Definitivamente, sua localização privilegiada junto ao São Francisco foi decisiva na construção da fama. O grande rio de 2.863km de extensão corta cinco estados e nessa região é determinante para Petrolina como polo produtor de frutas para exportação e vinhos de qualidade. Ainda desconhecidos do grande público, os grandes vinhos do semiárido nordestino são uma jóia rara genuinamente nacional, produzida em suas contradições justamente debaixo de sol incessante que raramente recebe a visita da chuva. Utilizando um inteligente sistema de irrigação por gotejamento com as águas do Velho Chico, a região do Vale do São Francisco surpreende ao conseguir o dobro de safras que a maioria das vinícolas de clima temperado como o do sul do país alcança, produzindo quase três vezes mais vinhos de qualidade na caatinga quando comparadas às tradicionais vinícolas gaúchas.
Mais roots, a vizinha Juazeiro complementa a viagem com muita cultura e romantismo. Conhecida como a Terra das Carrancas (e da Ana das Carrancas), figuras antropomorfas que adornam embarcações no rio São Francisco, seu nome se origina da árvore do juazeiro, natural do sertão nordestino. Desse lado do Velho Chico já estamos na Bahia, no ponto exato onde ocorria, nos primórdios do Brasil, o cruzamento de duas importantes estradas: a via fluvial pelo grande rio, única ligação do norte ao sul do sertão; e a terrestre, aberta pelos bandeirantes paulistas em busca de riquezas.
A cidade começou mesmo numa missão franciscana do século XVII, que chegou para catequizar os índios da região, ergueu um convento, construiu uma capela e assim foi crescendo até tornar-se cidade em 1878. De seu porto, partiam as embarcações conhecidas como vapor, levando à diversas cidades baianas e mineiras, inclusive Minas Gerais, ligando a região à antiga capital do Rio de Janeiro. Mais tarde, a via férrea que funcionava a partir de Juazeiro rumo a Salvador ficou famosa por aparecer nos filmes sobre o cangaço e nos livros que narraram a Revolta de Canudos, eclodida a cerca de 150km de Juazeiro. Recomendo, aliás, dois grandes romances do Século XX sobre o assunto: Os Sertões, de Euclides da Cunha e A Guerra do Fim do Mundo, de Vargas Llosa.
Não é tão hype, não tem brigadeiro gourmet, mas Juazeiro também tem suas atrações turísticas para obrigar o turista de Petrolina a cruzar a ponte. A cidade possui uma orla fluvial bastante simpática, o famoso navio “Vaporzinho”, um Museu dedicado ao Velho Chico, a portentosa Ponte Presidente Dutra que liga as duas cidades, a Estátua Nego D’água que exalta o folclore local, além de diversas vinícolas também visitáveis, já à porta do sertão com muita caatinga e cachoeiras escondidas. Por falar em vinho, é dali que sai o famoso Vapor do Vinho, que ultimamente tem atraído até turistas europeus dada a fama dos ilustres espumantes da região. Apesar de a vizinha Petrolina ter uma cara mais amigável e moderna, Juazeiro tem em sua bela orla, especialmente à noite, o “filé” da região.
Utilizando as cidades como primeira base para explorar a região antes de partir para o sertão em direção ao Piauí, me surpreendi muito com a qualidade e diversidade das atrações, que vão desde bares pé-na-areia, banhos de rio e vinhos deliciosos, à trilhas na caatinga, dunas de rio e uma cultura fortíssima, que se traduz numa gastronomia autêntica e artesanato bastante original.
Quando ir
Como a atração principal da dobradinha Petrô-Juá é o Velho Chico, a grande dica é cair praqueles lados quando o rio está mais bonito: entre julho e outubro. Nessa época não chove e as águas estão límpidas, com um azul belíssimo nos dias mais claros. E é exatamente nesta época que região da Serra da Capivara reúne também as melhores condições do ano para trilhas e observação da fauna local.
Não há, entretanto, impedimento para visitar a região em qualquer outra época. Ainda estarão lá as excelentes opções gastronômicas, os vinhos, os passeios e a paisagem. Talvez um pouco de chuva ou calor excessivo, nos primeiros e últimos meses do ano, tornem a viagem um pouco mais aventuresca, mas sem inviabilizar a curtição e a maioria dos deslocamentos.
Onde Ficar
Petrolina é uma cidade grande, com rede hoteleira muito variada e destinada a todos os bolsos e gostos. Dentre os hotéis três estrelas da cidade, a concorrência é acirrada.
A opção mais em conta atualmente é o Real Hotel, que proporciona uma noite tranquila e está próximo de supermercados, bares, padarias e restaurantes mais em conta, mas fica longe da orla e é bastante simples. Para os fãs, o Ibis Petrolina fica próximo ao Shopping, ao Museu do Sertão e aos prédios públicos da cidade, mas tem preço de diária muito próximo ao bastante superior Petrolina Palace, certamente o melhor custo-benefício atualmente.
Optamos por este e aprovamos a escolha, principalmente pelos quartos amplos, confortáveis e espaçosos, com uma bela vista para o Rio. A estrutura do hotel é antiga (1989) mas está sendo reformada aos poucos, contando com estacionamento seguro e uma boa piscina com cascata que fica num ambiente arborizado e agradável, ideal para aplacar o forte calor nos fins de tarde pós-passeios. O café da manhã estava muito bom e variado, ar-condicionado e wifi funcionaram bem durante toda a estadia e o atendimento geral do staff foi eficiente, solícito e cordial. O melhor é a localização: bem na orla, sendo próximo à farmácias, bares e restaurantes.
Vale a pena dar uma olhada também no Quality Petrolina, que agora chama-se Nobile Suites, também com vista para o Velho Chico e diversas opções de lazer, num ambiente mais moderno e requintado e diárias quase sempre mais caras, porém com boas promoções na baixa temporada.
Quanto tempo ficar
A clássica pergunta! Petrolina e seus arredores têm atrações suficientes para pelo menos uma semana, se você não tiver pressa para conhecer todas as suas belezas e possuir uma curiosidade aguçada para atividades diferentes.
Eu fiquei em Petrolina por cinco dias inteiros antes de partir para o Parque Nacional da Serra da Capivara, meu destino principal, voltando uma semana depois à região. Nesse tempo conheci uma das ilhas, uma das vinículas, aproveitei os principais restaurantes e curti com calma a paisagem do Velho Chico. Ou seja, Petrô-Juá cabe num feriadão, mas certamente pode ser um destino de férias de uma semana ou mais, caso você se apaixone pelo sertão.
A seguir narro as experiências que tive, comentando os diversos pontos de interesse que visitei e arredores. Assim, a narrativa fica mais completa e ao mesmo tempo vocês podem entender o contexto em que visitei as atrações.
Roteiro de Cinco Dias – Petrolina/Juazeiro e Arredores
Primeiro Dia
Chegamos à região no voo da Avianca de Sampa a Petrolina, com duração média de 5h, já contando com a parada em Recife. Aterrissando na hora do almoço, pegamos o carro alugado na Movida do aeroporto (preço mais barato na pesquisa feita pelo Rental Cars) comemos qualquer coisa na região do nosso hotel e partimos para o Parque Zoobotanico da Caatinga no Batalhão do Exército, que fica na Av. Cardoso de Sá, S/N, região militar no lado leste da cidade. A portaria não estava identificada quando estivemos por lá, mas basta usar como ponto de referência a mais próxima da Lanchonete Clube 81, do outro lado da rua.
Aberto de terça à domingo, com entrada gratuita das 8h às 17h, o zoológico é bem grande, abriga mais de uma centena de animais da caatinga, dentre eles : serpentes, jacarés, tartarugas, caititus, araras, macacos, carcarás, asa brancas, raposas e onças, num ambiente amplo, confortável, seguro e bem sinalizado. A única exigência para visitação é estar de sapatos fechados e calças compridas, sem exceção. Um soldado nos acompanhou de perto na visita, fazendo (poucos) interessantes apontamentos em algumas jaulas. Não sou um fã de zoológicos, mas este aqui merece ser visitado por não adquirir espécies, apenas mantê-las quando resgatadas do comércio ilegal quando não podem por qualquer motivo voltar para seus lares. Vale a visita!
Na saída, já ao final da tarde, fomos conhecer a Oficina de Artesãos Mestre Quincas, no final da mesma avenida (perto da rotatória do Monumento do Centenário). Lá abre de segunda a sábado das 8h às 17h). A grande sacada aqui é assistir ao trabalho manual dos artesãos na peças trabalhadas em madeira que resultam em utensílios para casa e e belíssima arte sacra. Sem dúvida, um dos grandes exemplares da cultura nordestina do artesanato, que merece ser visitado, apesar dos preços pouco populares. O local é simples, mas possui amplo estacionamento e fica numa região cheia de bares e restaurantes para todos os bolsos, ideais para relaxar ao final do primeiro dia de trip. Fica por ali o disputado EleEla, que serve caldos e petiscos à preço justo, sendo esta sua primeira chance de experimentar uma boa macaxeira com bode em porção menor e mais em conta. Se gostar, meu amigo, está perdido! Petrolina é o paraíso caprino.
Já falei sobre a carne de bode no guia da Serra da Capivara, mas nunca é demais lembrar que a carne de bode é muito nutritiva e uma das mais saudáveis do Brasil, dado seu baixo teor de gordura. O sabor é mais acentuado que o bovino ou o suíno, mas quando bem feito o bode surpreende os paladares mais desconfiados. Uma iguaria do sertão nordestino que merece ser provada.
Segundo Dia
Acordamos por volta das sete horas para dar uma boa olhada no Velho Chico e curtir com calma o café da manhã regional do hotel. Já debaixo de forte calor, antes das 9h saímos para o Balneário das Pedrinhas, localizado a 30Km à leste do centro de Petrolina, margeando o rio.
exemplar tinto mais famoso da Rio Sol. Na loja, vinhos com preços mais amigáveis do que os de varejo, especialmente para os famosos Rio Sol, Paralelo 8 e Vinha Maria.
Alternativamente, é possível agendar um passeio completo, que conta com transporte desde o centro de Petrolina, contempla o passeio citado e ainda um tour de catamarã pelo Velho Chico, sendo servidos os espumantes da marca durante o trajeto, que oferece com parada para banho e música ao vivo, além de um almoço ao final do trajeto. Há uma profusão de videos no Youtube mostrando como é o passeio, sendo uma boa introdução para quem não tem ideia de como funciona.
A Vitivinícola Santa Maria da Rio Sol fica aberta para visitação de 2ª à 6ª às 9h e às 14h (sábados e feriados, apenas às 9h30) que devem ser previamente agendados aqui. Consulte no site sobre os preços, dias e horários dos pacotes que incluem passeio de barco, almoço ou apenas a visitação, que variam conforme a época do ano. Há outras vinícolas na região que também oferecem passeios e tours, que você pode conhecer aqui. Faz bastante sucesso também a Fazenda da Miolo, que fica em Casa Nova-BA, na direção oposta, também a cerca de 1h de viagem. Ambas corretamente indicadas no Google Maps e no Waze.
Fechamos o dia no Bodódromo, um singular complexo gastronômico com restaurantes especializados em carne de bode e carneiro, com ambiente descontraído, opções climatizadas ou ao ar livre, bastante animado naquele fim de semana. Preços excelentes, comida regional farta e saborosa. Imperdível!
Quarto Dia
Dia de conhecer uma das maiores atrações de lazer do local: a Ilha do Rodeadouro! A mais famosa dentre as várias ilhas/balneários do São Francisco, a Ilha do Rodeadouro é a mais movimentada e estruturada de todas. Para chegar ao local, basta seguir pela Estrada da Tapera, acessível ao final da orla sul da cidade, até chegar aos pontos de travessia. O acesso mais conhecido fica ao lado do famoso restaurante Carranca Gulosa, de frente para Velho Chico.
A travessia de barco custa R$7, acontece das 8h até as 18h, em intervalos de 10 minutos. Apesar de a travessia demorar menos de cinco minutos, todas as barcas são equipadas com coletes salva-vidas e boias, com conforto e segurança.
O principal atrativo da ali é o banho de rio e a caminhada pela areia da ilha, para contemplar a bela paisagem (“Eu, Tu, Eles” – filme do ano 2000, foi filmado ali!). Ficamos nessa por toda a manhã, escolhemos um dos 32 restaurantes e almoçamos um peixe delicioso. Os restaurantes preparam pratos com carne bovina, de bode e de sol, mas sua especialidade são mesmo as receitas com peixes regionais de água doce, como o surubim maitê (peixe grelhado, temperado com ervas finas e acompanhado de risoto de camarão e purê de banana da terra) e o tambaqui assado na folha de bananeira (acompanhado de arroz, feijão tropeiro e vinagrete). Fomos de tambaqui e curtimos muito o prato, que custou R$50 e poderia servir tranquilamente 3 ou até 4 pessoas. A cerveja gelada e as caipirinhas de frutas regionais também são uma atração à parte. Para quem come pouco ou quer economizar, há PFs honestíssimos por R$35, bem servidos e preparados com peixes variados.
A Ilha do Rodeadouro fica aberta todos os dias e sempre tem ao menos meia dúzia de restaurantes abertos. Como opção, as Ilhas do Fogo e do Massangano também são boas escolhas. A primeira não têm comercialização de alimentos e abre apenas aos fins de semana, mas é bom ponto para observar o movimento da ponte e curtir o pôr-do-sol. Já a segunda, a maior de todas, abriga uma comunidade muito interessante, onde rola uma tradição centenária chamada “Samba de Véio”.
A dança remete ao grupo de tocadores e dançarinas com saias rodadas e panos floridos nas cabeças, que gingam um samba ao redor de uma fogueira ao som de batuques no tamborete, cavaquinho, pandeiro e triângulo (leia mais aqui). Na ilha, algumas trilhas em meio a natureza e banho de rio são as atrações. Os moradores não se importam com mochileiros que acampam na praia, desde que não deixem lixo.
Para acessar a Ilha do Fogo, vá até a Ponte Presidente Dutra
e estacione na borda, que fica aberta das 6h às 18h em fins de semana e feriados. A Ilha do Massangano é alcançável também pela Estrada da Tapera, de barco por cerca R$7 o trecho, das 8h às 18h. Fica na “travessa do boinho”, uns 10km do início da estrada. Infelizmente, não tive tempo para encaixá-las no meu roteiro, mas recebi boas recomendações.
À tarde, nossa programação incluía conhecer a Fundação Museu Regional do São Francisco e o Museu do Sertão, mas ambos estavam fechados. Atualização: em agosto de 2018 ambos já estão funcionando. O Museu do Sertão foi reaberto para comemoração dos 45 anos de sua fundação, funcionando de terça a sábado entre 9h e 17h e aos domingos, das 9h às 14h (telefone 87-3862-1943) e o Museu Regional segue em horário restrito, apenas de segunda à sexta, entre 8:00h e 13:00h.
Sendo assim, aproveitamos para curtir a piscina do hotel até o pôr-do-sol e à noite batemos um incrível sanduíche de carne de sol com queijo coalho e melaço no Café de Bule. Pois é… só pelo nome você já pode adivinhar que eu não escolhi o local pelo lanche…
A charmosa cafeteria tem mais de 20 opções de bebidas com café, lanches, petiscos, sorvetes, caldos e pratos rápidos que utilizam ingredientes regionais com bastante criatividade e preços medianos. E foi dali o espresso mais bem tirado de toda a viagem: doce, encorpado, com crema perfeita e bastante aromático. (R$5). Vai lá: Rua Antônio Santana Filho, 353. Abre de segunda a sexta, das 14h às 22h; sábado, das 16h às 22h e domingo, das 17h às 22h.
Quinto Dia
Nosso último dia completo na região deixamos para conhecer a famosa Barrragem de Sobradinho. Situada no Município homônimo, a Usina Hidrelétrica de Sobradinho fica a cerca de 40 km de Juazeiro, contando com um imenso reservatório de 320 km de extensão – um dos maiores lagos artificiais do mundo – com um visual que impressiona pela vastidão geográfica e pelo porte da obra.
No local, além da usina, há uma eclusa de 120x17m, que permite às embarcações subirem e descerem do rio ao lago, vencendo os mais de 30m de desnível. Indo de carro, você pode estacionar nos locais sinalizados como apropriados, na própria barragem, aproveitando para assistir aos barcos passando, dar um mergulho (há umas escadinhas escondidas ao longo da estrada, que se você procurar com calma, encontra sem dificuldade), tomar uma cerveja comercializada pelos ambulantes ou simplesmente curtir o visual.
Ao lado da usina, você avistará um morro que proporciona uma visão panorâmica belíssima, mas não tem sinalização para subida. Entretanto, basta olhar com calma e pegar a estradinha de terra à direta da saída da barragem, dirigindo sempre em direção às pás eólicas, sempre subindo, sempre à esquerda. O Morro do Cruzeiro está identificado no Google Maps, apesar de a estradinha não estar, mas a estrada é boa, qualquer veículo sobe e vale a pena o esforço, mesmo que você precise dar algumas voltas antes de se encontrar. Se preferir, deixe o carro na usina e siga à pé, com o devido suprimento de água. A caminhada leva cerca de 1h.
Próximo dali, com indicação na estrada, fica o restaurante Tilápia na Brasa da Kel, que além do prato que dá nome à casa, serve uma famosa coxinha de tilápia que faz sucesso entre os locais. Só funciona de quarta à sábado na hora do almoço, o que infelizmente inviabilizou minha visita.
Aproveite que está na região e volte à BR-235, seguindo em direção à Santana do Sobrado. Passando a cidade, alguns quilômetros depois você encontrará a Vinícola Terra Nova, de propriedade da Miolo. A fazenda se dedica à elaboração de espumantes, vinhos jovens e frutados e de um delicioso suco de uva integral. Em função do solo e do clima, assim como na Rio Sol que falei lá no começo, ali também são colhidas duas safras anuais e os vinhedos são irrigados pelo sistema de gotejamento, com as águas do Rio São Francisco. Agende sua visita no site e verifique as atividades disponíveis na época em que você estiver por lá.
Com o dia cheio e de muito calor, o fim de tarde foi de descanso, seguido de um bom açaí numa das barracas da orla de Petrolina e c-a-m-a.
Sexto Dia
Acordamos cedo, tomamos o mais uma vez o ótimo desdejum do hotel Petrolina e caímos na estrada em direção ao Piauí, para conhecer o Parque Nacional da Serra da Capivara em São Raimundo Nonato.
Passamos uma semana por lá, curtindo as belezas e a cultura da região, voltando a Petrolina para dormir mais uma noite e pegar o avião de volta para casa.
Tudo sobre como ir e voltar para o Piauí, todas as maravilhas, perrengues e dicas sobre São Raimundo Nonato, o Parque Nacional da Serra da Capivara e o Parque Nacional da Serra das Confusões, você encontra aqui. Para saber por que eu fui lá, clique aqui.
Pois bem, exaustos pela viagem de volta, resolvemos jantar em Juazeiro, coisa que não havíamos feito na primeira passagem. E lá fomos nós explorar a orla, depois de estacionar numa das travessas meio escuras que encontramos por ali.
Nossa escolha dentre os vários barzinhos e restaurantes, foi a Pizzaria Cais do Porto, que faz as redondas com massa média e recheio farto, a preços módicos. O grande barato do local é que além do (pequeno) salão é possível sentar-se nas mesinhas na calçada do outro lado da rua, de frente para o São Francisco, que à noite fica iluminado pela orla de Petrolina, refletindo a silhueta dos prédios em suas águas. A cerveja gelada e a brisa que bate no local são perfeitas para curtir a noite com qualidade.
Depois de jantar, aproveitamos para caminhar pela orla, que nos pareceu bastante segura nos trechos em que há bares e restaurantes. E não é que a atividade, despretensiosamente, nos brindou com uma cena inusitada? Um pouco afastado da agitação dos bares, um antigo Uno Mille estacionou ao nosso lado. De dentro, saiu um casal que montou uma mesinha improvisada com uma toalha branquíssima, um balde de gelo e um espumante. Duas taças, uns queijinhos e os dois curtindo juntos a vibe super sossegada daquele riozão maravilhoso. Paramos nós também, durante um tempo, para olhar as estrelas e contemplar o rio noturno pela última vez. O casal, na simplicidade e alegria deles, também parecia aproveitar o momento.
Espero que esse texto tenha servido de inspiração para quem chegou até aqui. E se você chegou, tenho certeza de que se interessou por fazer essa viagem diferente, que mistura sertão e cidade, água e areia, paz e curtição.
Fiquem a vontade para tirar dúvidas no campo dos comentários e aproveitem a dica de leitura abaixo, de um dos maiores escritores e especialistas em sertão que esse país já teve. Um ótimo companheiro de viagem.
Grande abraço e boas viagens!
Leia mais:
Boa noite! Se ainda estiver por aí, sabe dizer que passeios são possíveis de serem feitos por quem não dirige e vai sem carro?
Olá Anazilda, obrigado pela visita e pelo comentário. Sem carro, você pode se deslocar de Uber tranquilamente pela cidade. Recomendo fazer a travessia de barquinha de Petrolina para Juazeiro, que é muito bonita, tanto de dia em que você passará bem perto da estátua Mãe d’água, do artista plástico juazeirense Lêdo Ivo e poderá visitar a Ilha do Fogo ou de noite, quando as luzes das cidades estão acesas e você pode aproveitar os botecos e restaurantes da orla do outro lado, retornando de uber. Se puder gastar um pouquinho mais, tem o “River Beer Sunset”, passeio bem bacana pelo Rio São Francisco a bordo de um Catamarã, com bebida e comida a vontade (dê uma googlada que encontrará várias agências fazendo esse passeio) . Você também consegue fazer a rota dos vinhos (veja aqui https://depetrolinaparaomundo.com.br/produto/rota-dos-vinhos/ ) que inclui traslado e ida e volta pro seu hotel R($240,00 em 2024) ou o Vapor do Vinho, que é um barco com música ao vivo que serve vinho durante o trajeto. De noite, pode ir conhecer o Bodódromo, também facilmente de Uber. Comida boa, barata e bem servida.
Sou de Recife e estarei indo a Petrolina próxima semana, e a procura de roteiros para seguir na região percebi que quase não existe relatos como o seu. Gostaria de agradecer pelo detalhamento das informações.
Legal o post, eu moro aqui há cinco anos e ainda não fiz nem metade desses roteiros (risos, o calor me vence).
O Restaurante Capivara continua maravilhoso, mas sugiro que atualizem o post pois os preços já mudaram há um tempo.
Abraços 🤗
Olá Wladimir, agradeço a visita e ainda mais o comentário! Gostaria muito de voltar à região, privilegiados vocês que podem contemplar o São Francisco todos os dias, mas o mundo é grande e eu ainda não tive essa oportunidade. Se puder contribuir, ajude os demais leitores com alguns preços atualizados que você tenha notícia! Grande abraço.
Muiito bom. parabéns. Estou na região e vou aproveitar seu roteiro. obrigada
Olá Marilda, grato pela visita e pela contribuição. Tenha uma ótima viagem! Com certeza vai curtir muito!!
VAPOR DO VINHO
Venha ver
O Vapor do Vinho
Rasgando o rio
Sobre Sobradinho.
Para aportar
Com carinho
Ancora na coroa
Que sobra de Sobradinho.
É mesmo um mar
De mareta marinho
Acalmando o calor
Pra pescador pegar peixinho.
Faz a família feliz
Ou somente sozinho
Nadar um nado
Vendo vinha do vizinho.
Autor: Sebastião Santos Silva de Urandi-Bahia
pOETA!
😉
Sensacional, Sebastião. Grato pela visita e pelo comentário!
Gostei muitoo do roteiro e fiz boa parte dele. Nao deu para ir ao parque da capivara pelo tempo curto que tivemos na estada, mas gostei muito de visitar a RIO SOL e a ilha do Rodeador. O Sao Francisco é lindo demais e muito gostoso para se banhar.
Grato pela visita e pelo comentário, Larissa. Dois lugares muito bacanas mesmo!
Morei 3 anos na Bahia e ficou o desejo de ter adentrado mais para conhecer Juazeiro e sua vizinha Petrolina. Adorei o relato Raulz!!! Muchas gracias!!
Hora de voltar à região! Eu adorei! 🙂