Deserto do Atacama para Mochileiros

Tudo que você precisa saber para se dar bem, economizar e aproveitar ao máximo! Dicas do que ver, comer, beber e fazer, com preços atualizados (2014) desse que é um  dos destinos mais bonitos e intrigantes da Terra. 

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Essa foto aí em cima é de uma das atrações obrigatórias para quem vai ao Deserto de Atacama: o Valle de La Luna. Optei por colocá-la logo de cara para que você que me lê saiba do que estamos falando: paisagens sem igual no mundo.  Exato, se você ainda não foi ao Atacama, posso lhe assegurar que você não viu nada parecido. Nada.

Essa estreita faixa comprimida entre o Pacífico à oeste e a Cordilheira dos Andes à leste, é um lugar árido, solitário e cruel, com um visual único que beira a hostilidade mas encanta pela exclusividade. É areia, pedra, fauna e flora raros, paisagens dramáticas e praticamente nenhuma estrutura, bem ali no norte do Chile, próximo às fronteiras com Peru, Argentina e Bolívia. Relativamente próximos, na verdade, pois o deserto tem cerca de 1.000 km de extensão em seus 106.516km².

Relatividade, aliás, é uma palavra que você vai aprender por lá: o Atacama é o deserto mais alto e mais árido do mundo, onde praticamente não chove, frequentemente faz menos de 0ºC à noite e a temperatura durante o dia pode chegar a 40ºC . Tal hostilidade não impediu, entretanto, a construção de algumas cidades e vilas no deserto. San Pedro de Atacama é a maior delas, com pouco mais de 3.000 habitantes vivendo a cerca de 2.400 metros de altitude. Isolado por 100km da sua vizinha Calama, o povoado de San Pedro é a principal base para conhecer o desertão.

Segundo uma interessante reportagem da Super de outubro/2014, a umidade do ar é tão baixa que, aliada à limpeza da atmosfera e à altitude elevada, tornou o Atacama um dos locais mais propícios do planeta para observações espaciais, tamanha a nitidez com que se pode observar o céu. Astrônomos do mundo inteiro se mudaram pra lá, montaram seus próprios observatórios e alguns se juntaram ao Projeto Alma – campo de observação para o desenvolvimento de pesquisas da NASA. Mas mesmo sem telescópios ou lunetas, as noites borradas de estrelas do Atacama ficam para sempre na memória de quem passa algumas noites em San Pedro.

Apesar de agitada, a vila é pequena e numa caminhada de meia hora em qualquer direção já é possível sentir a vastidão do deserto e seu vento sabor de sal . Tomando um ônibus, táxi ou até mesmo uma simples bike, você terá acesso a povoados parados no tempo, fortalezas abandonadas, vulcões ativos, montanhas nevadas, dunas, gêiseres, flamingos, lagos, minas, trilhas e muito mais. Essa incrível facilidade que encontramos no século XXI gera uma oportunidade incrível que não deve ser desperdiçada por qualquer ser humano com um mínimo de disposição. Aqui eu conto como foi. Abaixo, você confere as dicas.

ONDE É E COMO CHEGAR

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Partindo do Brasil, o caminho mais fácil é um voo direto a Santiago, que desde São Paulo dura pouco menos de 5h (TAM, LAN e Gol te levam lá). Da capital chilena é necessário outro voo à cidade de Calama, com duração aproximada de duas horas. Ambos os trechos podem ser feitos também de ônibus, custando certa de R$400 via Pluma de Sampa a Santiago (54h bem longas de viagem)  e de Santiago a Calama via Turbus ou Pullman por algo em torno de R$200 (mais 21h de viagem). Coidiloko, mas possível.

Não posso deixar de mencionar que há um esquema para tentar conseguir uma passagem aérea para o Chile mais barata, descrito detalhadamente aqui . Não testei, mas se você o fez, convido-o a deixar um comentário contando como foi. Você também vai ler por aí que deve deixar para comprar a passagem Santiago – Calama quando efetivamente chegar à capital chilena, nunca com antecedência. Discordo. Paguei exatos R$499 ida-e-volta por este voo, comprando junto com o outro trecho, pela internet, no site da LAN, sentado na mesma cadeira que estou agora na minha casa em São Paulo. Como tinha um tempinho em Santiago, verifiquei nos balcões da LAN e da Sky e ambas cobravam o equivalente a  R$700. Qual a mágica? Realmente, se você consultar com antecedência usando a manha do link que citei acima, vai ver que para quem compra lá do Chile é mais barato do que comprar do Brasil, mas quando você efetivamente chegar a Santiago e resolver comprá-lo, a imediatividade do teu voo vai deixar a passagem quase sempre mais cara. Quem recomenda fazê-lo, muitas vezes não checa a informação. Mas agora você já sabe e não vai cair nessa.

E aqui, um pouco de atenção: se você for de avião, lá vai a dica principal: conforme já explicado no post sobre a Ilha de Páscoa, se você nunca voou sobre a cordilheira dos Andes, o ideal é sentar-se na janela do lado direito no voo de ida e do lado esquerdo na volta. O visual é incrível, principalmente se você nunca viu montanhas nevadas (prepare a câmera!). Outra recomendação para a primeira perna da trip é levar uma caneta junto à sua bagagem de mão para preencher formulário de imigração ainda no voo, quando este for distribuído pela tripulação. Se você deixar para preencher no desembarque, não haverá canetas nos balcões e você perderá um bom tempo tentando encontrar uma. Não se esqueça também de que não é permitido entrar com qualquer alimento não-industrializado no Chile. Caso você desrespeite essa regra,  estará sujeito a uma bela multa de recordação.

Finalmente, chegando a Calama, o jeito mais fácil, barato e rápido de partir para San Pedro é dirigir-se ao balcão da empresa Licancabur e comprar sua passagem para o transfer. Você pode reservar com antecedência aqui, pagando preço promocional de apenas $16.000 ida-e-volta . Os caras são muito profissionais, as vans são novas e o motorista é bastante responsável. Se preferir, mande um e-mail para “transfer@sanpedroatacama.com” e tire suas dúvidas.

COMO É SAN PEDRO DE ATACAMA

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Igualzinha na foto acima. São essas ruas de areia, com casas rústicas feitas de adobe e bandeirinhas multicoloridas pra todos os lados. De dia ou de noite, a poeira vai te incomodar, o sol e o frio vão te castigar, seu dinheiro vai evaporar mas… eu garanto que você vai adorar.

San Pedro de Atacama fica na província de El Loa, Região de Antofagasta, com uma área de pouco mais de 23.000 km² e uma população de 2.000 habitantes vivendo a uma altitude de 2.400 metros de altitude. Originalmente um mero pouso para os colonizadores espanhóis rumo ao coração da América, a cidade começou coma construção da Igreja de San Pedro pelos jesuítas no século XVIII e rapidamente tornou-se o principal centro da cultura atacamenha.

Hoje em dia trata-se de um amontoado charmoso de pousadas, restaurantes, lojas de artesanato e aventura, alguns poucos serviços  de farmácia e bancos, um museu e muita história para contar. A dica de ouro aqui vale para qualquer outro lugar diferente do que você está habituado: se chegou cedo, tire o dia para andar com calma pela cidade, sentar num bar para ver o movimento, observar o ritmo de vida das pessoas, localizar serviços essenciais, visitar o museu e conhecer os pontos principais. San Pedro de Atacama é muito segura e deliciosa de explorar, sobretudo no final de tarde, quando o pior sol já se foi e você pode tirar belas fotos.

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Quase tudo fica na Calle Caracoles, a principal do povoado. As maiores agências ficam por ali, os restaurantes maiores (e mais caros) e as mercearias também. A Caracoles, assim como sua paralela Gustav Le Paige, a travessa Toconao e a Plaza de Armas formam o corredor principal que você certamente vai se divertir explorando. Caso tenha optado pelo ônibus em vez do transfer, você chegará ao povoado pelo Terminal de buses, que fica na Licancabur. O Trip Advisor tem um bom mapa da cidade aqui.

COMO ESCOLHER A AGÊNCIA “CERTA”

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Esta “simpática” construção acima é da agência Desert Adventure, minha escolhida para fazer todos os passeios que fiz no Atacama. E isto nos leva a mais uma questão crucial na visita ao Atacama: qual agência escolher das mais de 40 disponíveis. Minha recomendação número um é fechar todos os passeios com a mesma agência, pois os pacotes saem efetivamente mais baratos. A recomendação número dois é não fechar seu pacote com antecedência, mas sim quando chegar lá, logo no primeiro dia. Os preços de balcão foram efetivamente mais de 20% mais baratos dos que eu consultei via internet na Desert, Incanorth, Cordillera e na Colque Tours – as quatro maiores agências de San Pedro. A recomendação número três, entretanto, é a mais importante: a não ser que seu orçamento esteja realmente apertado, não vale a pena pegar uma agência econômica, que cobre valores substancialmente mais baixos. Há relatos de veículos antigos, guias ruins, quebras no meio do deserto, cancelamento de passeios e até de motoristas embriagados. Acredite, você não vai querer lidar com nada parecido com isso num lugar como aquele. Sossegue, entretanto: os serviços chilenos são em geral muito bons (e superiores aos brasileiros) e a região é muito preparada para o turismo. Se você seguir essas recomendações, dificilmente vai passar algum perrengue.

Fechei com a Desert por vários motivos. Foi a que me foi mais bem recomendada nos fóruns da internet, foi a que me atendeu mais rápido na consulta que fiz pelo formulário online e foi a que me deu mais atenção no balcão quando cheguei, além de ter sido muito bem recomendada pelo pessoal do hostel em que fiquei.  Foi perfeita? Não. Reparei alguma confusão com alguns turistas que haviam recebido informações desencontradas e um ou outro guia me pareceram mais curiosos do que entendidos, mas de modo geral fiquei muito satisfeito. Os veículos, refeições, equipamentos, planejamento e execução dos passeios foram perfeitos e muito superiores ao que eu imaginava ser possível naquela região. Tenho certeza de que você também vai se surpreender.

Esses foram os preços deles para abril/2014, sempre em pesos chilenos:  Geysers del Tatio, que incluem campo geotérmico, mergulho na piscina termal e visita ao povoado de Machuca – $18.000; Lagunas de Sal, que inclui mergulho nas lagoas Cejas, Tebinquince e visita aos Ojos del Salar- $14.000; Valle de la Luna, que também inclui Cordilhera de Sal, Valle de la Muerte, Las Tres Marias, Estátuas de Sal, La Duna e caminhada ao Mirante do Valle de la Luna –  $8.000;  e a visita ao Lago de sal do Atacama e Lagunas Altiplanicas , que incluem visita ao Vilarejo de Toconao, Valle Jere, Parque Nacional de Los Flamingos, Lagunas Chaxas, Vilarejo de Socaire e as lagoas Miscanti e Minique, mais almoço – s$25.000. O pacote completo saiu por $60.000 (na média entre as empresas que pesquisei). Os caras fazem também Vale do Arco-íris, Termas de Puritama (que eu deixei para visitar quando voltava da Bolívia), tour arqueológico (que eu visitei sozinho, de bike). Alguns tours foram de van e outros de micro-ônibus, todos muito confortáveis e com guias bilíngues espanhol-inglês.

Duas exceções: o Tour Astronômico da Space Orbs é o único que pode (e deve) ser reservado com antecedência, mesmo do Brasil, se você não quiser correr o risco de perdê-lo (é muito concorrido e tem poucas vagas, vide abaixo); as regras e descrições sobre as agências não valem para fazer a Travessia do Salar de Uyuni na Bolívia. Várias agências fazem passeios de um dia para lá e aí tudo bem, você pode se utilizar das dicas acima, mas para fazer o tour completo, que leva quatro dias, dormindo em abrigos no território boliviano, tudo muda. Em breve subo um post específico sobre essa “aventura”.

ONDE FICAR 

Regra de ouro para quem viaja sozinho, ficar num hostel é algo que eu sempre opto por fazer. É mais barato, você conhece gente do mundo todo, tem companhia para rachar despesas com passeios e refeições, aprende muito e se diverte mais. No Atacama a oferta é vasta e não muito barata, mas numa rápida pesquisa você descobre que os melhores em custo-benefício são Campo BaseMama Tierra, Elim e o Backpackers. Pelo preço diferenciado, o Elim é a primeira escolha de quase todo mundo e por pouco não foi a minha, mas por falta de vagas optei mesmo pelo incrível Campo Base – um dos melhores que já fiquei.  HOSTAL-campobaseAtendimento espetacular, café da manhã farto e variado, cuidado com o silêncio noturno para os que dormem cedo, área de convivência e redário separados dos quartos para os que dormem tarde, cozinha equipada para uso dos clientes, wi-fi de ótima velocidade nas áreas comuns (e dentro dos quartos!), instalações limpíssimas, quartos coletivos de quatro lugares com lockers, tomadas e luzes individuais, roupas de cama novas, limpas e suficientes para se manter aquecido durante a noite, boa localização (Calle Toconau, ao lado dos vários rent a bike, bares, restaurantes, casas de câmbio e agências), grande prestatividade com dicas dos arredores (fazem reservas por telefone sem taxas adicionais). E um dos diferenciais: várias atrações no Atacama (o Geiser del Tatio, por exemplo) demandam saída na madrugada, o que te impede de desfrutar do café da manhã. Basta solicitar na noite anterior que os caras preparam um lanche espetacular com pão, suco, iogurte, frutas, barra de cereal e chocolate, tudo incluso na diária. O preço é levemente acima da média dos hostels locais, mas certamente valeu cada centavo para mim. E vale un consejo sobre las habitaciones: fiquei num quarto dos fundos, que era absolutamente silencioso. Talvez os do corredor, mais próximos da recepção tenham algum barulho noturno do pessoal que sai para os passeios. Se reservar pelo Booking.com, como fiz, mande um e-mail para garantir o melhor quarto que puder.

QUANTO TEMPO FICAR

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Esta é sempre  a pergunta mais difícil de responder. Pessoalmente, acho que uma semana é um tempo razoável para ficar aqui. Dá tempo de fazer todos os principais passeios, tirar um dia para pedalar nos arredores, uma manhã para fazer compras, uma tarde para jogar conversa fora num bar na Plaza de Armas, enfim, com sete dias inteiros no Atacama você não vai enjoar e não vai precisar fazer nada correndo.

Como você verá a seguir, há passeios difíceis de conseguir, dependendo da época do ano. Quanto mais tempo você passar ali, aumentam suas chances. É claro que o Atacama não é um lugar que te deixa confortável quando está desabrigado, então obviamente a viagem sempre será tão prazerosa quanto cansativa, mas eu acho muito difícil você enjoar do lugar ficando esse tempo. Por outro lado, se você é daqueles que gostam de bater o cartão, tirar suas fotos e cair fora, em quatro longos e corridos dias você consegue, sim, ver o que tem de mais extraordinário. Mas não conseguirá repetir aquela boa empanada, experimentar aquele sorvete bacana ou testar  todos os sabores de cerveja. Provavelmente vai perder o museu e toda sua história, não vai conseguir conversar com os locais, tampouco conseguirá melhorar seu portunhol. Vai de cada um, do tempo, da di$ponibilidade.

Eu fiquei sete dias e fui feliz. Espero que você também seja.

O QUE FAZER

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Outra decisão que nunca é fácil de tomar é o que priorizar. Na minha humilde opinião, os passeios imperdíveis são os Geisers del Tatio (foto acima), o Valle de La Luna  e as Lagunas Altiplanicas. Para visitar o Geyser, a van te pega na sua pousada por volta de 3h30 da manhã, para que você chegue ao local quando o sol estiver nascendo. No mesmo dia você pode fazer o passeio ao Valle de La Luna, que sai do centro por volta das 16h. É cansativo, mas se for necessário vale o esforço. E nada que uma pestana entre os dois não resolva. Já o passeio às Lagunas sai às 7h e volta às 17h.

Nesse segundo dia, se for ao passeio das Lagunas, tendo pique, poderá fazer ainda o Tour Astronômico, que sai à noite. Sobre ele, tenho duas dicas importantes. A primeira é que existem diversos tours para ver o céu estrelado, porém o único realmente imperdível é o que é organizado pela Space Orbs, Os caras oferecem um tour todos os dias, exceto em época de lua cheia (três dias antes e três depois). Este tour permite a qualquer um, mesmo totalmente leigo, aprender conceitos básicos de astronomia e de como se localizar no céu, com manipulação de telescópios e uma boa conversa com bebidas quentes. A segunda é que este é o passeio mais concorrido de San Pedro, então provavelmente a primeira coisa que você deve fazer assim que chegar à cidade é procurar a agência que fica no número  166 da Calle Caracoles e reservá-lo. O passeio sai às 21h no verão e 19h no inverno. A lojinha é um pouco difícil de achar porque não tem número na fachada e está num trecho com menos comércio, mas se você perguntar por ela na Calle Caracoles todos saberão informar.

Pela proximidade, muitos visitam também o Salar de Uyuni, o gigantesco deserto de sal boliviano, vizinho ao Deserto do Atacama, dotado de paisagens incríveis. Há agências que fazem o passeio de um dia para algumas de suas atrações, que vale muito à pena, podendo ser este seu terceiro dia na região. Nota: se você não liga para estrutura, tiver tempo, disposição, dinheiro e alguma tolerância a perrengues, ao invés do tour comum, não deixe de fazer a Travessia, que leva quatro dias ida-e-volta. Isso leva sua viagem a outro patamar, dificultando um pouco mais a logística e aumentando consideravelmente seu tempo de viagem, mas vale muito à pena e certamente é algo de que você jamais vai se esquecer.

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Quanto mais tempo ficar, pode acrescentar coisas como fazer o tour histórico-arqueológico de bike, pedalando em direção à Pukara de Quítor, Quebrada de Cuchabrache e seus petroglifos e Iglesia de Catarpe (32km ida-e-volta) ou à Aldeia de Tutor (11km). O museu, igreja e lojas de artesanato podem ser visitados todos num dia inteiro sem pressa, entre uma empanada e outra, o que já acrescenta mais um dia à quem já viu as principais atrações.

Outro passeio muito interessante, porém incomum, é o que leva para o Salar de Tara, cujas paisagens são diferentes dos outros salares, tour de um dia que normalmente leva também aos Monkes de la Pacana. Vale do Arco-íris e Termas de Puritama completam o que de mais próximo e tranquilo se pode ver, comumente podendo ser combinados também num dia só (pergunte na agência). E há muito mais, como hiking no vulcão Licankabur ou tour sespecíficos para geógrafos ou historiadores em rincões menos explorados do deserto. Não há limite para uma região tão rica e diversificada.

QUANDO IR

Pelas particularidades da região, esse ponto merece sua atenção. Se você vai apenas ao Atacama, basicamente pode escolher entre o verão com temperaturas mais elevadas que te farão sofrer mais de dia ou o inverno que lhe será cruel durante a noite. Muitas das atrações saem na alta madrugada ou mesmo antes disso, então a decisão deve levar em conta seus gostos e resistência para temperaturas assim. Não há nada insuportável, pelo contrário, as agências chilenas são muito organizadas e prestam um serviço excelente e confortável, mas certamente se você é alguém que se incomoda com temperatura, pense nisso.

Se pretende conhecer o Salar de Uyuni, a preocupação deve ser ainda maior. No verão o Salar fica alagado, com uma lâmina de 5cm a 15cm do chão. A paisagem é estupenda, com reflexos incríveis que não tem par no mundo, mas a travessia de quatro dias geralmente não é feita e algumas atrações ficam fechadas. Por outro lado, no inverno tudo é acessível, mas você não terá a exclusividade dos efeitos espelhados. Penso que o ideal mesmo é ir na meia estação, que costuma ser mais favorável aos visitantes em abril ou outubro, meses em que a lâmina d´água normalmente está no meio termo, permitindo todos os passeios e a visão dos belíssimos efeitos espelhados. Nem sempre dá certo, como em abril de 2014 quando a lâmina d´água praticamente já tinha sumido dada a falta de chuvas na região, mas é uma boa tentativa. A travessia ao Salar conta com temperaturas ainda mais hostis que no Atacama, especialmente porque você estará desabrigado quase o tempo todo e os pousos noturnos são bastante precários. Vá preparado de verdade para o frio entre abril e setembro caso pretenda cruzá-lo.

ONDE COMER 

Comer em San Pedro não é barato.

No hostel, me indicaram como bom custo-benefício o famoso Tierra Todo Natural . Menu completo, com entrada, prato principal e sobremesa saem de 4.800 pesos (peito de frango com batatas) a $ 5.500 por um prato bem servido de massa com bastante molho . Cervejas ali custam a partir de $2.000, uma lata de coca-cola sai por $1.200 e sucos naturais muito bons por $1.800. Na mesma linha, o Bar La Plaza serve saborosas e bem servidas porções, além de contar com boa carta de cervejas.

Se quiser economizar, o Delícias del Carmen é a sua solução. Lugar bastante simples, com um atendimento marromeno e porções bastante generosas. As empanadas ($2.000) não são grande coisa, apesar de bem servidas, mas o destaque aqui é para os sucos servidos em jarra a preço justo. Chegue cedo e evite horários de pico, como o começo da noite ou a hora do almoço. Se estiver lotado, opte pelo Grado 6, com preços similares mas porções menos generosas.

Gostei muito do Ayllu, restaurante típico que fica na Calle Toconao, cuja proprietária é uma brasileira muito atenciosa. Provei em dias diferentes um espetinho de lhama por $3.000 e o carro chefe da casa, Llamo a lo Pobre, por $13.000. Ambos estavam incríveis, porém não posso deixar de citar que nas duas ocasiões o refrigerante não estava gelado, o que decepciona se está fazendo 35 graus lá fora.

Há opções mais requintadas, com o Adobe, bem pertinho do hostel em que fiquei, que chama bastante a atenção pela grande fogueira no centro (muitos lidam com o “adorno” como um ponto negativo no Trip Advisor) que serve risotos $12.000 e carnes por $15.000.

Como todo bom paulista, no sábado à noite tentei uma pizza na Plaza de Armas, numa tal de Pizzaria La Tierra, que prometia uma pizza média por $5.000, mas esperei um bom tempo até ser atendido e desisti, partindo pro Ayllu. Bem mais cara, a Pizzaria El Charrua serve uma pizza de massa muito fina e crocante pelo triplo do preço, num ambiente mais bem decorado e requintado. Esta não tentei, mas um casal de italianos que estavam no hostel me recomendaram. Fica a dica.

Por fim, dê uma passada no blog do Viaggiando. Os caras fizeram um post interessante sobre gastronomia e oferta de restaurantes atacamenhos, que você pode conferir aqui. Muito pertinente a observação deles sobre o aproveitamento de iluminação natural e a economia de energia elétrica pelos restaurantes. Rusticidade e economia podem andar juntos, sem que se abra mão do requinte e do aconchego. O Atacama surpreende em cada esquina!

DICAS GERAIS

O idioma oficial é o espanhol, mas se você não habla nada, não se preocupe. Se você falar em português, os nativos te entenderão. Se você tentar falar em espanhol, ouvirão com atenção e te corrigirão com um sorriso do rosto. Assim são os chilenos, que adoram ouvir um portunhol e tirar um sarro dos brasileiros, apesar de pacientemente te ajudarem a conseguir o que quer e ensinarem o jeito certo de pedir aquela cerveza. 

Quanto ao câmbio, atualmente com o dólar alto, somado ao extorsivo IOF de 6% que assola todas as transações de brasileiros no exterior, minha recomendação é que você saque o dinheiro que vai usar lá mesmo, em Santiago (lembre-se que vai precisar comer algo no aeroporto entre os voos e pagar o transfer de Calama para San Pedro) ou mesmo em San Pedro, num dos quatro ATMs (caixas eletrônicos) disponíveis. Basta habilitar seu cartão de débito para uso no exterior (converse com seu gerente para saber como) . Dólares e reais só são aceitos como meio de pagamento em locais que também fazem câmbio de moeda, mas não no comércio regular, mas podem ser trocados facilmente nas várias casas de câmbio locais. Para economizar, se tiver tempo, troque em Santiago, que tem cotações bem melhores (não no aeroporto, obviamente).

Para telefonar a cobrar para o Brasil basta ligar para 800-360-220 (Entel) ou 800-800-272 (Telefônica) e solicitar seja completada a ligação. Ligações comuns de telefones fixos utilizam o formato 00 + 55 + código da cidade no Brasil (sem o zero) + número do telefone. Se ligar de celular (sim, em Hanga Roa e proximidades há sinal de celular, não tão bom e frequentemente fora do ar, mas existe) use o código 00 + 55 + código da cidade no Brasil (sem o zero) + número do telefone.

No mais, para ingressar no Chile não é necessário visto ou vacina obrigatória, bastando portar seu passaporte ou RG atualizado e em bom estado de conservação.  Ao entrar no país, você preenche um formulário em duas vias (tarjeta de turismo) identificando-se como turista e informando os dados de sua viagem. Uma via é da PDI (Policía de Investigaciones) e a outra fica com você, para ser devolvida à PDI quando você deixar o país. Guarde o papelzinho com carinho. E não esqueça: apesar de aceita para alugar um automóvel, a CNH não vale como documento de identificação.

Uma peculiaridade do Chile é quanto às tomadas. A voltagem é de 220V, então preocure levar aparelhos bivolt ou na voltagem correta para não ter prejuízos. As tomadas por lá são do padrão “C” com dois pinos redondos “L” com três pinos redondos numa linha reta, então é bom checar antes de partir se o seu hotel/pousada/hostel tem um adaptador para te emprestar ou comprar um adaptador universal de viagem.

Quanto à bagagem, tenha em mente que nas regiões centrais do deserto existem lugares nos quais nunca sequer foram registradas chuvas. A precipitação anual não passa 3mm há mais de 50 anos, uma das mais baixas precipitações do mundo. É de longe o deserto mais seco da Terra, um local onde as tenazes espécies que ali resistem estão condicionadas a uma série de adaptações para viverem. Então, você que mal sai do seu apartamento, não deixe de levar um protetor solar confiável com fator preferencialmente superior a 30 e algum hidratante para a pele e lábios, porque você VAI precisar. “Ah, mas eu não uso essas frescuras” – esqueça, você não está no seu bairro, lá você VAI precisar. Um colírio do tipo lágrima artificial para os olhos também é desejável e se você tiver rinite, sinusite ou outras ites talvez seja legal levar sua farmacinha particular ou no mínimo um pote pequeno de soro fisiológico para seu nariz não virar uma empanada chilena típica. Lembre-se que uma semana no clima extremamente árido e submetido à cruel variação diária de temperatura vai fazer seu corpo sentir falta de casa. O mesmo conceito vale para chapéu/boné/bandana, tênis/bota de caminhada e óculos de sol. Não economize para não passar perrengue. E lembre-se: um equipamento de qualidade vai te acompanhar por muitos e muitos anos, pagando seu investimento. Pode ser uma boa hora para começar.

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No mais, é levar seu calção de banho ou similar (vai precisar dele nas termas, lagoas e piscinas naturais), uma mochila de ataque (25l são suficientes para carregar sua água, uma blusa mais quente, um pequeno lanche, chocolates, mapas e remédios). Bermudas, shorts, camisetas, chinelo, papete ou similar para o dia e um bom casaco resistente ao vento combinado com um fleece, ambos para a noite. É importante separar sua roupa de frio em pelo menos duas camadas, porque se precisar caminhar vai suar e não vai querer ficar só de camiseta no vento.

Caso vá no inverno ou pretenda fazer a travessia para o Salar de Uyuni, recomendo levar também uma segunda pele de calça/camisa (à venda em qualquer loja esportiva mais completa tipo Decatlon, Centauro etc.). Nessa época, não deixe de levar gorro e luvas de boa qualidade (não vale aquele de lã que você comprou por cinco reais no Pico do Itapeva). Se você sente MUITO frio, convém levá-las mesmo em outras épocas, porque nos tours astronômico e dos geyseres, que acontecem à noite, a temperatura costuma ser baixa mesmo no verão.

CURIOSIDADES SOBRE O ATACAMA

Uma peculiaridade interessante que você não pode deixar de saber é sobre o Projeto Alma: uma parceria internacional entre a European Organisation for Astronomical Research in the Southern Hemisphere (ESO), a U.S. National Science Foundation (NSF) e o National Institutes of Natural Sciences (NINS) do Japão, em cooperação com a República Chilena, o maior projeto astronômico do mundo em atividade. Trata-se de um telescópio de design revolucionário, composto por 66 antenas de alta precisão localizadas na Planície de Chajnantor, a 5.000m de altitude. Visite o site oficial para saber mais, especialmente se é possível fazer uma visita enquanto você estiver lá. O projeto já consumiu  mais de 600 milhões de dólares e levou uma década para ficar pronto. Veja a reportagem da Revista Exame sobre o assunto, na época em que foi inaugurado. E caso fique fascinado sobre o assunto, como eu, visite o site de observatórios astronômicos do Chile para saber onde mais poderá se divertir com o assunto. Que país incrível, não?

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E claro, os flamingos! Por ora, o que você precisa saber é que os flamingos rosados, muito comuns no Salar de Atacama (outra visita imperdível!) são o melhor exemplo de espécie adaptada que Darwin poderia dar. No salar, água que escorre da Cordilheira dos Andes, evapora mais rapidamente do que é reposta pelas chuvas e o sal fica depositado sob a terra, formando uma profusão incrível de imensos lagos de sal nos quais se alimentam os flamingos, que ao longo de sua evolução desenvolveram pequenas aberturas ao lado das narinas que secretam o excesso. E não é só: na minha visita ao Salar do Atacama descobri que os flamingos nascem com penas brancas e só depois de adultos é que suas penas ficam tingidas de cor-de-rosa, devido à sua alimentação, basicamente composta de crustáceos e algas que vivem nesses lagos, ricos em betacaroteno. E é essa a substância que tinge as penas das simpáticas aves durante seu desenvolvimento. E fique tranquilo: você verá muitos.

Os guias da Desert adoram falar também da tal “loma”, vegetação que sobrevive apenas da umidade da névoa (“camanchaca”) que se condensa sobre as pedras durante o inverno. Usada como abrigo pelos lagartos, a loma junto aos arbustos e cactos forma a vegetação principal do deserto. Muito charmosa, por sinal, além de bastante apreciada pelos guanacos, espécie de camelídeo comum no Atacama.

Nessa trip aprendi também que existem seis espécies principais de camelídeos: as llamas e alpacas, domesticados; vicunhas e guanacos, selvagens; e os famosos camelos e dromedários, que dispensam explicações. É legal saber que os quatro primeiros são figurinhas fáceis nos países andinos e também no Deserto do Atacama, apesar de o guanaco, muito caçado, atualmente ser o mais difícil de ver no Deserto. Os demais, como se sabe, não existem naturalmente na América do Sul.

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Meu animal preferido nessa trip, entretanto, é o garotinho aí do lado, uma vizcacha típica. É um roedor que se parece com uma mistura maligna de chinchilla  e coelho, apesar de ter um rabo bem maior. As do Atacama são fáceis de ver, principalmente nos arredores da divisa com a Bolívia, na planície próxima à Laguna Verde. Ao contrário das vizcachas argentinas, mais escuras e maiores – que infelizmente não pude avistar quando fui à Patagônia – no deserto elas são marrons e gostam de ficar nos locais com alguma vegetação em que também costuma nevar, dada sua habilidade de caçar nesse terreno. Quanto mais alto o local, maior a probabilidade de vê-la. Esta aí posou para foto no segundo dia de travessia do Salar de Uyuni.

No Atacama você também verá vulcões aos montes. A maioria está extinta, mas há vários muito vivos que proporcionam algumas das melhores atrações da região: gêiseres, fumarolas e lagoas termais. Não pude chegar perto, como no Rano Kao na Ilha de Páscoa, mas mesmo de longe a vista de alguns, com o Licankabur, na divisa entre o Chile e a Bolívia, impressiona o suficiente.  Eles  fazem parte da paisagem para onde quer que se olhe e dão um charme todo especial à região. Se você gosta do assunto, visite o site do Servicio Nacional de Geología y Minería  del Chile. Ou explore com vigor essa lista imensa de sites correlatos mundo afora.

E isso é tudo que posso dizer em geral sobre o Deserto do Atacama. À exemplo dos posts sobre a Ilha de Páscoa, deixei de início as informações gerais e a seguir estão meus relatos de uma semana no Deserto do Atacama e da Travessia do Salar de Uyuni, com fotos e roteiro dia-a-dia do que fiz e deixei de fazer, além das roubadas e barbadas dessa viagem incrível.

Até!

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20 pensamentos em “Deserto do Atacama para Mochileiros”

  1. Pesquisa obtém água com ‘coletor de névoa’ no deserto chileno do Atacama

    “Como já fizeram antes as comunidades indígenas, na região chilena do Atacama, o deserto mais árido do mundo é alvo do recolhimento das gotas de sua camanchaca, a névoa costeira que cobre durante a madrugada estes céus límpidos.”

    Leiam (muito interessante) reportagem respeito:
    http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2016/posts/maio/pesquisa-obtem-agua-com-coletor-de-nevoa-no?tag=agua

  2. Que maravilha de post! Muito bem escrito, divertido e completo. Daqui a quatro dias embarcarei numa trip sozinha para o Atacama e preciso dizer que esta postagem foi, de longe, a melhor que li sobre o deserto. Acredito que serão muito úteis todas as informações compartilhadas por você aqui. Muito obrigada!

    1. Agradeço sua visita e os elogios, Stella. Espero que curta bastante sua viagem!!
      Se puder, dê uma passadinha por aqui pra contar como for e compartilhar suas impressões com a gente!!
      Valeu!

  3. Adriana, o tour de um dia visita a Laguna Verde (aos pés do Licancabur – belíssimo cenário) e dependendo da época do ano e condições da estrada, vai até a Colorada também. Ambas são belíssimas e se você tiver um dia sobrando e não pretende retornar àquela região, nem mesmo numa viagem independente pela Bolívia, recomendo que faça. O preço deve ser um pouco salgado, mas vale a pena. Fica-se muito tempo dentro do ônibus, mas a paisagem é recompensadora.

  4. Oi! Muito bom seu post sobre o Atacama.
    Vou viajar pra lá daqui uma semana e tô fechando os últimos detalhes da viagem. A única coisa que faltou foi esse tour de 1 dia ao salar. Não entendi direito como funciona. Não terei tempo de fazer a travessia, mas se eu pudesse ir até lá seria o máximo!! Vc poderia me ajudar indicando a agência e dando dicas?
    Obrigada, Adriana

  5. Uau, espero um dia fazer esta mesma viagem. Lindissimo!!! Fui nessas férias a Foz do Iguaçu e visitei o Parque das Aves, inesquecível!!! Vejam o vídeo!!!
    Obrigado e abraços!!!

    1. Adorei o video! Coloca lá no texto de Foz do Iguacu! Vai complementar legal e o pessoal que tá interessado no asusnto vai gostar mais do que aqui.

  6. Estou indo para Atacama em Set/2015, irado seu relato, muito obrigada, dicas valiosas! Acabei de mandar um email reservando o Tour Astronomico….

    1. Que bacana, Patricia. Depois volta aqui pra contar como foi o Tour. É realmente uma pena eu não ter conseguido fazê-lo, mas viagens são assim: às vezes cruéis, mas sempre deliciosamente imprevisíveis.

    2. Patricia, bom dia!
      Tudo bem?
      Vou no mês de Setembro também, podemos trocar algumas figurinhas do roteiro, se puder, me contate por e-mail.
      Abraços!

      1. Pessoal, também vou em setembro! Acho que estaremos numa boa época por lá por causa dos preços baixos e temperatura mais branda. O inverno já vai ter acabado!
        Vocês vão ao salar de uyuni também?
        Raul, parabéns pelo blog! Achei maravilhosos os textos, muito completos e bem escritos. Você tira fotos lindas!

  7. Excelente roteiro. Quero ir em agosto desse ano, só que de carro. Tem algum roteiro saindo de Brasília? Quais os riscos (assaltos, estradas ruins, etc). Agradeço. dennistm

    1. Fala Dennis! Certamente será uma viagem e tanto. O roteiro mais comum desce de BSB até a tríplice fronteira, margeando a fronteira norte da argentina até Salta e de lá ao Atacama. É uma viagem pesada, de mais de 9 mil quilômetros, mas certamente inesquecível.
      Dê uma olhada na viagem desses caras: http://debrasiliaaoatacamademoto.blogspot.com.br/ e http://viagematacama.blogspot.com.br/ . Estão bem detalhadas, com planilhas, mapas e relatos.

  8. Boa descrição. pretendo ir pra lá agora na metade de maio com um pulo completo no uyuni. Mas vc não informou o custo total de sua estadia no local. Seria bom pra termos nocao …

    1. Sergio, na época que passei por lá, a diária do quarto compartilhado (quatro pessoas) estava em torno de 22.000 pesos chilenos, o que dá pouco mais de cem reais. Some isso ao número de refeições que gosta de fazer (uns tomam um bom café e não almoçam, outros preferem almoçar bem e não jantam, varia muito) com base nos preços que passei e terá uma boa noção do quanto gastará por lá. Lembre-se que almoçar é quase sempre mais barato que jantar, porém vários passeios já tem almoço incluído. A boa notícia é que o valor dos passeios não varia tanto, então pode se utilizar os valores que passei para o pacote de passeios porque está na média. Qualquer coisa, pergunte! 🙂

  9. Oi! Tenho acompanhado o site, afinal também sou viajante de passaporte carimbado =)

    Leio bastante as dicas e roteiros que você indica quando vou a um destino já mencionado no blog. Gostaria de saber se poderia ajudar de alguma forma, já que viajo com um boa frequência. Eu poderia criar um artigo sobre minhas impressões, vivências de viagem?

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