio em formato circular com um sal\u00e3o central e uma torre de observa\u00e7\u00e3o, de onde os guardas podem observar todos os passos dos presos\u00a0dos\u00a05 pavilh\u00f5es.\u00a0O tour guiado passa pelo quarto pavilh\u00e3o, restaurado e modernizado, onde \u00e9 poss\u00edvel adentra as celas e interagir com bonecos que simulam o dia a dia da \u00e9poca em que o\u00a0pres\u00eddio funcionava. O guia conta hist\u00f3rias de presos famosos &#8211; algumas assustadoras, apresenta n\u00fameros, enumera todas as fracassadas tentativas de fuga, d\u00e1 detalhes da vida dif\u00edcil que os presos tinham ali: n\u00e3o havia aquecimento individual nas celas, apenas uma caldeira que ficava no centro do corredor. \u00c9 desesperador imaginar como seria viver num lugar como aquele. Juan Per\u00f3n concordava e fechou o pres\u00eddio cinquenta anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/www.museomaritimo.com\/\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1527\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/presidio.gif\" alt=\"presidio\" width=\"359\" height=\"362\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O preso mais ilustre certamente foi o <em>serial killer <\/em>adolescente\u00a0Cayetano Santos Godino, que morreu esfaqueado no pr\u00f3prio pres\u00eddio, assassinado por outros presos ap\u00f3s matar um gato de estima\u00e7\u00e3o\u00a0de um deles. A hist\u00f3ria de Cayetano foi contada num famoso filme argentino chamado <a href=\"http:\/\/www.imdb.com\/title\/tt0818123\/\" target=\"_blank\">El Ni\u00f1o de Barro<\/a>. Sua cela foi mantida intacta e h\u00e1 fotos dele no local, D\u00e1 calafrios.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/dsc08222.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1528\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/dsc08222.jpg\" alt=\"DSC08222\" width=\"565\" height=\"268\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda no pres\u00eddio, conta-se a hist\u00f3ria do famoso Trem do Fim do Mundo, constru\u00eddo pelo presos\u00a0em 1910, cujo trajeto de\u00a025 Km servia para o transporte da madeira cortada\u00a0da \u00e1rea em que hoje \u00e9 o Parque Nacional. H\u00e1 ainda uma cafeteria no centro do pres\u00eddio, de onde se pode ver\u00a0todas as entradas pavilh\u00f5es. Um deles, o mais interessante, foi congelado no tempo e tem um aspecto um tanto macabro. Os demais servem de salas de exposi\u00e7\u00f5es e lojinhas de artesanato e souvenirs. E por fim, nos fundos do pres\u00eddio h\u00e1 um &#8220;quintal&#8221; onde est\u00e1 instalada uma r\u00e9plica \u00a0do\u00a0Farol do Fim do mundo, que fica na Isla de los Estados, abrigando itens encontrados no local original e\u00a0diversos pain\u00e9is que didaticamente explicam a origem do farol e narra um pouco da vida da \u00e9poca em que foi constru\u00eddo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ingresso vale ainda para o Museu Mar\u00edtimo &#8211; um anexo, no piso superior &#8211; que conta a hist\u00f3ria da explora\u00e7\u00e3o da Ant\u00e1rctica e seu personagens (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ernest_Henry_Shackleton\" target=\"_blank\">Shackleton<\/a>, <a href=\"http:\/\/Robert_Falcon_Scott\" target=\"_blank\">Scott<\/a> etc.) , fala sobre a constru\u00e7\u00e3o de Ushuaia e compara o projeto do pres\u00eddio-museu com outros projetos internacionais semelhantes . Exploramos ambos os museus em pouco mais de duas horas e sa\u00edmos de l\u00e1 j\u00e1 estava escuro e muito frio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cansado da viagem e do dia cheio, me arrastei pelas ruas do centro pesquisando alguns pre\u00e7os nas ag\u00eancias para os passeios Nieve y Fuego e Travessia 4&#215;4 \u00a0que pretendia fazer no final da viagem. Acabei optando pela <a href=\"http:\/\/www.rayenaventura.com\" target=\"_blank\">Rayenaventura<\/a>\u00a0e recomendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passeios fechados, fui direto para o hostel tomar um banho quente e relaxar. Recusei o convite para conhecer o <a href=\"http:\/\/www.tripadvisor.com.br\/Restaurant_Review-g312855-d3383531-Reviews-Dublin_Pub-Ushuaia_Province_of_Tierra_del_Fuego_Patagonia.html\" target=\"_blank\">Dublin Pub<\/a>\u00a0e ca\u00ed no sono antes das 23h, depois de aproveitar um pouco o\u00a0bar do pr\u00f3prio hostel. Infelizmente fui acordado \u00e0s duas da manh\u00e3 pelos argentinos, que demoraram a arrumar suas coisas e dormir. Quarto coletivo \u00e9 isso a\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DIA 2<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acordei\u00a0antes das oito da manh\u00e3 e quando sa\u00ed, o sal\u00e3o do caf\u00e9 da manh\u00e3 j\u00e1 estava tomado de mochileiros e esquiadores. Meus colegas de quarto j\u00e1 haviam sa\u00eddo tamb\u00e9m e aproveitei para arrumar minhas coisas e dar uma olhada nas\u00a0anota\u00e7\u00f5es de atra\u00e7\u00f5es locais que havia feito antes de viajar. Tomei caf\u00e9 com calma, encontrei os colegas cariocas e\u00a0partimos para o passeio pelo Canal de Beagle.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/beagle1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1473\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/beagle1.jpg\" alt=\"Beagle\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gostei bastante da viagem! O barco era bem estruturado, com calefa\u00e7\u00e3o e servi\u00e7o de lanchonete. Todo envidra\u00e7ado, permitia aos que n\u00e3o curtem muito o frio apreciarem a paisagem. Fiquei quase o tempo todo do lado de fora, fotografando sem parar os bandos de p\u00e1ssaros, o\u00a0Farol\u00a0Les Eclaires, os incont\u00e1veis\u00a0lobos marinhos nas pequenas ilhotas do caminho e a bela\u00a0Isla de los P\u00e1jaros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ilha.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1439\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/ilha.jpg?w=660\" alt=\"Ilha\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao final, uma curta caminhada numa das Ilhas Bridges tamb\u00e9m foi bastante divertida, de onde trouxe boas fotos e a recorda\u00e7\u00e3o\u00a0da paisagem bem diferente daquele local,\u00a0rodeado por pequenas ilhas, emolduradas por montanhas nevadas, separadas por uma \u00e1gua gelada e incrivelmente azul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lobos-marinhos-21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1500\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lobos-marinhos-21.jpg\" alt=\"Lobos Marinhos 2\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lobos-marinhos-11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1499\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lobos-marinhos-11.jpg\" alt=\"Lobos Marinhos 1\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lobos-e-carancas1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1498\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lobos-e-carancas1.jpg\" alt=\"Lobos e Carancas\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a> <a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lec3a3o-marinho-e-caranca1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1497\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lec3a3o-marinho-e-caranca1.jpg\" alt=\"Le\u00e3o Marinho e Caranca\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Retornamos a tempo para o almo\u00e7o e nos despedimos na Av. San Martin, a principal da cidade. Meus companheiros partiram para o Cerro Castor onde teriam aulas de esqui e eu me dediquei a procurar um bom restaurante para provar a famosa gastronomia fueguina.<br \/>\nDepois de pesquisar um pouco os card\u00e1pios das ruas principais, optei por experimentar o famoso\u00a0<em>cordeiro fueguino, <\/em>feito aberto, no fogo de ch\u00e3o, no <a href=\"http:\/\/www.tripadvisor.com.br\/Restaurant_Review-g312855-d2660864-Reviews-Villa_Las_Cotorras-Ushuaia_Province_of_Tierra_del_Fuego_Patagonia.html\" target=\"_blank\">Villa Las Totoras<\/a>. O prato t\u00edpico foi muito bem servido e combinou bastante com a cerveja artesanal Beagle Roja que o gar\u00e7on sugeriu. N\u00e3o achei espetacular, mas valeu pela curiosidade.\u00a0Oitenta pesos bem pagos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproveitei o resto do dia para visitar as lojas, trocar dinheiro (a loja de ursinhos de pel\u00facia na rua principal \u00e9 a\u00a0que faz o melhor c\u00e2mbio da cidade) e fechar os passeios\u00a0dos dias seguintes nas ag\u00eancias. Tentei a &#8220;Brasileiros em Ushuaia&#8221;, mas era levemente mais cara que as demais, cobrando o mesmo pre\u00e7o que o <em>hostel\u00a0<\/em>me mostrou. Acabei fechando\u00a0um pacot\u00e3o com 10% de desconto com a <a href=\"http:\/\/www.tierraturismo.com\/\" target=\"_blank\">Tierra Turismo<\/a>, cujos servi\u00e7os foram excelentes. Recomendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 noite, encontrei\u00a0os camaradas do Rio e rangamos no animado <a href=\"http:\/\/www.tripadvisor.es\/Restaurant_Review-g312855-d1084088-Reviews-Marcopolo_Cafe_Restaurant-Ushuaia_Province_of_Tierra_del_Fuego_Patagonia.html\" target=\"_blank\">Marcopolo<\/a>. Por oitenta e cinco pesos, comemos um saboroso <em>chorizo<\/em> (um contra-fil\u00e9 mais gorducho) com batatas fritas e sorvete de <em>calafate<\/em> (frutinha t\u00edpica da regi\u00e3o). Na sequ\u00eancia, fomos\u00a0curtir umas cervejas no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.tripadvisor.com.br\/Restaurant_Review-g312855-d3383531-Reviews-Dublin_Pub-Ushuaia_Province_of_Tierra_del_Fuego_Patagonia.html\" target=\"_blank\">Pub Dublin<\/a>, que \u00e9 provavelmente a melhor op\u00e7\u00e3o noturna da cidade. Aberto todos os dias que passei por l\u00e1, estava sempre lotado, animado e com\u00a0pre\u00e7os razo\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DIA 3<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acordei bem cedo e \u00e0s oito da manh\u00e3 j\u00e1 estava num t\u00e1xi, subindo ao Cerro\u00a0Martial, uma das montanhas mais altas que circundam a cidade.\u00a0Do hostel at\u00e9 o centro invernal do Cerro paguei exatos\u00a081 pesos argentinos pelo t\u00e1xi, que subiu rapidamente os\u00a01000m acima do n\u00edvel do mar. \u00a0S\u00f3 o visual da subida j\u00e1 vale a pena! L\u00e1 em cima, me despedi do taxista,\u00a0que me garantiu que n\u00e3o importa a hora que voltasse, sempre haveria taxistas parados por ali para me trazer de volta. Naquele hor\u00e1rio, no come\u00e7o da manh\u00e3, n\u00e3o havia ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/topo-do-cerro-martial.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1460\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/topo-do-cerro-martial.jpg\" alt=\"Topo do Cerro Martial\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como o inverno j\u00e1 havia acabado,\u00a0a esta\u00e7\u00e3o de esqui\u00a0e o telef\u00e9rico (<em>aerosilla)\u00a0<\/em>estava fechado.\u00a0Como o frio era intenso,\u00a0tomei um car\u00edssimo caf\u00e9 na lanchonete que fica na entrada, fechei a jaqueta e comecei a subir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trekking come\u00e7ou numa picada bem \u00edngrime\u00a0cheia de pedras e com algumas pontes de madeira, margeando o telef\u00e9rico, venc\u00edvel em pouco mais de meia hora.\u00a0Havia alguns trechos de lama, formados por po\u00e7as de \u00e1gua de degelo que dificultaram um pouco um caminho que\u00a0aparentemente seria muito f\u00e1cil.\u00a0Ao chegar na base superior do telef\u00e9rico, me virei pela primeira vez para o mar e vi\u00a0Ushuaia l\u00e1 de cima, banhada pelo Canal de Beagle ao fundo a Ilha Navarino, envolta em nuvens carregadas. Observa\u00e7\u00e3o: em absolutamente todos os dias da viagem o c\u00e9u estava cinzento, carregado. Praticamente o ano todo \u00e9 assim e essa \u00e9 a gra\u00e7a\u00a0do <em>fin del mundo<\/em>: in\u00f3spito, agressivo, bruto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed pra frente foi s\u00f3 alegria. Em frente havia um manto branco incr\u00edvel, lind\u00edssimo, que foi meu primeiro contato com neve na vida. Afundei, botei a m\u00e3o, fiz bolinhas para atirar longe, voltei a ser crian\u00e7a. Em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 montanha, segui\u00a0marcas de botas na neve, que margeavam um riozinho de \u00e1gua transparente, num plat\u00f4 bem definido e tranquilo de fazer. Alguns buracos na neve fofa se mostraram trai\u00e7oeiros, mas nada fora do normal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais meia hora de caminhada e cheguei ao trecho mais \u00edngrime da subida, que faz um zigue-zague at\u00e9 a ponta do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Geleira\" target=\"_blank\">glaciar<\/a>\u00a0. Antes de come\u00e7ar,\u00a0parei para comer uns morangos e tomar um pouco d\u00b4\u00e1gua e me virei: n\u00e3o dava para ver mais nada.\u00a0Flocos de neve come\u00e7avam a cair atr\u00e1s de mim e uma n\u00e9voa forte escondia\u00a0praticamente toda a torre superior do telef\u00e9rico. Fiquei alguns minutos ali esperando a neve chegar e\u00a0dei ao momento sua devida import\u00e2ncia: a primeira neve a gente nunca esquece. Um vento gelado, cortante, incomodava meu nariz mas eu n\u00e3o estava nem a\u00ed: ver floquinhos brancos de neve rolarem pela jaqueta pela primeira vez foi uma experi\u00eancia que esperei muitos anos para realizar. Na volta, ali\u00e1s, nevava no mesmo lugar, por\u00e9m de forma mais pesada, consistente. Leia aqui sobre <a href=\"http:\/\/hypescience.com\/a-perfeicao-dos-flocos-de-neve-vistos-atraves-de-um-microscopio\/\" target=\"_blank\">tipos e formatos de neve<\/a> diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse zigue-zague durou mais trinta e cinco minutos. No topo, parei para descansar, fazer um lanche e meditar um pouco. Infelizmente o tempo estava bastante fechado no <em>glaciar<\/em> e eu tive que apenas imaginar a fant\u00e1stica vis\u00e3o da bahia que aquele mirante deveria ter. Nevava mais forte e o ch\u00e3o estava bem mais fofo que na subida, ent\u00e3o n\u00e3o pude ficar mais do que quinze minutos por ali. Contemplei, me senti grato pela oportunidade e desci, feliz da vida por ter feito minha primeira caminhada na neve.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Levei pouco mais de uma hora para chegar \u00e0 base da esta\u00e7\u00e3o, onde haviam algumas crian\u00e7as tendo aulas de esqui. Poderia ter ido mais r\u00e1pido se n\u00e3o tivesse tentado cortar caminho pela pista desativada, movimento que n\u00e3o foi l\u00e1 muito feliz dado que em cinco minutos tive duas quedas e tive de voltar ao caminho lamacento. S\u00f3 se aprende na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerro-martial-pista-esqui1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1480\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerro-martial-pista-esqui1.jpg\" alt=\"Cerro Martial - Pista Esqui\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vencida a montanha, tomei um t\u00e1xi para a cidade e pouco antes do meio-dia j\u00e1 estava a caminho do belo\u00a0<em>Parque Nacional Tierra del Fuego<\/em>. Com quatro trilhas principais na \u00e1rea mais acess\u00edvel do parque, mais seis <em>senderos<\/em>\u00a0na \u00e1rea da Bahia Lapataia, o ideal \u00e9 passar pelo menos uns cinco dias acampado por ali, mas como eu ainda tinha muita viagem pela frente e meu tempo era escasso, fiz o que pude e reservei mentalmente um roteiro completo no local para\u00a0o futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/parque-nacional-tierra-del-fuego-31.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1504\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/parque-nacional-tierra-del-fuego-31.jpg\" alt=\"Parque Nacional Tierra del Fuego 3\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a tarde toda livre, fiz as trilhas mais pr\u00f3ximas do centro de visitantes, de frente para o Lago Roca. Consegui fazer a\u00a0<em>costera<\/em> (8km) em mais ou menos 3,5h, trilha muito bonita e c\u00eanica, al\u00e9m de plana e tranquila de caminhar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/parque-nacional-tierra-del-fuego-11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1502\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/parque-nacional-tierra-del-fuego-11.jpg\" alt=\"Parque Nacional Tierra del Fuego 1\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0<em>Hito XXIV<\/em> j\u00e1 \u00e9 mais \u00edngrime e apesar de seguir at\u00e9 a fronteira com o Chile, segui a orienta\u00e7\u00e3o de um guarda-parque que me disse valer a pena apenas at\u00e9 o trecho em que as \u00e1rvores se fecham, pois depois dali n\u00e3o haveria mais atrativos e a trilha terminaria em frente a uma placa marcando a divisa, mandando voltar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/parque-nacional-tierra-del-fuego-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1451\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/parque-nacional-tierra-del-fuego-2.jpg\" alt=\"Parque Nacional Tierra del Fuego 2\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cheguei de volta ao museu j\u00e1 pr\u00f3ximo das 18h, mas a tempo de tomar uma\u00a0boa cerveja artesanal chamada <em>Cape Horn<\/em>, enquanto assistia o p\u00f4r-do-sol de dentro da lanchonete, abrigado do frio intenso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/parque-nacional-tierra-del-fuego-bar1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1501\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/parque-nacional-tierra-del-fuego-bar1.jpg\" alt=\"Parque Nacional Tierra del Fuego - bar\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recomendo, ainda que rapidamente, uma visita ao pequeno museu local. L\u00e1 h\u00e1 representa\u00e7\u00f5es de cenas da vida dos povos antigos que habitavam a regi\u00e3o e alguns f\u00f3sseis de animais encontrados ao longo do parque, com suas respectivas explica\u00e7\u00f5es. Consegui aproveitar um pouco mais, pois um casal que cruzei no entorno do lago me ofereceu uma muito bem-vinda carona a Ushuaia. Caso contr\u00e1rio, o \u00faltimo \u00f4nibus partiria \u00e0s 18h e eu teria aproveitado bem menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegando ao centro, tomei um longo e relaxante banho no hostel e sa\u00ed para comer. Como estava tarde, n\u00e3o encontrei companhia para dividir um prato, ent\u00e3o resolvi me dar de presente um jantar no \u00f3timo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.chikorestaurant.com.ar\/\" target=\"_blank\">Chiko<\/a>. Seguindo o conselho do gar\u00e7on, pedi um\u00a0<em>fil\u00e9 sui\u00e7o:\u00a0<\/em>um bife de <em>lomo<\/em> (corte similar ao nosso fil\u00e9 mignon, por\u00e9m mais alto) coberto com\u00a0um mix de queijos, com batat\u00e1s <em>noisette<\/em> e ervilhas por cima. Acompanhado de uma B<em>eagle roja<\/em>, gastei 100 pesos numa das melhores refei\u00e7\u00f5es que j\u00e1 fiz na vida! Atendimento dez, custo-benef\u00edcio muito bom.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DIA 4<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acordado pelos argentinos mais uma vez no meio da madrugada, tive um sono\u00a0bem perturbado e acordei cansado. Tomei um caf\u00e9 mais demorado, conversei um pouco com um paulistano do Br\u00e1s que estava indo embora e arranhei\u00a0um pouco meu\u00a0ingl\u00eas com um casal de ingleses que estavam fazendo hora esperando seu <em>transfer<\/em> para o Cerro Castor.\u00a0\u00a0Antes de sair, pedi informa\u00e7\u00f5es mais precisas ao gerente do <em>hostel<\/em> \u00a0sobre o <em>Cerro Del Medio<\/em>, meu destino naquele dia, e parti pouco antes das 10h da manh\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passei no mercado La Anonima (esquina da Gobernador Paz com Rivadavia) para fazer um lanche de trilha e anotar alguns pre\u00e7os de lembrancinhas e comecei a subida a seguir. A partir da calle\u00a0Lasserre, perpendicular a av. San Mart\u00edn subi at\u00e9 a calle\u00a0Alem, passando pelo Hotel Ushuaia. Por ali, o mapa que o gerente do hostel me deu, mandava caminhar at\u00e9 uma pra\u00e7a e subir uma picada \u00e0 direita de uma esta\u00e7\u00e3o de tratamento de \u00e1gua, a qual encontrei com alguma dificuldade depois de desviar\u00a0uma obra vi\u00e1ria que impedia a passagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da\u00ed para frente o mapa era impreciso, mas passando a \u00faltima casa, pouco antes do rio, havia uma trilha bem definida e logo adiante um uma guarita onde havia um guarda-parque. Cumprimentei o entediado senhor &#8211; que ouvia uma m\u00fasida do Fito Paez num radinho de pilha &#8211; e segui\u00a0<em>adelante<\/em>, como me indicou. Ao contr\u00e1rio das trilhas do Parque Nacional, o come\u00e7inho desta estava um pouco sujo, com alguns restos de embalagens\u00a0e alimentos pelo caminho, que foram rareando at\u00e9 sumir, com mais ou menos meia hora de caminhada al\u00e9m da portaria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A trilha \u00e9 fechada,\u00a0atravessando um bosque de lengas &#8211; \u00e1rvore dec\u00eddua, nativa da depress\u00e3o sul dos andes, que tem troncos meio acinzentados, bem finos e sem folhagem, com copa bem alta. Alguns trechos estavam bem fechados, com bastante l\u00edquen e trechos escorregadios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1476\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerro-del-medio-11.jpg\" alt=\"Cerro del Medio 1\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de mais de uma hora l\u00e1 dentro, as \u00e1rvores come\u00e7aram a ficar mais baixas e finas e no ch\u00e3o come\u00e7aram a aparecer crostas de gelo. Fiz esse trecho final da floresta com bastante cuidado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerros-de-ushuaia1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1482\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerros-de-ushuaia1.jpg\" alt=\"Cerros de Ushuaia\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A melhor parte \u00e9 que de repente as \u00e1rvores se abriram num descampado imenso, coberto de gelo e neve, com pequenos fios\u00a0de \u00e1gua cristalina e uma vista estonteante de Ushuaia e do Beagle. Como o tempo estava aberto,\u00a0pude ver finalmente a cidade de cima e os barcos no canal, muito mais n\u00edtidos\u00a0que no\u00a0dia anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fiquei quase uma hora caminhando pelo descampado, tirando fotos, tentando identificar os animais donos das pegadas que encontrei na neve, apreciando a paisagem.\u00a0\u00c0 beira do mirante, quando fazia um lanche, olhei para das montanhas atr\u00e1s de mim para o oeste notei que ao final do plat\u00f4 havia uma picada aberta entre alguns arbustos e mais \u00e0 frente uma estrada, muito provavelmente a estrada do Cerro Martial. Conclui\u00a0que estava al\u00e9m da metade do caminho e pensei: por que n\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerro-martial1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1481\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerro-martial1.jpg\" alt=\"Cerro Martial\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Caminhei sobre uma geleira praticamente sem neve durante cerca de meia hora at\u00e9 atingir uma crosta mais fina, que tinha um pouco de folhagem, neve mais fofa e fios de \u00e1gua para todo lado. Avancei com cuidado sobre o terreno, que foi ficando mais dif\u00edcil, com neve cada vez mais fofa e dif\u00edcil de identificar. Fiz um bast\u00e3o com um peda\u00e7o de \u00e1rvore seca que encontrei no caminho, mas minha falta de experi\u00eancia n\u00e3o me permitiu utiliz\u00e1-lo corretamente. Afundei uma, duas, tr\u00eas vezes na neve. Em cada uma delas, como os tornozelos ficaram submersos e minhas botas n\u00e3o eram pr\u00f3prias para o terreno, tive que tir\u00e1-las, remover o excesso e seguir em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez mais cansado, fui me descuidando na \u00e2nsia de chegar logo \u00e0 estrada at\u00e9 que afundei de uma vez, at\u00e9 a altura dos joelhos. O gelo debaixo da neve tinha se partido e eu atingira um rio subterr\u00e2neo, gelad\u00edssimo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerro-del-medio-41.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1479\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerro-del-medio-41.jpg\" alt=\"Cerro del Medio 4\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-thumbnail wp-image-1745 alignleft\" src=\"http:\/\/omochileiro.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pegada-21-150x150.jpg\" alt=\"Pegada 2\" width=\"150\" height=\"150\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-thumbnail wp-image-1744 alignleft\" src=\"http:\/\/omochileiro.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/pegada-11-150x150.jpg\" alt=\"Pegada 1\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tive um trabalh\u00e3o para tirar as botas, torcer as meias, secar as pernas e retomar o f\u00f4lego. O quadro, entretanto era bem claro: hora de voltar. Chateado,\u00a0calculei que tinha cerca de 2,5h de caminhada\u00a0para chegar at\u00e9 a guarita novamente.\u00a0Como eram cerca de 15h, haveria tempo de sobra at\u00e9 o sol se p\u00f4r, mas era bom me apressar e n\u00e3o perder muito tempo. Caso tivesse algum problema no caminho, poderia ter problemas com a falta de luz apropriada. As pegadas recentes que encontrava na neve tamb\u00e9m me preocupavam um pouco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sol\u00a0j\u00e1 se escondia \u00e0 minha esquerda, enquanto uma fina camada de n\u00e9voa encobria o mar \u00e0 direita, quase impossibilitando sua identifica\u00e7\u00e3o. Avancei devagar, tentando n\u00e3o incorrer nos mesmos erros da ida, mas o gelo parecia ainda mais quebradi\u00e7o e percebi que realmente n\u00e3o tinha sido uma boa ideia seguir por ali. Cansado e de mau humor, deixei de torcer as meias e esvaziar a neve da bota a cada vez que afundava, prosseguindo de forma imprudente e atabalhoada, at\u00e9 chegar \u00e0 geleira novamente e notar que \u00e0quele hor\u00e1rio estava dif\u00edcil de enxergar a entrada na floresta. As lengas pareciam todas iguais e o espa\u00e7o entre elas sugeria picadas em todos os lugares, me fazendo andar de um lado para outro tentando adivinhar por onde tinha sa\u00eddo. O sol j\u00e1 tinha se escondido atr\u00e1s das montanhas e a luz j\u00e1 come\u00e7ava a rarear, mesmo antes das 16h30, quando decidi tentar uma picada, que se mostrou equivocada quinze minutos depois. Tentei voltar e quando me dei conta, estava perdido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sentei, comi uma barra de chocolate, chequei meu equipamento e resolvi dar uma olhada no mapa. Ele acusava um pequeno rio que cortava o bosque, o qual poderia me servir de refer\u00eancia, al\u00e9m das montanhas \u00e0 esquerda e o mar \u00e0 direita. S\u00f3 n\u00e3o me desesperei naquele momento porque sabia exatamente em que dire\u00e7\u00e3o ficava a cidade, ent\u00e3o em \u00faltimo caso poderia abandonar a tentativa de encontrar a trilha e seguir naquele rumo. L\u00e1 de cima, um simp\u00e1tico p\u00e1ssaro me vigiava\u00a0desconfiado e\u00a0eu s\u00f3 pensava em cair fora o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerro-del-medio-21.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1477\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cerro-del-medio-21.jpg\" alt=\"Cerro del Medio 2\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de muito tentar, foi exatamente isso que acabei fazendo. Rumei\u00a0colina abaixo, tentando achar uma forma de sair do bosque e atingir os terrenos de alguma fazenda pr\u00f3xima. Uma grande depress\u00e3o nos limites das \u00e1rvores me impedia de descer, o que me fez andar alguns quil\u00f4metros para o lado oposto ao que desejava, tentando atingir vencer o obst\u00e1culo natural. S\u00f3 consegui atingir uma fazendo por volta das 18h, quando ainda tive que correr de um cachorro, pular uma cerca e descer pela fazenda vizinha. Tomei uma senhora bronca de uma mo\u00e7a\u00a0que embalava um beb\u00ea na varanda da casa e ainda andei por algumas ruas at\u00e9 encontrar um t\u00e1xi que me levasse direto ao hostel, a tempo de n\u00e3o perder o passeio que tinha contratado para a noite cuja sa\u00edda estava marcada para \u00e0s 19h.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cheguei exausto, mas tive que tomar um banho, me trocar e arrumar minhas coisas em menos de quinze minutos. Ainda adrenado, entrei na van do tour &#8220;nieve y fuego&#8221; e me sentei no fundo, cumprimentando rapidamente a galera.\u00a0N\u00e3o havia planejado isso, mas fazer um &#8220;passeio de tia&#8221; pra fechar o dia seria o ep\u00edlogo de um dia espetacular! Aos poucos meus nervos foram entrando nos lugares e quando chegamos \u00e0 fazenda <em>Tierra Maior<\/em>, j\u00e1 estava completamente relaxado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O NF funciona mais ou menos assim: uma van faz o traslado de Ushuaia \u00e0 fazenda, onde se escolhe uma das formas de chegar a um velho rancho numa \u00e1rea mais remota da propriedade, sendo elas um tren\u00f3 puxado por\u00a0<em><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Husky_siberiano\">huskies<\/a>\u00a0<\/em>(pr\u00e1tica esportiva da qual n\u00e3o sou adepto) ou motos de neve. Quando contratei o passeio, disse que se fosse obrigado a fazer o passeio de tren\u00f3 eu cancelaria, mas me garantiram que poderia ir e voltar de moto de neve, bastando avisar os respons\u00e1veis.\u00a0Como eu j\u00e1 deveria ter imaginado, t\u00edpica enrascada de ag\u00eancias de turismo, o passeio \u00e9 engessado e n\u00e3o me permitiram fazer essa mudan\u00e7a. O resultado \u00e9 que fui de tren\u00f3 e voltei de <em>snowmobile<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sinceramente, n\u00e3o gostei do tren\u00f3.\u00a0Primeiro,\u00a0nem huskies eram, mas algum h\u00edbrido que lembrava os originais na apar\u00eancia. Huskies\u00a0s\u00e3o conhecidos na Sib\u00e9ria h\u00e1 mais de um milh\u00e3o de anos, quando foram desenvolvidos para puxar tren\u00f3s, em condi\u00e7\u00f5es de frio extremo, pelo povo <em>chukchi<\/em>. Fortes e resistentes, em nada lembram esses da Tierra Maior, que estavam magros e choravam o caminho todo. Reclamei com o organizador, que bateu em alguns c\u00e3es mais de uma vez durante o transporte, o qual me disse que eles eram manhosos e que &#8220;era assim mesmo&#8221;. N\u00e3o me diverti.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chegando ao rancho, h\u00e1 um caminho marcado com tochas e uma constru\u00e7\u00e3o r\u00fastica de madeira, de formato circular, sem teto, com bancos presos \u00e0s paredes. No centro, uma grande fogueira e alguns anteparos com panelas. Faz bastante frio, apesar da fogueira e mesmo com os ch\u00e1s, chocolates, espetinhos e vinho \u00e0 vontade que s\u00e3o servidos, a ventania que entra pelas frestas incomoda quem n\u00e3o curte temperaturas baixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/parrilla-fueguina.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1455\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/parrilla-fueguina.jpg\" alt=\"parrilla fueguina\" width=\"660\" height=\"430\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu me diverti bastante &#8211; ainda que em vez de m\u00fasica t\u00edpica, tocam-se cl\u00e1ssicos internacionais no viol\u00e3o &#8211; e adorei o vinho servido (um malbec local) que me fez relaxar depois do dia atrapalhado, <span style=\"text-decoration: underline;\">mas<\/span> sa\u00ed com a jaqueta\u00a0impregnada de cheiro de fuma\u00e7a. Na volta, gostei bastante de usar a moto de neve e consegui arrancar bastante com ela, apesar das r\u00edgidas regras de condu\u00e7\u00e3o. No fim das contas acho que valeu \u00e0 pena, ainda que a lavanderia do hostel n\u00e3o tenha conseguido tirar o odor de fuma\u00e7a da jaqueta, que me acompanhou por toda a viagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>DIA 5<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Meu \u00faltimo dia em Ushuaia foi absolutamente perfeito. Acordei relativamente cedo, tomei um bom caf\u00e9 da manh\u00e3 e por volta das 9h da manh\u00e3 um\u00a0Land Rover veio me buscar para fazer a famosa\u00a0<em>Travessia de Los Lagos 4&#215;4<\/em>. \u00c0\u00a0bordo, dois casais baianos e um chileno me esperavam, al\u00e9m do motorista Matias. O dia estava mais frio que de costume \u00e0 essa hora e quando chegamos ao\u00a0<em>Paso Garibaldi<\/em>, que tem uma das vistas mais impressionantes que pude apreciar na vida: perfilados, pod\u00edamos ver o Lago Escondido \u00e0 frente e o Fagnano atr\u00e1s, montanhas nevadas\u00a0\u00e0 esquerda e \u00e0 direita. A neve caindo lentamente sobre n\u00f3s deixava uma sensa\u00e7\u00e3o ainda\u00a0melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/passo-garibaldi-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1456\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/passo-garibaldi-1.jpg\" alt=\"Passo Garibaldi 1\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1, sa\u00edmos da estrada a passamos a atravessar os lagos pela margem, ora em\u00a0meio a lama\u00e7ais, ora pequenos riachos que desaguam nos lagos (com direito a castores e castoreiras) e at\u00e9 mesmo dentro d\u00b4\u00e1gua em alguns trechos.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1730\" aria-describedby=\"caption-attachment-1730\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1730 size-full\" src=\"http:\/\/omochileiro.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lago-fagnano-21.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/omochileiro.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lago-fagnano-21.jpg 1000w, https:\/\/omochileiro.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lago-fagnano-21-300x225.jpg 300w, https:\/\/omochileiro.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lago-fagnano-21-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1730\" class=\"wp-caption-text\">Lago Fagnano<\/figcaption><\/figure>\n<figure id=\"attachment_1731\" aria-describedby=\"caption-attachment-1731\" style=\"width: 1000px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1731 size-full\" src=\"http:\/\/omochileiro.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lago-fagnano1.jpg\" alt=\"\" width=\"1000\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/omochileiro.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lago-fagnano1.jpg 1000w, https:\/\/omochileiro.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lago-fagnano1-300x225.jpg 300w, https:\/\/omochileiro.blog.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/lago-fagnano1-768x576.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1731\" class=\"wp-caption-text\">Lago Escondido<\/figcaption><\/figure>\n<p><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lago-fagnano-2.jpg\"><br \/>\n<\/a> <a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lago-escondido-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-1441\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lago-escondido-3.jpg?w=660\" alt=\"Lago Escondido 3\" width=\"660\" height=\"495\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paramos num\u00a0acampamento abandonado de lenhadores e l\u00e1 Matias cortou lenha,\u00a0fez uma fogueira, improvisou uma cozinha e fez um delicioso mate, com muito queijo, salame, pat\u00eas e chocolate quente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lago-escondido.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1442 \" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lago-escondido.jpg\" alt=\"Lago Escondido\" width=\"596\" height=\"447\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De l\u00e1, seguimos sacolejando no Land Rover por bosques, pedras e pequenos rios, sempre animados pela boa conversa do Matias e da m\u00fasica t\u00edpica que ele gostava de cantar e explicar para n\u00f3s. Fizemos tamb\u00e9m algumas curtas caminhadas, almo\u00e7amos numa bela cabana um <em>cordero fueguino<\/em> muito superior ao que havia experimentado em Ushuaia e tomamos bastante vinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cordero-fueguino.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1431 \" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/cordero-fueguino.jpg\" alt=\"Cordero Fueguino\" width=\"591\" height=\"443\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Infelizmente as condi\u00e7\u00f5es metereol\u00f3gicas n\u00e3o permitiram um passeio de canoa que pessoalmente gostaria de ter feito, mas fomos recompensados por alguns pequenos trekkings em \u00a0meio \u00e0 bel\u00edssima paisagem do Fagnano. Valeu muito \u00e0 pena e fechou minha viagem com chave de ouro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lago-escondido-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1440\" src=\"https:\/\/omochileiro.files.wordpress.com\/2015\/08\/lago-escondido-2.jpg?w=660\" alt=\"Lago Escondido 2\" width=\"595\" height=\"446\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 noite, depois de um pouco mais de Dublin, me despedi dos cariocas e dormi sozinho no quarto, pela primeira vez, sem os barulhentos argentinos. O que foi muito bom, porque acordaria na madrugada para partir rumo a <a href=\"http:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/2016\/01\/15\/el-calafate-glaciar-perito-moreno-e-el-chalten-de-mochila\/\" target=\"_blank\">El Calafate, pr\u00f3xima etapa da viagem<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Animou-se? Veja a seguir <a href=\"http:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/2015\/08\/18\/dicas-para-o-mochileiro-em-ushuaia\/\" target=\"_blank\">dicas gerais<\/a>\u00a0de Ushuaia para mochileiros e o <a href=\"https:\/\/omochileiro.wordpress.com\/2016\/01\/15\/el-calafate-glaciar-perito-moreno-e-el-chalten-de-mochila\/\" target=\"_blank\">relato<\/a> do restante da viagem pela Patag\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Atualizado em 28\/03\/2017 Conhecid\u00edssimo como um dos melhores destinos de neve e esqui da Am\u00e9rica do Sul, Ushuaia \u00e9 muito mais que isso. Ainda pacata\u00a0nos dias de hoje, a cidade do fim do mundo\u00a0oferece aos seus\u00a050 mil habitantes e turistas do mundo inteiro uma mir\u00edade de passeios, bons restaurantes, locais para compras, cassinos e diversas &hellip; <a href=\"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/2015\/08\/18\/ushuaia-mochilao-neve-e-natureza\/\" class=\"more-link\">Continue lendo<span class=\"screen-reader-text\"> &#8220;Mochilando na Patag\u00f4nia &#8211; Ushuaia&#8221;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":1723,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_bos_mb_destination":[],"footnotes":""},"categories":[2,7,9,17,20,24,30],"tags":[61,117,121,130,194,229,230,251,256,273,280,334,345,354],"class_list":["post-1759","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-argentina","category-cultura","category-dicas","category-mochila","category-patagonia-e-terra-do-fogo","category-relatos","category-trilhas-2","tag-4x4","tag-caminhada","tag-canal-beagle","tag-cerro-del-medio","tag-glaciar-martial","tag-lago-escondido","tag-lago-fagnano","tag-mochila","tag-museus","tag-parque-nacional-da-terra-do-fogo","tag-patagonia-2","tag-terra-do-fogo","tag-trekking","tag-ushuaia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1759","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1759"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1759\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2887,"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1759\/revisions\/2887"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1723"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1759"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1759"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/omochileiro.blog.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1759"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}